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Correio Braziliense

Mergulho na Terra Santa

Todos os credos conduzem a Israel e à Palestina, no Oriente Médio, onde monumentos milenares, riqueza de tradições e lugares sagrados maravilham visitantes de todo o mundo


postado em 03/10/2019 10:00 / atualizado em 02/10/2019 12:05



Tel Aviv — A viagem que começa na capital de Israel, Tel Aviv, ou Colina da Primavera, em hebraico, conduz o turista a mundos que se conectam em cada alma, embalada pelo suave shalom, saudação judaica com significado de paz.

Nas horas da tarde, a cidade mais parece “tela viva” e se torna o ponto de partida para a viagem que é conduzida pela reflexão e o prazer de ver as belezas do país do Oriente Médio, contemplar monumentos sagrados para as três maiores religiões monoteístas do mundo — cristianismo, judaísmo e islamismo  —, percorrer os caminhos de Jesus, conhecer mais sobre a extensão do Império Romano e “entrar” no tempo das cruzadas.

Não precisa ter credo para visitar essa região: a melhor trilha, sem dúvida, percorre a sensibilidade. Por tudo isso, e muito mais, mergulhar nas águas da Terra Santa (Israel e Palestina): Mediterrâneo (outra palavra linda!), Rio Jordão, transbordante de significados, Mar da Galileia, tão caro aos cristãos, Mar Morto, profundo em mistérios, e Mar Vermelho, que remete às travessias.

Seguindo para outras cidades banhadas pelo Mediterrâneo — e é como se o viajante conhecesse cada vez mais sobre história sagrada, lugares descritos na Bíblia e, claro, fizesse descobertas sobre o legado dos césares —, a região foi província do império romano. Em Cesareia Marítima, bom mesmo é se espalhar, com prazer, pelo anfiteatro, curtir o mar, ficar alguns momentos com os olhos fixos na linha do horizonte. Logo na entrada, há esculturas romanas em exposição ao ar livre, uma delas, um pé gigantesco que pode ter sido de um monumento, claro, de grandes proporções.

Vamos à história? Cesareia foi construída por Herodes, o Grande, em 20 a.C. e tem esse nome em homenagem ao imperador César Augusto. Conforme os estudos, foi uma das mais espetaculares cidades da antiguidade, com todos os luxos que formavam a cultura greco-romana. Além do anfiteatro, havia um hipódromo e banhos quentes. O turista atento vai ver, à beira-mar, um arqueólogo sob uma barraca fazendo escavações para jogar mais luz sobre o passado de Israel.

Por 600 anos, Cesareia foi capital da província da Judeia e residência oficial dos governantes, incluindo Pôncio Pilatos, e palco da Revolta Judaica, em 66 a.C., contra os romanos, que terminou na destruição de Jerusalém. Muitos séculos depois, os cruzados a reconstruíram como cidade fortaleza. Nesta viagem, misto de turista e peregrino, é fundamental consultar os mapas e ler mais sobre os lugares visitados. Mas não se esqueça, em Cesareia, de tirar muitas fotos perto do aqueduto.

 

Perto do céu

 

(foto: EdoM/Wikipedia Commons)
(foto: EdoM/Wikipedia Commons)

Haifa (pronuncia-se Raifa), é merecedora de muitas horas de contemplação, reza e conhecimento. Para quem pretende comprar escapulários, uma dica valiosa: só aqui eles são encontrados, mais exatamente no monastério carmelita Stella Maris (Estrela do Mar), no alto do Monte Carmelo. A igreja, centro mundial da ordem dos carmelitas, foi erguida sobre uma caverna associada aos profetas Elias e Eliseu. Fique com o celular a postos para registrar a escultura de Elias.

Importante lembrar que, do alto do Monte Carmelo, a paisagem se completa com o domo dourado do templo da fé Bahai. Nos jardins persas, fica o túmulo do Báb — A Porta ou o Precursor. A fé Bahai prega a unidade de Deus à fraternidade da humanidade. Ao longe, como moldura, a vastidão do mar.

O roteiro leva em direção a Acre, também uma cidade portuária dos tempos antigos. Com o calor, nada mais convidativo do que levantar a barra da calça e molhar os pés no mar — sempre vale lembrar que, em visita à Terra Santa, homens e mulheres devem usar roupas mais comportadas para entrar nas igrejas, sinagogas e outros lugares sagrados. O auge da cidade ocorreu na época das Cruzadas: em 1.104, foi estabelecido aí o Reino do Acre, comandado pelos Cavaleiros de São João.
(foto: WladimirEstevam/Flickr)
(foto: WladimirEstevam/Flickr)

A cada parada, o visitante não tem dúvida: a viagem é mesmo “interior”, pois cada um vai entrando numa espiral de espiritualidade, história, cultura e, de forma plena, encantamento. Rumo à Galileia, chegamos a Safed, centro de religiosidade e cidade no ponto mais alto da região (800 metros acima do nível do mar). Quem saúda é a estátua do Judeu Errante.

Em Cafarnaum, a cidade onde Jesus morou durante três anos, estão as ruínas de uma sinagoga, onde grupos procuram uma sombra para suas orações e também as ruínas da casa de São Pedro, visíveis, embora com uma igreja construída nos locais, e uma imagem do apóstolo com as chaves. Nem precisa dizer que os turistas se esbaldam para eternizar os bons momentos na tela do celular. Na hora do almoço, à beira do Mar da Galileia, tem filé de peixe, salada, arroz, almôndegas de carne de cordeiro, peito de frango e batatas assadas. (GW)

 

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