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Correio Braziliense

No calor de Suomi

A neve não é empecilho para um mergulho profundo na história do país. Museus, prédios públicos e monumentos trazem à tona episódios de conflitos, independência e paz. É a cultura como roteiro


postado em 18/12/2019 04:42 / atualizado em 18/12/2019 10:58

(foto: Gustavo Werneck/Estado de Minas)
(foto: Gustavo Werneck/Estado de Minas)


“Rei! Rei!” — o visitante aprende rapidamente a saudação em finlandês utilizada para cumprimentar alguém (Oi! Olá!), sem esquecer jamais que kütos (pronuncia-se quitos) significa obrigado. Sem dúvida, ao fazer o agradecimento, vai ganhar um sorriso e se sentir bem à vontade no país de 5,5 milhões de habitantes, de maioria luterana (75%), que está à frente em tecnologia, tem o meio ambiente como bandeira máxima, prima pela limpeza urbana e põe a economia circular (ciclo produtivo que não gera resíduos) na ordem do dia. E também da noite.

Na capital, de 624 mil habitantes, faz muito frio nesta época do ano, na faixa de zero grau ou um pouco menos (-2°C). A neve, em alguns lugares, já se faz presente. Impossível sair sem guarda-chuva, botas impermeáveis, luvas, gorro e casaco grosso com capuz. Caminhando pelo centro da cidade, vê-se que moradores mais animados de Helsinque continuam embalados nas bicicletas, fazendo corrida na rua, embora protegidos dos pés à cabeça e nariz, e prestigiando os lugares públicos.

A felicidade mora em Helsinque. Aliás, essa palavra, bem maior do que um sentimento, tem tudo a ver com o país. Conforme o Relatório Anual da Felicidade, pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgada em março, a Finlândia fica em primeiro lugar, seguida dos “vizinhos” escandinavos Dinamarca e Noruega.

O verão, que dura três meses (de junho a agosto) e tem 20 horas de Sol por dia, com centenas de atrativos para os turistas em todo o país, está longe. A estação quente é sempre exaltada nas conversas e, paciência, não custa esperar. Para quem visitar a Finlândia no último mês do ano, a dica é aproveitar o momento e encontrar, pelo caminho, pessoas que falam com amor de Helsinque e cidades vizinhas, sem tempo para se queixar do inverno. Afinal, o “general”, como se refere à estação do ano, uma das moradoras, é só mais um personagem na história de Suomi, nome da Finlândia na língua pátria.

Para se ambientar, nada como conhecer a história do país desde os primórdios. O Museu Nacional, prédio com aspecto de muito antigão, embora tenha sido construído em 1965, guarda um belo acervo em diversos ambientes. Quem curte séries de tevê como Game of thrones, Vikings e outras históricas vai gostar da coleção de espadas de ferro. Por sinal, nesta sala tem até um filme sobre um garoto perseguido e isolado numa casa, mas isso aí já é outra história...

 

Museu 

 

(foto: Gustavo Werneck/EM/D. A Press)
(foto: Gustavo Werneck/EM/D. A Press)


Para compreender melhor o que se vê, vamos a um pouco de história. Por mais de 10 mil anos, o norte da Europa esteve coberto de gelo. Quando derreteu, as pessoas, vindas particularmente do sul, começaram a povoar o território hoje conhecido como Finlândia. Passa o tempo e, nos ambientes do museu, o visitante vai conhecer a influência da religião, em especial sobre a Reforma Protestante que se propagou pela Suécia e Finlândia no início do século 16, sendo seguida, no 17, pelas guerras que envolveram o país vizinho e os finlandeses.

(foto: Gustavo Werneck/EM/D. A Press)
(foto: Gustavo Werneck/EM/D. A Press)

Pela localização de suas fronteiras, Suécia e Rússia entraram em conflito por séculos, — as pelejas com a Rússia não acabaram até a Suécia perder a Guerra da Finlândia, em 1808/1809. Assim, Suomi se tornou um grão-ducado sob domínio russo, embora mantendo legislação e administração anteriores. A independência só viria em 1917. Estão lá a sala do trono, pintura do imperador russo e grão-duque da Finlândia Alexandre I (1777-1825), vestes reais e mobiliário.

(foto: Gustavo Werneck/EM/D. A Press)
(foto: Gustavo Werneck/EM/D. A Press)

Cada parte do museu é uma descoberta, e há espaço até para a criançada desenhar, se divertir e montar num cavalo que parece de verdade. Não deixe de apreciar a recriação de uma sala de jantar do início do século 19, com o piano, um violão sobre o sofá, quadros com cenas cotidianas e um ar romântico. Há um painel em movimento com rostos da população em 100 anos — e lá está um sorridente Papai Noel. Na lojinha do museu, a variedade de produtos não é muito extensa, mas sempre tem um suvenir para os amigos, como canetas, lápis, chaveiros e bloquinhos de papel. (GW)

 


* Viagem a convite do governo finlandês, via Ministério das Relações Exteriores/Departamento de Comunicação

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