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Correio Braziliense

Paraíso dos céus às águas

Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, desenvolve trabalho exemplar de conservação do bioma mais ameaçado do Brasil. Pouco conhecido dos turistas que visitam a região, é uma boa opção de passeio


postado em 16/10/2019 04:18 / atualizado em 16/10/2019 11:37

 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


Muitos concordarão que não há melodia mais relaxante e agradável que o sonoro canto de um pássaro. Agora, imagine estar em um recanto onde existam mais de 1,4 mil aves das mais diversas cores, imersas na imensidão verde de Mata Atlântica nativa e conservada. Um deleite aos olhos, ouvidos e alma, todos os cinco sentidos despertados e em sintonia com a natureza. Esse é o panorama encontrado no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu.

Para além de belo, o parque tem uma missão, a de acolher animais resgatados e garantir a sobrevivência de muitas espécies em extinção. A história do Parque das Aves teve início na Namíbia, quando os idealizadores Anna-Sophie Helene e seu marido, Dennis Croukamp, se conheceram. Nos anos 1980, o casal ganhou um filhote de papagaio-do-congo, que logo se tornou uma paixão e o precursor das milhares de aves que entrariam na vida da família Croukamp.

Na década seguinte, Anna e Denis compraram os 16 hectares de mata, ao lado do Parque Nacional do Iguaçu. Ainda vivendo na Ilha de Man, no Reino Unido, eles dividiam o tempo entre sua casa e filhas e a construção do parque, que lhes custara todas as economias. Dado o esforço, o pedacinho de paraíso recebeu incentivos de diversas pessoas que se juntaram à causa e, em apenas 11 meses, estava aberto ao público. As primeiras aves habitantes foram doadas de outros zoológicos e encaminhadas ao local a partir de apreensões do Ibama.
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)

A dedicação dos Croukamp e de seus colaboradores fez do Parque das Aves o segundo maior atrativo da região, perdendo apenas para as cataratas. Além da preservação dos pássaros com maior risco de extinção, que são aqueles originários da Mata Atlântica, outras espécies de animais também recebem abrigo. Há na propriedade um lindo borboletário, fundado por John Leggatt, amigo da família Croukamp, que mudou-se para o Brasil a convite do casal e ficou responsável pela criação e cuidados do que, hoje, refugia mais de 30 espécies de borboletas e seis de beija-flores. Um cantinho encantado e multicolorido, seja pelas asas das borboletas ou seja pelas flores que crescem em seu interior.


Visitação

 

(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

Bem movimentado, o parque recebe anualmente mais de 800 mil visitantes. Muitos aproveitam a proximidade das cataratas e resolvem dar um pulinho para conhecer esse tesouro encravado na Mata Atlântica. Assim como fez Larissa Rocha, que procurou um refúgio de calmaria após a agitação de carnaval e se surpreendeu com a diversidade do lugar. “O parque tem uma estrutura muito boa, é organizado e muito limpo. Acho que é um passeio muito legal para a família, para quem viaja com crianças principalmente. Eu vi muitas pessoas mais velhas e também bastante estrangeiros, o que é muito interessante, pois é um excelente modo de apresentar nossa fauna e flora ao mundo”, diz.

A trilha leva cerca de duas horas para ser completada, entretanto a administradora considera que o visitante deva dedicar um tempo maior para aproveitar bem todas as paisagens. “Fiz o percurso dentro do estipulado, mas creio que a experiência seria melhor desfrutada se tivesse reservado metade de um período, ou manhã ou tarde. Acho que assim teria prestado mais atenção às histórias de cada espécie e poderia ter contemplado melhor todo aquele ambiente”, comenta Larissa.

O trajeto dispõe de quatro viveiros de imersão, com aves e alguns répteis, que dividem o pequeno paraíso dos pássaros. “Enquanto observamos os viveiros, há funcionários ao longo de todo o caminho orientando e explicando sobre cada animal. Achei que os bichos são muito bem tratados, mas alguns espaços me incomodaram pelo tamanho. Não sou especialista, mas pelo senso crítico e sabendo que na natureza eles possuem um espaço bem maior, acho que alguns viveiros poderiam ser ampliados. De toda forma, vi que recebem muitos cuidados”, opina a administradora.

 

 

Vida aos pássaros 

 

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


O bioma de Mata Atlântica é o segundo mais diverso do planeta e também o mais ameaçado do Brasil. Nele, existem cerca de 8% de todas as espécies do mundo e mais de 91,5% de seu território deixou de existir por causa do desmatamento. Um dado alarmante, sobretudo quando comparado a outros biomas, como a Mata Amazônica, que teve 19% de sua área desmatada.

Os números que fazem parte dessa estatística assustam e são crescentes. Entre os anos de 2015 e 2016, o desmatamento na nossa mata litorânea cresceu 60%, maior número dos últimos 10 anos. Com isso, uma infinidade de espécies da fauna e flora já desapareceram e tantos outros podem estar com os dias contados, caso não haja uma ação efetiva de preservação. Das 231 espécies de aves endémicas da região, 120 sofrem risco de extinção e todas essas encontram abrigo no Parque das Aves. Este número corresponde a 41% de todos os tipos de pássaros em extinção no Brasil.

Por isso, o trabalho de entidades e organizações, como o Parque das aves, faz-se tão necessário e importante. Ele gerencia sozinho três projetos de recuperação de espécies: papagaio-verdadeiro, papagaio-chauá e aves do Iguaçu. E também participa solidariamente a outros projetos públicos e privados em prol da proteção das aves ameaçadas.

Forças aliadas contra a caça e o tráfico de animais e contra o desmatamento de zonas de proteção. Os projetos de parceiros que recebem incentivo são: projeto periquito-cara-suja, projeto conservação papagaio-de-cara-roxa e papagaio de peito-roxo. Ações de educação também compreendem o rol de ações instituídas a favor da Mata Atlântica e sobrevivência das espécies.

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)

As portas do Parque das Aves também estão abertas para o recebimento de pássaros que precisam de cuidados para serem reinseridos na natureza. Assim como a oferta de treinamento para profissionais da área. Os projetos papagaio-de-peito-roxo e o jacutinga destinam-se à reabilitação e reprodução das duas espécies antes da soltura na natureza. Os cuidados são permanentes e duradouros, os animais são observados e monitorados após a inclusão em seu habitat.

Mergulho na natureza

 


A trilha pelos viveiros é o carro-chefe turístico, mas o parque dispõe de outros dois passeios de maior imersão. O Backstage Experience que leva o visitante a conhecer os bastidores de cuidados e do trabalho de recuperação, com duração de 1h30. Com essa opção, o turista tem acesso a áreas restritas e a oportunidade de alimentar determinadas espécies.

O outro tour é o Forest Experience, uma visita à tribo Guarani. Uma oportunidade única de imersão na cultura indígena e participar de uma celebração que envolve dança, ritual com tabaco e um jantar tradicional ao redor da fogueira junto aos originários da tribo. Imersão participativa em uma experiência que transcende o conhecimento da mata e das origens do nosso povo.  (EM)

Serviço


Passeio
Quando:
 Todos os dias, das 8h30 às 17h
Valor: R$ 10 para moradores de Foz, R$ 45 demais pessoas e gratuito para crianças de até 8 anos
Duração: Livre, mas a caminhada dura cerca de 2h

Backstage Experience
Quando: 
Todos os dias, às 7h30, 10h30, 14h e 16h
Valor: R$ 200
Duração: 1h30

Forest Experience
Quando:
 Terças e quintas, às 18h30
Valor: R$ 250
Duração: 2h30

 

Destinado a maiores de 18 anos. Menores de 16 e 17 anos podem participar na companhia de pais ou responsáveis. 

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