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Correio Braziliense

Palácios sob a bruma


postado em 05/02/2020 10:02 / atualizado em 19/02/2020 16:35

Ruas de curvas sinuosas atravessam as colinas arborizadas em Sintra(foto: Juliana A. Saad/Esp. CB/D.A Press )
Ruas de curvas sinuosas atravessam as colinas arborizadas em Sintra (foto: Juliana A. Saad/Esp. CB/D.A Press )


Imagine sair de carro do aeroporto de Lisboa e serpentear as curvas de uma estradinha cercada por bosques, residências, castelos e quintas (no caminho, passamos em frente à da cantora Madonna) e chegar a Sintra com suas colinas arborizadas e temperatura amena, que atraíram a realeza e a aristocracia portuguesa e ali construíram palácios fabulosos para passar o verão. Hoje, envoltos pelas brumas, montanhas e jardins idílicos, eles atraem viajantes que curtem esse clima vintage-aristocrático delicioso.

O Palácio da Pena é o grande destaque histórico de Sintra, uma construção de meados do século 19 no topo da serra, sobre uma rocha escarpada. O local é cheio de mistério: por séculos abrigou o Convento dos Jerónimos e, antes dele, já era considerado sagrado pelos celtas — uma área de misticismo e lendas que influenciaram D. Fernando II, o rei consorte de Portugal.

Azulejos, pedras, portões, torreões, gárgulas, capela manuelina, tetos arqueados, corredores e túneis, câmaras recheadas de pequenos tesouros, uma imensa cozinha com utensílios de cobre e o impressionante pórtico de entrada com um Tritão, videiras e alegorias que celebram a criação do Cosmos (o Darwinismo nascia na mesma época) completam o incomum palácio, Patrimônio Mundial da Unesco junto com o parque e a Paisagem Cultural de  Sintra. (parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/parque-e-palacio-nacional-da-pena/)

Outro monumento impactante e milenar é o Palácio Nacional de Sintra, de estilo mourisco e manuelino, que serviu à realeza de Portugal e hoje é mantido pelo Estado como atração turística. Em seu interior se destacam os revestimentos de azulejo com belos padrões geométricos árabes. (parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/palacio-nacional-de-sintra/)

O Castelo dos Mouros, edificado a partir do século 9 e abandonado depois da conquista cristã em Portugal, conserva as muralhas antigas que permitem vistas estonteantes da região de Sintra. (parquesdesintra.pt/parques-jardins-e-monumentos/castelo-dos-mouros/)

E a Quinta da Regaleira, uma das atrações mais intrigantes de Sintra, ganhou enorme fama por causa do Poço Iniciático, galeria subterrânea com escada em espiral que leva a uma cisterna, com túneis interligados em nove patamares que invocariam os nove círculos do inferno de Dante. Aliás, todo o conjunto de construções da Quinta, que possui arquitetura neo-manuelina e renascentista, está repleto de símbolos esotéricos relacionados à alquimia, maçonaria e Ordem dos Templários.

Isso porque o local, existente desde o século 17 e após vários proprietários, foi comprado em 1892 por António Augusto Carvalho Monteiro, brasileiro de pais portugueses — chamado de Monteiro dos Milhões por sua fortuna —, que resolveu construir o palácio, as fontes, esculturas e jardins com a intenção de reviver os momentos mais gloriosos dos descobrimentos a partir de símbolos místicos. O palácio, que abriga a Fundação Cultursintra, e o bosque também valem o passeio, mas nada que se compare ao tal Poço Iniciático. (www.regaleira.pt/pt/)

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