Publicidade

Correio Braziliense

Potiguar à americana

Para além das praias e das dunas, a capital do Rio Grande do Norte tem muitas histórias para contar. A principal delas é ter sido base de tropas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial


postado em 18/10/2019 10:00 / atualizado em 16/10/2019 11:55

(foto: Ivanízio Ramos-Governo do RN)
(foto: Ivanízio Ramos-Governo do RN)


Natal não é apenas sol, praia e dunas. A cidade guarda muitas histórias e curiosidades ao longo dos seus mais de 400 anos. Por sua localização estratégica, facilitando deslocamentos para África e Europa, a capital potiguar foi base de tropas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial. No começo de 2020, a cidade vai inaugurar o Complexo Cultural da Rampa, museu que contará um pouco sobre a aviação e a participação de Natal no conflito mundial. Rampa é uma antiga estação de passageiros e de transporte de correspondências utilizada como base para receber hidroaviões. Seu posicionamento privilegiado a tornou de imenso valor durante o transcorrer da Segunda Guerra, quando veio a se tornar a primeira base a operar missões da guerra na América do Sul.

Foi ali que se registrou uma das fotos mais emblemáticas da história do Brasil. O encontro em janeiro de 1943 entre o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt e o presidente brasileiro Getúlio Vargas. “Esse prédio histórico está sendo reformado, onde teremos não só um museu, mas um bistrô. Uma nova construção que vai fazer parte do complexo vai abrigar um auditório e um espaço para exposições”, revela a secretária de Turismo do Rio Grande do Norte, Aninha Costa.
(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

Ela acrescenta que a Segunda Guerra Mundial foi um momento importante para a cidade e para o estado e deixou marcas na história, nos costumes e no desenvolvimento. “Natal foi a primeira cidade do país a ter Coca-Cola, jeans e óculos Ray-Ban. A influência norte-americana ainda é forte. Temos uma praia chamada Miami, outra chamada Praia dos Artistas, já que os norte-americanos eram chamados de artistas e uma das gírias mais utilizadas pelos natalenses é boy”, explica.

 

Cultura e esporte 

 

(foto: Silas Scalioni/EM/D.A Press)
(foto: Silas Scalioni/EM/D.A Press)


Historiador, antropólogo, advogado, escritor, folclorista e jornalista. Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) é talvez a personalidade mais importante da cultura potiguar. Ele fez questão de morar a vida toda em Natal onde nasceu e morreu, chegando, inclusive, a recusar um convite do então presidente Juscelino Kubitschek para ser reitor da Universidade de Brasília (UnB). A casa onde ele morou por quase 40 anos é a sede do Instituto Câmara Cascudo, instituição privada mantida pela família e presidida por sua neta Daliana Cascudo. Além de livros, o acervo contempla coleções particulares de arte sacra, arte regional, etnografia indígena e africana.

O espaço preserva todos os ambientes, como quartos, sala de estar, de jantar, cozinha, com todos os móveis da época de Cascudo. Fotos de várias gerações da família também estão espalhadas pelo casarão, datado de 1900. A biblioteca traz raridades, como a máquina de escrever do historiador, da qual surgiram cerca de 200 obras e uma peculiaridade: assinaturas nas paredes e nas portas de visitantes ilustres, como o próprio JK, o maestro Heitor Villa-Lobos e políticos da região.
(foto: Museu Câmara Cascudo/Reprodução)
(foto: Museu Câmara Cascudo/Reprodução)

É ali também que se encontra a imagem de São José de Botas, que segundo Câmara Cascudo era casamenteiro. “Vovô costumava dizer que a moça ou rapaz que passasse a mão na botinha dele, em um ano estava casado(a)”, assegura a neta. O Instituto também abriga um auditório e um quintal onde costumam ocorrer eventos e exposições. Antes mesmo de ser aberta à visitação pública, em 2009, a casa já era referência da cultura do Rio Grande do Norte.

Mordida

 

(foto: Christophe Simon/AFP)
(foto: Christophe Simon/AFP)

Um dos lugares que se tornaram atração turística recentemente é a Arena das Dunas, inaugurada para a Copa do Mundo de 2014. Foi ali que o craque uruguaio Luis Suárez deu a famosa mordida no zagueiro italiano Chiellini, no confronto entre Uruguai e Itália. Embora muitos criticassem o fato de construírem um estádio de porte internacional em Natal, uma cidade com pouca tradição no futebol, o espaço não se tornou um elefante branco. “Vários eventos têm acontecido dentro e fora da Arena das Dunas, além do fato de os camarotes serem utilizados como salas comerciais”, assegura o guia turístico Fagner Peixe.




Para saber mais

(foto: Site oficial/Reprodução)
(foto: Site oficial/Reprodução)


O conde e o príncipe

Entre os aviadores que estiveram em Natal está o francês Antoine de Saint-Exupéry. O terceiro filho do conde Saint-Exupéry e da condessa Marie Fascolombre foi piloto da empresa de correio aéreo Aeropostale, ele esteve em algumas cidades brasileiras entre 1929 e 1930. Reza a lenda que o escritor e ilustrador ficou encantado com um centenário baobá que conheceu na cidade de Nísia Floresta, nos arredores da capital do Rio Grande do Norte e o incluiu em seu livro mais famoso, O pequeno príncipe.

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade