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Correio Braziliense

Cidade criativa

A revitalização dos casarios na região central da capital nordestina garantiu o título concedido pela Unesco. Ao sul do estado, estão as belezas intocadas das praias de Pitimbu, Tambaba e Coqueirinho: exuberância


postado em 23/01/2020 10:00 / atualizado em 22/01/2020 11:11

(foto: Fred Bottrel/Estado de Minas - 15/8/19 )
(foto: Fred Bottrel/Estado de Minas - 15/8/19 )


O casario no Centro Histórico de João Pessoa demonstra a pujança da cidade, mas também as marcas do tempo. As atividades para revitalizar o Centro Histórico de João Pessoa contribuíram, inclusive, para que a cidade conquistasse o título de Cidade Criativa, concedido pela Unesco.

Um desses projetos é o programa Anima Centro, criado pela Prefeitura de João Pessoa para levar atividades artísticas e de empreendedorismo ao Centro Histórico. É preciso cumprir requisitos para conquistar o título de Cidade Criativa e, para mantê-lo, também é necessário que a cidade permaneça gerando e promovendo a economia criativa.

“O Anima Centro é um programa criado pela Prefeitura de João Pessoa, que leva atividades para o Centro Histórico, tanto na parte de artesanato quanto na revitalização do local, atividades culturais no Centro Histórico, no Hotel Globo, no Parque Independência, no Pavilhão do Chá. Primeira etapa da Bica, que é o zoológico daqui. Então, todos esses polos têm, semanalmente, atividades culturais”, afirma o coordenador Beto Rabelo.

Para saber mais


Arquitetura em destaque

A revitalização do Centro Histórico de João Pessoa levou a capital da Paraíba para o seleto grupo de Cidades Criativas, título concedido pela Unesco. Em todo o mundo, são 180 cidades criativas e João Pessoa é um dos oito municípios brasileiros a conquistar emessa posição: Belém (PA), Florianópolis (SC) e Paraty (RJ), no campo da gastronomia; Brasília (DF) e Curitiba (PR), em design; João Pessoa (PB), em artesanato e artes folclóricas; Salvador (BA), na música; e Santos (SP), no cinema. (MMC)

 

 

 

Conexão com a naureza 

 

(foto: Fred Bottrel/EM/D.A Press)
(foto: Fred Bottrel/EM/D.A Press)


O litoral sul da Paraíba oferece 26 quilômetros de praias, com geografia exuberante e cenários diversificados. São trechos de mar aberto, falésias e estuários. Belas praias podem ser visitadas em Pitimbu. “A natureza cênica é belíssima”, afirma o secretário de Turismo e Meio Ambiente, Chico Pinheiro, que destaca a vocação turística do município.

Recém-inaugurado, o resort Parrachos Praia Clube inicia uma nova fase do turismo na região. Com restaurante já em funcionamento, a parte de hospedagem do resort está com previsão de abertura ao público para fevereiro de 2020. Os atrativos são dois passeios estruturados para que o visitante tenha contato íntimo com a natureza: Catamarã pelo Rio Abiaí e Caminhão mamute, pela Mata Atlântica.“O passeio no Rio Abiaí mostra o mangue em sua plenitude. Trecho em que você escuta a natureza”, completa. Os passeios demonstram que a região ainda é bastante preservada.

Navegar pelo Rio Abiaí permite conexão com a natureza. Ao longo do trajeto, chama a atenção a vegetação intocada, principalmente os mangues. O guia no catamarã fala da importância dos mangues para a população local e para o equilíbrio ambiental e climático. Mal se percebe o tempo passar diante do encantamento da vista. O resort oferece a proximidade com a natureza sem abrir mão de conforto e comodidades, diz a gerente administrativa do Parrachos, Patrícia Ignácio de Souza. “Há seis meses estamos aqui. Foi entregue a primeira etapa, a parte do condomínio e a área do lazer (day use).

Mas não é necessário se hospedar no resort para desfrutar dos passeios. “Trabalhamos a parte do Day use para o cliente vir, passar um dia e fazer os passeios. O cliente usufrui da área de lazer, que tem as piscinas infantil e adulto, acesso à praia e ao rio.” A arquiteta Mercília Maíra, 32 anos, conheceu a reserva do Abiaí no passeio de barco. “Em João Pessoa, temos muitas paisagens bonitas, mas aqui é diferente. O contato com o mangue diferencia um pouco da praia.” O marido, o funcionário público Emerson Lacerda, 35, também é só elogios: “A paisagem é linda. Incomparável. A gente mora no litoral, mas um contato com o rio não tem explicação. É o diferencial. Estamos abismados com a natureza”, afirma.

Naturismo


É possível ao turista fazer uma viagem bate-volta para conhecer Pitimbu. No entanto, com tantas praias exuberantes, vale planejar mais tempo para conhecer o município do Conde, onde ficam Tambaba e Coqueirinho. A praia de Tambaba tem natureza exuberante desenhada pelas falésias. A cor da água, verde-esmeralda, e um coqueiro que nasceu no alto de uma rocha fazem o lugar paradisíaco. Tambaba tem parte da praia destinada ao naturismo para quem é amante da prática ou para quem deseja conhecer.

 

Onde nasce o sol 

 

(foto: Fred Bottrel/EM/D.A Press)
(foto: Fred Bottrel/EM/D.A Press)


A pintura Reinado do Sol, do artista Flávio Tavares, na Estação Cabo Branco Ciência, Cultura e Artes, pode ser o ponto de partida para conhecer a cidade de João Pessoa. O painel mostra as belezas da cidade, que nasce ao longo do rio Paraíba, bem como personagens do imaginário popular, personalidades como os escritores José Lins do Rego (1901-1957), Ariano Suassuna (1927-2014) e Augusto dos Anjos (1884-1914), bem como as etnias que formam a população.

Desde a fundação, em 1585, João Pessoa recebeu outros nomes: Cidade Real de Nossa Senhora das Neves (agosto a outubro de 1585), Cidade de Filipeia de Nossa Senhora das Neves (1585 a 1634), Frederiksta ou Cidade de Frederico (1634 a 1654), Cidade da Parayba (1654-1930) e, por fim, João Pessoa (desde 1930). O nome do ex-governador , porém, foi o que se consolidou, embora tenha ocorrido, em diferentes momentos, movimentações políticas para mudá-lo.

No entanto, a alcunha que a cidade abraça é Reinado do Sol, dada por sua localização geográfica. João Pessoa está na parte mais oriental da América do Sul, onde o sol nasce primeiro. A funcionária da Estação Cabo Branco Linier Viana explica que há, inclusive, uma rixa com Natal, que também reivindica a posição do ponto mais extremado das Américas.

O que se vê no painel de Flávio Tavares pode ser conferido in loco. Uma dica é o tour pelo Centro de João Pessoa, com casario construído há 434 anos, que demonstra a riqueza arquitetônica da capital da Paraíba.

Pelas ruas históricas, caminharam personagens que fazem parte da cultura da capital paraibana. Figuras lendárias como Maria Isabel Bandeira, a Vassoura, e o poeta Emanuel Caixa D’água. Maria Isabel não gostava de ser apelidada de Vassoura, mas era esse utensílio doméstico que ela levava por todos os cantos em que passava: uma vassoura com a bandeira do Brasil, imagem imortalizada no painel de três por nove metros.

Além de ficar conhecida pelo instrumento que se tornou sua marca registrada, Maria Isabel  ficou bastante famosa pelo temperamento e pela forma como se fazia notar nas festas da cidade. Jair Manoel Caixa D’água ficou conhecido pelos seus textos, na maneira como sempre quis retratar e apresentar em forma de poema a cidade de João Pessoa.

João Pessoa tem advogado de peso para defender a colocação de Reinado do Sol. O escritor paraibano Ariano Suassuna faz referências ao sol, influenciado, com certeza, por sua terra natal. É preciso coragem e argumento para discordar de Suassuna. Então, o melhor a se fazer, com certeza, é não discutir se João Pessoa é reinado do sol. O melhor mesmo é aproveitar essa terra em que o sol aparece como astro maior, como se não houvesse outra terra para iluminar. 

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