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Correio Braziliense

Cenários catastróficos inspiram rotas turísticas

Série Chernobyl impulsiona a tendência crescente de visitas a áreas que sofreram desastres e estimula a polêmica sobre a fascinação mórbida e o conhecimento real da história de sofrimento. Conheça destinos com esse tema


postado em 12/07/2019 10:00 / atualizado em 10/07/2019 12:51

Turistas em visitação à Ucrânia, berço de uma das mais famosas catástrofes nucleares(foto: Genya Savilov/AFP Photo)
Turistas em visitação à Ucrânia, berço de uma das mais famosas catástrofes nucleares (foto: Genya Savilov/AFP Photo)

 

Em abril de 1986, um acidente na usina nuclear Vladimir Ilyich Lenin, na cidade de Chernobyl, na Ucrânia — que integrava a antiga União Soviética — disparou o alarme em 13 países da Europa oriental e central. O governo soviético evacuou mais de 100 mil habitantes da cidade e das regiões próximas. Embora tenham sido feitos trabalhos de descontaminação radioativa, até hoje alguns locais permanecem isolados. Atualmente, uma série de TV conta a história da tragédia.

Há alguns anos, a exibição de um seriado com essas características não teria o mesmo efeito. A verdade é que o turismo para a Ucrânia e, especificamente, para a área de Chernobyl, aumentou 40% em junho passado, graças à série. Empresas como a Civitatis.com (www.civitatis.com) oferecem roteiros de visitas a Chernobyl e incluem Pripyat, uma cidade fantasma onde é possível constatar a devastação provocada por uma única falha. Lá, viviam 15mil pessoas, entre trabalhadores da fábrica e suas famílias.

Apesar dos cenários chocantes, os visitantes avaliam que conhecer locais atingidos por tragédias pode ser uma ferramenta para ajudar as áreas afetadas a recuperarem a normalidade e a prosperidade. Turismo ou fascinação mórbida? A polêmica fez crescer a visitação. O roteiro se torna um canal para gerar emprego e riqueza e  conquista a solidariedade para as áreas que sofreram infortúnios. O fenômeno é quase tão antigo quanto o desejo de viajar. Ir a Chernobyl não seria o mesmo que visitar Pompeia?

Polônia

(foto: Igor Galo/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Igor Galo/Esp. CB/D.A Press)

Mais próximo na história, um roteiro que permite conhecer o passado e refletir sobre a humanidade é a excursão para Auschwitz-Birkenau, na Polónia, o mais terrível campo de concentração do século 20. “Ele  não é tão mórbido se você visita com o objetivo e o respeito com que é feito. Pedimos que os visitante não façam selfies sorrindo. Nesses lugares, devemos sentir e olhar de perto como ocorreram episódios sombrios da humanidade. A experiência ajuda a maior parte dos viajantes”, explica Enrique Espinel, CEO da empresa Civitatis.com.


Itália

(foto: Igor Galo/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Igor Galo/Esp. CB/D.A Press)

Pompeia, enterrada pelas cinzas geradas na explosão do Monte Vesúvio em 79 d.C., é uma das atrações mais visitadas na Itália. Quem visita Roma e se estende a Nápoles, pode fazer um passeio turístico e um histórico, a 22km de Nápoles pelas ruínas da cidade, que foi descoberta 1.700 anos depois, deixando evidências da rotina dos moradores, seus segredos, seus gestos e o pânico dos últimos momentos.


Japão

(foto: Igor Galo/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Igor Galo/Esp. CB/D.A Press)

O maior expoente do turismo que convida à reflexão é a excursão para Hiroshima e Miyajima, onde foi lançada a primeira bomba nuclear na história da humanidade. O lado espiritual completa o roteiro, com visita aos santuários e ao Toris vermelho de Miyajima, a ilha dos deuses.


Colômbia

(foto: Igor Galo/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Igor Galo/Esp. CB/D.A Press)

Na segunda maior cidade da Colômbia, o ‘Tour de Pablo Escobar’ dura quatro horas, andando pela maioria dos lugares ligados ao famoso narcotraficante Pablo Escobar, que também é tema de séries de TV. O trajeto começa na corrida 38, no edifício Mônaco, antiga residência do líder do cartel de Medellín. Outra parada é a catedral, prisão de luxo, onde Escobar cumpriu pena pelos seus crimes.

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