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Correio Braziliense

Parada portuguesa

Com base na descrição da carta de Pero Vaz de Caminha, historiador defende que primeiros colonizadores do país chegaram ao Brasil pela cidade de Touros, no Rio Grande do Norte


postado em 21/10/2019 10:00 / atualizado em 16/10/2019 12:00

(foto: Vlademir Alexandre/MTur)
(foto: Vlademir Alexandre/MTur)


Há uma teoria de que o Brasil não teria sido descoberto em 1500 em Porto Seguro, na Bahia, mas, sim, dois anos antes em Touros, litoral potiguar. “Não é achismo; tem fundamento. Não só pela localização do Rio Grande do Norte (está a cerca de 5 mil quilômetros da Europa), mas porque as próprias correntes marítimas traziam naturalmente as caravelas e naus para cá. É mais lógico eles terem chegado aqui antes”, defende o historiador potiguar Ítalo Araújo. Um outro argumento forte que reforça essa tese é a própria descrição da carta de Pero Vaz de Caminha.

Segundo Ítalo, o documento relata um morro que na verdade seria o Pico do Cabugi (RN), e não o Monte Pascoal, na Bahia. “A própria vegetação a que a carta se refere não existia em Porto Seguro naquela época, e é bem típica daqui. Caminha também afirma que quando chegou no Brasil se estabeleceu no Nordeste e navegou 3 mil léguas até as terras onde hoje é o estado de São Paulo. De Porto Seguro não dá 2/3 disso, ou seja, é a distância exata de Touros para o litoral paulista. Existem indícios fortes de que tudo começou aqui e a gente luta pra que isso seja reconhecido”, frisa Ítalo.

Um projeto do governo do estado em parceria com o Ministério do Turismo, Embratur, Sebrae-RN, Emprotur e Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH), Investe Turismo RN, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento, aumentar a qualidade e a competitividade na rota Natal e litoral, lançou a campanha Tudo começa aqui. “Tem a ver com essa história de que o Brasil teria começado no Rio Grande do Norte, mas também pelo fato de sermos uma porta de entrada importante do país e estarmos bem próximos da Europa e da África. É no sentido também de que o turismo começa aqui”, destaca Yves Guerra, gestor do Investe Turismo RN do Sebrae.

É no Forte dos Reis Magos, um dos pontos turísticos mais conhecidos de Natal (a edificação recebeu esse nome em função da data de início da sua construção, 6 de janeiro de 1598, Dia de Reis pelo calendário católico), encontra-se o Marco de Touros, pedra em forma de coluna considerada o monumento colonial mais antigo do Brasil e um dos primeiros registros portugueses no país.

 

Pipa: paraíso intocável 

 

(foto: HumbertoSales/MTur)
(foto: HumbertoSales/MTur)


O nome do lugarejo deve-se ao fato de que os portugueses, ao passar de navio pelas proximidades, avistaram uma pedra que lembrava o formato de uma pipa, que em Portugal é a denominação mais usual para barril de vinho ou de azeite.

As falésias são bastante presentes na região, como as que se encontram na Praia do Amor, batizada assim justamente por ter uma grande falésia em forma de coração. É considerada excelente para a prática de surfe. Tartarugas marinhas e golfinhos também são comuns. Outro passeio imperdível é o belíssimo pôr do sol na Lagoa de Guaraíras, porta de entrada de Tibau do Sul.

A avenida principal, a Baía dos Golfinhos, é onde tudo ocorre. Com seus paralelepípedos, lojas, pousadas, bares e restaurantes, faz lembrar a famosa Rua das Pedras, em Búzios. É impossível não passar por lá diversas vezes durante a viagem. No entanto, fique atento ao fato de cada estabelecimento ter seu horário e de muitos lugares só abrirem no final da tarde.

Pipa tem uma agenda intensa de eventos que ocorrem ao longo do ano. Não só os tradicionais e religiosos, como a festa da padroeira e a Semana anta, o Festival de Bossa e Jazz, em agosto; Encontro da Ostra e do Camarão, em setembro; e a Semana Multicultural, em novembro. O distrito atrai também muitos surfistas em função de suas ondas e, recentemente, vem sendo procurado por praticantes de kitesurfe, graças à combinação de belas ondas e bons ventos. Para Wanderson Borges, presidente da Associação de Hotéis e Pousadas de Pipa e Tibau do Sul , “o lugarejo cresceu muito nos últimos anos, mas ainda preserva o seu clima bucólico, acolhedor. Nossa rede hoteleira oferece opções para todos os bolsos e gostos”, frisa o empresário.


Preserve Pipa

 

(foto: HumbertoSales/MTur)
(foto: HumbertoSales/MTur)
 


Um dos pilares de Pipa é sua preocupação com a sustentabilidade e o meio ambiente. Não é raro encontrar várias lixeiras espalhadas por suas ruas e estabelecimentos. Um grupo de pessoas que se importa com o lugarejo decidiu se unir para fazer mais e criou o Preserve Pipa, movimento que atua com o objetivo de promover sustentabilidade, preservação ambiental, aliado à organização das ruas, mobilidade urbana, geração de eventos e divulgação do destino. Com mais de 60 empresas, o movimento é composto por três associações: Associação de Hotéis e Pousadas da Praia da Pipa (ASHTEP), Convention Bureau e Visitors e Associação de Bandeirantes. “Dessa forma, o nosso movimento consegue abarcar todos os tipos de negócios que compõem o município”, frisa Wanderson Borges.

 

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