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Correio Braziliense

A fé que nasceu num igarapé


postado em 10/10/2019 10:00 / atualizado em 09/10/2019 11:52

 

A comemoração é realizada pela manhã para evitar as chuvas que costumam ocorrer no período da tarde(foto: Macio Ferreira/Imapress - 8/10/06)
A comemoração é realizada pela manhã para evitar as chuvas que costumam ocorrer no período da tarde (foto: Macio Ferreira/Imapress - 8/10/06)


A devoção à Nossa Senhora de Nazaré remonta ao início da colonização portuguesa no Brasil. O termo círio vem da palavra latina cereus, que significa vela ou tocha grande. Por ser a principal oferta dos fiéis nas procissões em Portugal, com o tempo o termo passou a ser sinônimo da procissão de Nazaré em Belém e de muitas outras cidades pelo interior do estado.

Há diversas versões para o início do louvor à Virgem de Nazaré, em Belém. A mais compartilhada por séculos diz que tudo teve início quando o caboclo Plácido José de Souza encontrou, no ano de 1793, uma pequena imagem de Nossa Senhora às margens do Igarapé Murutucu, onde hoje fica os fundos da Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

De acordo com a lenda, o caboclo levou a imagem para casa, mas não a encontrou no dia seguinte. A santa foi localizada novamente no igarapé. O fato repetiu-se durante alguns dias e a notícia do “desaparecimento” se espalhou, provocando a intervenção das autoridades civis e eclesiásticas, fazendo com que fosse levada para o Palácio do Governo, para o Paço Episcopal e à recém-erguida catedral, de onde ela também sumiu, sendo encontrada mais uma vez no Igarapé Murutucu.

Entendendo que era o desejo da Virgem permanecer no igarapé, a comunidade católica de Belém construiu uma ermida no local onde a imagem foi encontrada, o que deu início à romaria e à devoção do povo da capital paraense

O primeiro círio foi realizado na tarde de 8 de dezembro de 1793, saindo do palácio do governo. Esse roteiro se manteve até 1881. Em 1854, o círio passou a ser realizado de manhã, para evitar as chuvas, que são mais comuns no período da tarde. A partir de 1882, o bispo dom Macedo Costa, de comum acordo com o presidente da Província,  Justino Ferreira Carneiro, resolveu que o ponto de partida seria a Catedral de Belém, como é até hoje. A imagem que participa das procissões é uma réplica, já que a santa encontrada por Plácido tem mais de 226 anos. Apenas no círio de número 200, em 1992, a imagem original saiu na procissão.

Milagres e promessas

 

(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press)

Diversos milagres são atribuídos pelos cristãos à Nossa Senhora de Nazaré. Um dos mais conhecidos teria sido a graça alcançada pelo fidalgo português dom Fuas Roupinho, cujo cavalo no qual galopava saiu em disparada em direção a um abismo. Ao perceber que morreria, o fidalgo pediu a proteção de Nossa Senhora e o cavalo conseguiu parar.

Outro milagre aconteceu no ano de 1846, com os passageiros do barco português São João Batista, que deixou Belém rumo a Lisboa. A embarcação naufragou durante a viagem, e os passageiros foram salvos por um bote que os trouxe de volta a Belém. Depois de um tempo, foi descoberto que tanto o barco quanto o bote teriam transportado a imagem de Nossa Senhora de Nazaré a Lisboa, para ser restaurada.

Diversos fiéis que têm suas graças alcançadas acompanham o círio com uma representação das suas promessas. São objetos de cera, miniatura de barcos, casas e até mesmo cadernos e livros. Esses objetos são depositados nos carros das promessas. Ao todo, são 13 carros: carro de Plácido, barca dos escoteiros, barca nova, quatro carros dos anjos, cesto de promessas, barca com velas, barca portuguesa, barca com remos, carro dom Fuas e carro da Santíssima Trindade.

Os objetos depositados nos carros do círio, e que representam as graças alcançadas pela intercessão de Maria, vão para a Memória de Nazaré, exposição permanente em espaço montado ao lado da Casa de Plácido desde o ano passado, e também no Museu do Círio, instalado no Complexo Feliz Lusitânia.

O Círio de Nossa Senhora de Nazaré e seu conjunto de manifestações religiosas e culturais receberam da Unesco, em 2015, o título de patrimônio imaterial da humanidade, e em 2004, foi inscrito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural de natureza imaterial brasileiro.


Recantos de fé

 


Além da Basílica de Nazaré, outras igrejas merecem destaque ao visitar a capital paraense durante o Círio

 

O local mais visitado por moradores e visitantes de Belém, o templo é o auge da festa do Círio de Nazaré 2019. Lá, a imagem da Virgem de Nazaré é depositada depois da grande procissão pela cidade. Além de ser um símbolo forte na cultura paraense, a basílica chama a atenção pela arquitetura neoclássica. Foi construída em 1852, no mesmo lugar onde foi encontrada a imagem de Nossa Senhora pelo caboclo Plácido, às margens de um rio que hoje não existe mais na cidade, chamado Igarapé Murucutu. No altar, a imagem original da santa permanece no Glória (espaço elevado ornado com anjos e esplendores) durante o ano todo, sendo retirada somente no dia da missa, após a romaria fluvial para a apresentação dos fiéis.Localização: Avenida Nazaré — Praça Justo Chermont. (CA)


Catedral Metropolitana

 

Construída em 1748, foi a primeira igreja dos paraenses dedicada à Nossa Senhora das Graças, em Belém. Ela chama a atenção por 28 candelabros ingleses de bronze. Também é no local onde se inicia a celebração do Círio de Nazaré. Praça Dom Frei Caetano Brandão — Cidade Velha.


Igreja Santo Alexandre

 

Construída em estilo barroco amazônico, em 1698, pelos jesuítas e com mão de obra indígena, é o templo mais antigo de Belém. O local também abriga o Museu de Artes Sacras de Belém (MAS), com um acervo de 300 peças e obras que datam dos séculos 18 e 20. Praça Dom Frei Caetano Brandão — Cidade Velha.

Programação

 

O Círio de Nossa Senhora de Nazaré deste ano terá como tema “Maria Mãe da Igreja”. No próximo dia 13, a grande procissão percorre as principais ruas de Belém, saindo da Catedral Metropolitana de Belém/Catedral da Sé, às 6h30, em direção à Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, reunindo fiéis paraenses num conjunto de manifestações religiosas que envolvem profunda fé e devoção. Além de atrair grande fluxo turístico nacional e internacional, principalmente relacionado ao turismo religioso. A santa missa que antecede a grande procissão ocorre na Praça Frei Caetano Brandão (em frente da Catedral da Sé), às 5h.
Amanhã (10), na Basílica de Nazaré, tem apresentação do tão esperado manto que será usado pela santa nas procissões deste ano. No sábado, véspera do círio, ocorrem as romarias rodoviária, fluvial e a de moto.
Saiba mais: www.ciriodenazare.com.br

Onde ficar

 


Hotel Regente
Pacote Círio de Nazaré
De 11 a 14/10
Suítes superior ou máster para casal – R$ 2.397 (Não há mais reservas para as categorias inferiores). O pacote inclui o KIT Círio, com direito a uma camiseta exclusiva da santa, além de brindes que incluem bombons regionais, almoço e jantares degustando comidas típicas paraense e shows de danças folclóricas, como carimbó e frevo.
www.regentebelem.com.br



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