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Correio Braziliense

Tradição preservada

História, arte e cultura em um só lugar. A cidade que já foi capital da Polônia tem o patrimônio cuidadosamente preservado. Há castelos, praças, museus e igrejas que datam da Idade Média


postado em 12/02/2020 15:40 / atualizado em 12/02/2020 16:10

Castelo de Wawel, às margens do Rio Vistula: de centro do poder a museu(foto: Fotos: Elton Pacheco/Esp. CB/D.A Press)
Castelo de Wawel, às margens do Rio Vistula: de centro do poder a museu (foto: Fotos: Elton Pacheco/Esp. CB/D.A Press)


Poupada na Segunda Guerra Mundial, Cracóvia sobrevive ao tempo para contar ao mundo a sua história. E não é preciso muito para descobri-la. Por suas ruazelas é fácil perceber as marcas de seus mais de mil anos de idade, com suas praças, castelo e igrejas que datam da Idade Média, além de influências artísticas por todos os lados, das paredes antigas aos museus. A cidade é um dos centros da polonidade e uma das primeiras capitais da Polônia, um lugar ao redor do qual, principalmente a partir do século XV, o estado polonês se ergueu.

É terra de artistas como Stanisaw Wyspiaski, que tem seus traços hoje espalhados pelos tetos e vitrais de igrejas, textos utilizados no teatro polonês cada vez mais em ascensão e pinturas preservadas  os principais centros de arte e cultura. E de muitos outros que escolheram Cracóvia para viver, como Ryszard Krynicki e Adam Zagajewski, que inspiram cidadãos e visitantes com seus versos, além de dois prêmios Nobel de literatura: Czesaw Miosz e Wisawa Szymborska.

Da Universidade Jaguelônica, a segunda mais antiga da Europa Central (só fica atrás da Universidade de Praga), criada em 1364, saíram nomes como Nicolau Copérnico — o polonês que tirou a Terra do centro do Universo; o papa João Paulo II, que foi ex-aluno da instituição e Jan Kochanowski, poeta polonês que se firmou com um dos grandes nomes da Renascença.


Cracóvia é hoje casa de mais de 800 mil pessoas, pequena para uma cidade considerada a segunda maior do país e que só perde para a capital Varsóvia, com 1,7 milhão de habitantes. Em contraste com sua história de mais de mil anos, circula por suas ruas uma geração jovem que a escolheu para morar, além dos milhões de turistas que recebe todos os anos.

“Por um lado, a cidade é muito jovem, porque é universitária, cresceu muito nos últimos tempos e atraiu as pessoas do interior, mas existe outra Cracóvia que não está tão visível assim, que é aquela mais tradicional. E, de fato, a cidade não ter sido afetada pela Segunda Guerra Mundial nos permite ter outra ideia da tradição polonesa”, explica o professor Piotr Kilanowski, do Departamento de Polonês, Alemão e Letras Clássicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), estado brasileiro com maior influência polonesa.

Segundo ele, com a preservação na guerra, parte da inteligência polonesa fugiu para a Cracóvia, o  que permitiu a manutenção da tradição universitária e artística. “Cracóvia tem um tipo de atração cultural que realmente as coisas importantes para a cultura polonesa acontecem ali. É o lugar onde o patrimônio não foi destruído. A continuidade cultural de alguma maneira está mantida”, diz ele.


Prova disso é o milenar Castelo de Wawel, situado às margens do Rio Vistula em um monte que leva o mesmo nome. No fim do primeiro milênio, o castelo passou a ser o centro do poder político e, portanto, casa da aristocracia polonesa — segundo Kilanowski, os nobres e aristocratas poloneses, diferente do que aconteceu em outras cidades, foram menos atingidos pelas perseguições. Por isso, é conhecido também como a “Colina dos Reis” e tem vista privilegiada para o rio. Hoje o Wawel é um museu que conserva os aposentos reais, o tesouro da coroa, arsenais e uma catedral de estilo gótico onde estão sepultados reis e rainhas.

Conta a lenda que, por anos, foi morada do Dragão de Wawel, que vivia numa caverna no mesmo monte onde está o castelo. A população alimentava o dragão da forma que podia, mas, aterrorizada, temia enfrentá-lo. Até que um sapateiro, de nome Skuba, conseguiu derrotá-lo ao oferecer uma comida com enxofre. O dragão bebeu a água do Rio Vistula, mas não o suficiente para salvá-lo. Ele acabou explodindo pelo veneno. O sapateiro foi, então, recompensado e a população se divertiu com uma grande festa às margens do rio. Atualmente, uma estátua do dragão está exposta à beira do Vístula. “Foi mais fácil retomar a vida depois da guerra”


Fica a dica

Passe livre
Para aproveitar o melhor da cultura em Cracóvia e também economizar, é possível adquirir o Krakow Tourist Card, cartão turístico que permite entrada gratuita em mais de 40 museus e monumentos e garante uso ilimitado do transporte público. Nos Centros de Informação Turística ou no site oficial (www.krakowcard.com), custa cerca de R$ 100  com validade de dois dias, e para três dias, R$ 120. Alguns restaurantes oferecem descontos a quem apresentar o cartão.

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