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Correio Braziliense

Rota do ouro líquido


postado em 24/08/2019 10:30 / atualizado em 24/10/2019 16:16

Clos-de-Vougeot, antigo monastério cisterciense, museu e sede da Confrérie des Chevaliers du Tastevin(foto: Mauro M. Alves/Esp. CB/D.A Press)
Clos-de-Vougeot, antigo monastério cisterciense, museu e sede da Confrérie des Chevaliers du Tastevin (foto: Mauro M. Alves/Esp. CB/D.A Press)










A meia hora de carro de Dijon, a Côte d´Or é a grande estrela vinícola e nela está a Rota dos Grands Crus, com cerca de 60 quilômetros, ao longo das Côtes de Nuits et das Côtes de Beaune. Ela agrupa 37 cidades e vilas com alguns nomes que soam como poesia para os amantes de seus vinhos: Gevrey-Chambertin, Chambolle-Musigny, Vosne-Romanée, Nuits-Saint-Georges, Pommard ou Beaune. Enquanto alguns châteaux da região rival de Bordeaux produzem, cada um, cerca de 300 mil garrafas por ano, na Borgonha, a área de boa parte dos vinhedos é tão pequena que rende apenas 6 mil garrafas, ou até menos, a cada safra.

E como são cerca de 3.500 propriedades, pode-se dizer que seus vinhos são artesanais, cada produtor acompanhando intimamente todas as fases — da plantação, colheita e fermentação até o envelhecimento nos barris e garrafas nas caves, daí o alto preço de boa parte deles.

A divisão dos terrenos ocorreu após a Revolução francesa de 1789, quando as grandes propriedades feudais e aquelas em mãos da Igreja Católica, como os monastérios e as abadias, foram redistribuídos através da venda em leilões, consequência da nova ordem no período: liberdade, igualdade, fraternidade.

Essas pequenas plantações e o modo de fazer vinho ali deram origem à expressão climat para exprimir o que em outras regiões francesas é chamado de terroir. O termo designa uma parcela de vinhedo precisamente delimitada, com nome próprio e associada ao vinho que produz. Desde 4 de julho de 2015, os denominados Climats du Vignoble de Borgonha são reconhecidos como patrimônio mundial pela Unesco na categoria Paisagem Cultural.

No coração da Rota dos Grands Crus, o Clos-de-Vougeot, antigo monastério cisterciense, é um dos grandes símbolos da Borgonha e abriga um museu e a sede da Confrérie des Chevaliers du Tastevin, associação que promove o vinho local com festas memoráveis para a introdução de seus novos membros.

A simpaticíssima Beaune, popularmente chamada de capital dos vinhos da Borgonha, respira a bebida em suas ruas medievais e concentra bares e restaurantes na praça principal (Place Carnot) ou próximos a ela, como o bom Le Cheval Noir, do chef Benoît Deval, no Boulevard Saint-Jacques, 17 (restaurant-lechevalnoir.fr) ou no típico Le Bistrot Bourguignon (rua Monge, 8). No número 18 dessa rua exclusiva para pedestres, não deixe de experimentar os doces divinos de Fabien Berteau.

E, claro, não pode faltar a visita ao Hospices de Beaune, monumental edificação em estilo gótico inaugurada em 1443 como hospital para atender os pobres — impressiona sua grande sala com os leitos, os vitrais, as molduras de madeira, as pinturas, a reprodução da farmácia e da cozinha e, marca inconfundível, o teto com as telhas vitrificadas e coloridas.

Algumas vinícolas produzem, além de seus próprios vinhos, alguns com o rótulo Hospices de Beaune, cujo lucro vai para a instituição, como a tradicional Maison Ropiteau (ropiteau.com), em Mersault, com uma bela seleção de brancos — sobretudo da denominação Puligny-Montrachet, como o espetacular Les Perrières 2014 — e um Clos de Vougeot Grand Cru 2013, tinto profundo e com notável equilíbrio entre acidez e taninos. Com a visita à Maison e suas bonitas caves antigas, seguida de degustação, dá para sentir o alto nível que se espera dos vinhos da Borgonha sem comprometer o bolso.

Para conhecer bem a Côte d´Or, suas cidades, vinhedos e participando de degustações em importantes vinícolas, ter um guia maximiza a viagem. A brasileira Aline Borgonha e seu marido Michel, enólogo, fundaram a empresa Vinho e Turismo na Borgonha (vinho-turismo-borgonha.com), para desvendar a região aos turistas brasileiros.


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