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Correio Braziliense

Um monumento de cidade

No distrito industrial de Harz, no estado de Saxônia-Anhalt, está Quedlinburg, cidade medieval de 600 anos tombada pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade


postado em 12/12/2019 10:00 / atualizado em 11/12/2019 10:58

(foto: Ana Maria Campos/CB/D.A Press)
(foto: Ana Maria Campos/CB/D.A Press)


Quedlinburg (Alemanha) — Um passeio numa cidade medieval, com ruelas estreitas, casas coloridas formadas com vigas de madeira, torres e telhados inclinados. Assim é uma visita a Quedlinburg, uma cidade que é atração turística a cada metro. Tombada pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade, reúne mais de 1,2 mil construções em estilo “enxaimel”, aquele típico do interior da Alemanha — encontrado, no Brasil, em Blumenau (SC) — só que com seis séculos de arquitetura em exibição.

Prédios de todos os estilos e épocas fazem de Quedlinburg uma referência de modelo enxaimel. A cidade é uma das mais antigas do país. Os primeiros registros datam do século 10, no ano de 919. Como o local foi preservado de bombardeios na Segunda Guerra Mundial, os alemães não precisaram reconstruí-lo. A maior parte ficou intacta, diferentemente do que ocorreu em várias regiões da Alemanha após o fim da dominação nazista. Quedlinburg mantém um belo conjunto de edificações em que funcionam lojas, moradias, igrejas, restaurantes e cafés. Segundo a central de informações turísticas de Quedlinburg, a cidade tem a maior quantidade de cadeiras em cafés por habitante de toda a Alemanha.

Mas a preservação, durante o caos da guerra, quase se perdeu nos anos de ocupação soviética. Como pertencia à antiga Alemanha Oriental, a cidade esteve em risco de deterioração. Muitas casas quase ruíram porque os cuidados com as edificações ficaram em segundo plano para o Estado comunista. No entanto, em 1994, veio a salvação. Quedlinburg foi tombada por representar um “exemplo extraordinário de cidade medieval europeia”. O título deu à cidadezinha o status para que turistas de todo o mundo passassem por ali.

Arte para poucos 

 

 

(foto: Ana Maria Campos/CB/D.A.Press)
(foto: Ana Maria Campos/CB/D.A.Press)


De fato, é uma delícia passear pelas ruas que circundam as casas com fachadas decoradas, muitas vezes com flores e plantas. O visual é romântico e surpreendente a cada esquina. A 150km de Hanover e 200km de Berlim, Quedlinburg, no Nordeste do país, possui outras atrações. A igreja de São Servatius abriga os túmulos do primeiro rei alemão, Henrique 1º, fundador da dinastia Ottoniana, e de sua esposa, Matilde, que foi venerada como Santa Matilde.

Há também o Museu do Enxaimel e o Museu dos Vitrais e inúmeros ateliês artísticos e artesanais como opções turísticas da cidade.

Quem se interessa por arte pode visitar a Galeria Feininger, que expõe as obras expressionistas de Lyonel Feininger (1871–1956). O pintor, artista, cartunista e caricaturista norte-americano deu aulas no Bauhaus ainda na primeira fase, em Weimar, onde a escola estreou, em 1919.

Quando retornou aos Estados Unidos, perseguido pelos nazistas, Feininger deixou alguns de seus trabalhos com o arquiteto e colecionador Hermann Klumpp, de Quedlinburg, que manteve o acervo escondido e salvo da destruição. Hoje cerca de 40 peças estão em exibição na Galeria Lyonel Feininger. A coleção é composta de xilogravuras, litografias, desenhos e esboços datados de 1906 a 1937.

(foto: Ana Maria Campos/CB/D.A.Press)
(foto: Ana Maria Campos/CB/D.A.Press)

Há, na cidade, edificações em estilo Bauhaus, algumas preservadas e outras danificadas durante os tempos da cortina de ferro.

Apesar das atrações da cidade medieval, não se vê tantos visitantes, como em outras localidades turísticas da Europa. Também há menos moradores hoje que há três décadas. Quedlinburg teve decréscimo populacional e hoje conta com menos de 25 mil habitantes. O problema é que, depois da queda do Muro de Berlim, muitos jovens se mudaram para as cidades maiores em busca de emprego e oportunidades. (AMC)


Caridosa

Esposa do rei Henrique I da Alemanha, Matilde era adorada pelo povo por ser caridosa e participar ativamente do reinado, construindo hospitais, conventos e escolas. Ela é bastante admirada na Alemanha, Itália e Mônaco. Sua festa é celebrada no dia 14 de março. De Santa Matilde, descenderam os reis de Portugal e a Família Imperial do Brasil.

 

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