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Correio Braziliense

Para além das cataratas

Principais símbolos de Foz do Iguaçu, as cataratas são mesmo um espetáculo. Mas a cidade tem atrações a perder de vista, como a segunda usina hidrelétrica do mundo, que pode ser visitada


postado em 08/01/2020 04:07 / atualizado em 08/01/2020 12:12

(foto: Itaipu/Divulgação)
(foto: Itaipu/Divulgação)


A opulência das águas do rio Iguaçu, que deságuam em cerca de 275 quedas, é motivo suficiente para tornar as cataratas Patrimônio Natural da Humanidade. Título recebido 47 anos após a inauguração do Parque Nacional do Iguaçu, em 1986. O frondoso curso fluvial divide o Brasil de seu hermano argentino que hospeda o quase homônimo Parque Nacional Iguazú.

Sem dúvidas, as Cataratas do Iguaçu são merecidamente a maior atração de Foz. Esplendor da natureza que colocou o país na mira do ecoturismo e mostrou ao  mundo que o Brasil tem riquezas mil incrustadas longe dos litorais. As quedas ocupam o terceiro lugar mais visitado por turistas estrangeiros no nosso território.

(foto: ChristianKnepper/MTur/Divulgacao)
(foto: ChristianKnepper/MTur/Divulgacao)


Entretanto, a pequena cidade paranaense, que abriga pouco mais de 250 mil habitantes, tem outros tantos belos atrativos. Um deles também é recordista em números e grandeza, além de ser responsável por boa parte da receita da cidade, gerada por royalties. A grandona referida é a usina hidrelétrica Itaipu Binacional. A segunda do mundo, perdendo apenas para a usina chinesa das Três Gargantas.

Construída em 1973 e fruto de uma parceria entre Brasil e Paraguai, a Itaipu ocupa o primeiro lugar no pódio mundial em produção de energia limpa e renovável. As águas do Rio Paraná impulsionam as turbinas da usina desde 1983, que até 2016 gerou o suficiente para abastecer o mundo inteiro por 40 dias, duas horas e 45 minutos. Em 2018, a hidrelétrica foi responsável pela distribuição de 15% do total de energia elétrica consumida no Brasil e 90% do Paraguai.
(foto: Itaipu/Divulgação)
(foto: Itaipu/Divulgação)


Todos esses números são apenas uma parte de toda a opulência dessa hidrelétrica que traz nas veias preservação ambiental. A empresa conduz projetos de restauração da fauna e flora, da conservação da cultura indígena oriunda da região e fomenta ações de manejo de resíduos sólidos recicláveis. Essas questões são levadas a sério pela Itaipu, que também alia a todas elas um convite à sociedade a conhecer de perto o trabalho oculto que ela desenvolve nessas frentes.

As curiosidades do funcionamento das engrenagens que fazem nossas lâmpadas acenderem, os bilhões de litros de água que jorram pelos vertedores nos tornando tão pequeninos e muitos desses programas ambientais estão de portas abertas aos turistas.

 

 

Refúgio biológico 

 

(foto: Itaipu/Divulgação)
(foto: Itaipu/Divulgação)


Seria a barragem o coração de Itaipu? Não, talvez a robustez dos braços. O coração fica a cargo deste cantinho delicioso e rodeado de Mata Atlântica. O Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) traz toda a essência em seu nome, é ali onde são preparadas as mudas destinadas ao reflorestamento e onde os animais resgatados são acolhidos com todo o cuidado e amor. Aliás, amor parece ser sentimento motriz nesse lugar, o brilho nos olhos dos colaboradores é visto de longe.

O reduto completou 35 anos no final de outubro e apresentou ao público duas conquistas: o nascimento da segunda geração de onças pintadas e a comemoração dos 10 anos da primeira harpia fruto do programa de reprodução do RBV. Este último é o maior do mundo e existente desde o ano de 2000, quando a primeira rapina, um macho, foi resgatado e levado para Itaipu.

(foto: Itaipu/Divulgação)
(foto: Itaipu/Divulgação)

O processo de reprodução em cativeiro levou cerca de três anos para vingar, de 2006 a 2009 os filhotinhos não sobreviviam pela falta de assistência parental. Então, aprimorando as técnicas, os profissionais passaram a prestar os primeiros cuidados às aves recém-nascidas. Todo cuidado é investido do início ao fim do processo, a ideia é a não domesticação dos bichos, para que haja a reinserção no meio ambiente.

Desde o início da jornada do Programa de Reprodução de Harpias de Itaipu, 31 aves nasceram, cresceram e foram destinadas a outras instituições ou à natureza. “Nosso programa é o único no mundo que mantém uma reprodução continuada da espécie. Em outras instituições, há dois ou três nascimentos, mas não é mantida a reprodução de forma constante”, explica o biólogo da empresa Marcos de Oliveira, especialista e responsável no manejo de aves de rapina.

(foto: Itaipu/Divulgação)
(foto: Itaipu/Divulgação)

Símbolo do Paraná, a harpia é considerada a rapinante mais poderosa do mundo, chegando a medir dois metros de envergadura e com garras afiadíssimas que podem levantar até um carneiro do chão. Além de fortes, lindas! Quem visitar o RBV terá a oportunidade de apreciar a majestosidade desta gigantona em seu viveiro. Assim como o espaço das onças. Um “zoo” do bem, que busca a preservação das espécies ameaçadas, o resgate dos animais em risco ou feridos e sua reinserção na natureza.


Terra de gigantes e reflexões

(foto: Itaipu/Divulgação)
(foto: Itaipu/Divulgação)

Desvendando as engrenagens da hidrelétrica, no passeio guiado ao interior da usina, os visitantes experimentam a sensação de toda a grandiosidade que Itaipu representa. Dentro da unidade geradora de energia, é possível sentir a vibração das turbinas incessantemente. Conhecer as salas de controle, avistar a barragem e, se tiver sorte de estar em um dia no qual as águas excedem o limite, ver os vertedouros jorrarem lindas quedas d’água.
(foto: Auremar de Castro/EM)
(foto: Auremar de Castro/EM)

A imensidão do paredão e da represa é um convite à reflexão sobre a pequenez humana ante a natureza selvagem. Um passeio em terra de gigantes, com direito a mirantes que apresentam a fronteira do Brasil e Paraguai e que tiram o fôlego com a paisagem repartida entre as nações.


Das águas aos céus

(foto: Romildo Marques/Flickr/Reprodução)
(foto: Romildo Marques/Flickr/Reprodução)

As surpresas de Itaipu não se limitam ao rio Paraná, melhor, não se limitam à Terra. E o Polo Astronômico Casimiro Montenegro Filho está aí para provar. Um planetário e uma plataforma de observação espacial fazem parte do Complexo Turístico Itaipu.

São duas propostas de passeio, um diurno e outro realizado à noite. Em ambos, a viagem simbólica ao espaço é o destino dos visitantes. A contemplação dos corpos celestes é combinada com uma exposição na entrada do complexo, no Espaço Universo, onde há réplicas em miniaturas de sondas e naves espaciais, além de protótipos de planetas e simuladores do sistema solar.

 

 

Visite 

 

Refúgio Biológico

» Quando: Terça a domingo
» Duração: 2h30
» Público: livre
» Valor: R$ 30
Especial (parte interna da usina)
» Quando: Todos os dias
» Duração: 2h30
» Público: Maiores de 14 anos
» Valor: R$ 128

Polo Astronômico

» Quando: Terça a domingo (dia); Sexta, sábado e domingos (noite)
» Duração: 2h
» Público: Livre
» Valor: R$ 30

» A Itaipu Binacional oferece outras opções de passeio à usina. Para mais informações e aquisição dos bilhetes, acesse: https://ingressos.turismoitaipu. com.br/. 


* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

* Viagem a convite de Itaipu Binacional

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