Turismo

O abecedário de Sampa

A selva, que apesar da dureza do concreto, derrete os corações daqueles que respiram sua história e passam por suas ruas, é um ser pulsante e encantador, que abriga migrantes de todo o país e do mundo

Erika Manhatys*
postado em 11/03/2020 04:09

Ponte estaiada da cidade de São Paulo


;Alguma coisa acontece
no meu coração
Que só quando cruza a
Ipiranga e a Avenida São João...;


(Sampa, de Caetano Veloso e Elvira Brull)


Plural e incansável, a colossal terra da garoa, já cantada em versos e escrita em prosas, é inspiração certeira. A cidade que recebe de braços abertos gente do mundo inteiro é apaixonante. Aliás, São Paulo carrega aquela velha história de amor e ódio.

;Credo, quanta gente! Espere aí, meu filho, deixe-me passar;, exclama a senhora à entrada do metrô. ;Esse trânsito mata qualquer um;, reclama o motorista do aplicativo. Mas andando pelas ruas, o brilho no olhar e o ar exalado com profundidade revelam a paixão de quem atravessa a metrópole.

Ali é onde a miscelânea encontra harmonia. De um lado da rua, graffiti na parede de um bar bem moderninho e do outro, uma tradicional cantina italiana com toalhas de mesa verdes e vermelhas. No mesmo banco de praça, filhos de muitas pátrias dividem a sombra criada pelos prédios compridos. Diversidade pulsante nas veias da cidade.

Moderna sim, antiga também. A capital nasceu oficialmente em 25 de janeiro de 1554, quando Manuel da Nóbrega, expoente jesuíta da Companhia de Jesus, junto de seus companheiros missionários José de Anchieta e Manoel de Paiva rezaram a primeira missa no Pateo do Collegio.

Século após século, São Paulo foi cenário de fatos históricos, como o grito de D. Pedro I ao proclamar a independência da nação e todo o ciclo cafeeiro que fez a cidade crescer e brilhar. Esse último foi o mais importante fator de crescimento populacional na capital paulista, que a colocou como número um em população e rendimentos. Ela ostenta as duas grandezas ainda hoje.

O primeiro censo de alcance nacional, realizado em 1872, mostrou que a cidade possuía pouco mais de 31 mil habitantes. O ouro negro fez com que a população dobrasse em 18 anos, pulando para 65 mil. Dez anos depois, o número triplicou e chegou 240 mil; em 1920, eram 580 mil e finalmente em 1940, alcançou cifra milionária e a cidade registrou 1,3 milhão de pessoas morando ali. Atualmente, a cidade ultrapassa os 12 milhões de habitantes, número registrado em 2018.

Metrópole desejada

Todos os contos e encantos fazem de São Paulo um dos destinos mais buscados por migrantes e imigrantes. Ele é o maior do país e recebe mais de 13 milhões de turistas ao ano. Para muitos, uma terra de oportunidades, para outros, local de descoberta e contemplação. Neste ano, a capital paulista foi a mais procurada por turistas que queriam cair na folia de carnaval, desbancando Rio de Janeiro e Salvador que ficaram em segundo e terceiro lugar respectivamente, segundo pesquisa da Decolar.com.

Os dados são bem otimistas, de acordo com levantamento da Google, São Paulo é o segundo destino mais pesquisado mundialmente para viagens em 2020. Ficando atrás de Da Nang, Vietnã. Os brasileiros também desejam ir à metrópole nacional. A pesquisa mostra que nós deixamos São Paulo em terceiro lugar, ultrapassado por Londres e Rio de Janeiro.

O turismo corporativo na cidade também alcança as maiores cifras da América Latina, conforme aponta estudo da CWT Meetings & Events. Líder pelo quarto ano consecutivo, São Paulo é a melhor capital para eventos e que para 2020 tem projetado aumento de 8%. Dividindo o pódio, estão Bogotá e Lima, em segundo e terceiro lugar respectivamente.

O alfabeto é ínfimo para contar as graças de São Paulo, mas pode ser uma forma didática de apresentar uma parte sucinta daquilo que a maior urbe brasileira oferece.


Artística


Beco do Batman

Muro laranjado grafitado com múltiplas cores
As paredes coloridas, repletas de desenhos psicodélicos ou com alto teor crítico, são um encanto aos olhos. Localizado no bairro de Vila Madalena, o Beco do Batman é uma galeria a céu aberto entre as ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de Albuquerque. Para visitar, é legal esquecer o carro em casa ou em outras ruas vizinhas. É pertinho da Estação Clínicas do metrô.

Os painéis cheios de vida são um cenário perfeito para interagir e fotografar. Além desta exposição permanente de artistas nacionais e estrangeiros, as ruas fronteiriças colecionam galerias de arte, das mais variadas. Modernas, tradicionais, baratas e mais sofisticadas. Não precisa comprar, basta conhecer. Sugiro reservar uma tarde inteira para entrar e reentrar, observar e contemplar a pujante arte que inunda Sampa.


Ibirapuera

Construção triangular branca com entrada vermelha
Um parque cultural. O reduto dos paulistanos possui nada menos que nove espaços dedicados a atividades culturais. Os mais icônicos são o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu Afro Brasil, o Pavilhão das Culturas Brasileiras e o Auditório Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer.

O parque é escolha certeira para realização de eventos educativos e artísticos. Famosa e instigante, a exposição Da Vinci experience e suas invenções estará disponível até dia 5 de abril, no Pavilhão de Culturas Brasileiras. Com entrada gratuita, ela conta sobre a vida de uma das personalidades mais influentes e completas do mundo, Leonardo Da Vinci. São réplicas de suas criações artísticas e engenhosas, muita interação e imersão em seus quadros. Vale gastar pelo menos uma hora conhecendo e contemplando.


Badalada


Vila Madalena

Rua com mesas na calçada e pessoas sentadas durante a noite
Lugar de ;gente jovem reunida;, como já cantou Elis. O clima divertido e descontraído do bairro, localizado no distrito de Pinheiros, contagia. As ruas são repletas de bares, que aos finais de semana, são pequenos para abraçar a quantidade de pessoas que buscam distração. É comum ver a galera ocupando as calçadas com copos de bebida nas mãos.

Para curtir de verdade, o bom é deixar o carro em casa, assim a bebedeira não está comprometida, além de não ser nada fácil estacionar pelas ruas movimentadas. Lá, a farra não tem hora para acabar, muitos bares atravessam a madrugada e garantem a alegria da moçada. A diversidade de comércios também atende bem aos mais variados tipos de público. Vai de bares pequenos e intimistas, com comidinha gostosa e natural a grandes botequins com música ao vivo.


Rua Augusta

Pickup de DJ com pessoas dançando em pista de boate
É ali onde se encontra de tudo. Do Alto ao Baixo Augusta, são dezenas de opções de entretenimento. A parte mais próxima à Avenida Paulista é mais sofisticada, com bares e restaurantes mais finos. Descendo a rua, chega-se ao Baixo, próxima ao centro da cidade e é nesta parte que se vê de tudo. Tudo mesmo.

Terra de diversidade, tem bar dedicado ao rock, boates com apresentação de drag queens e até os famosos ;inferninhos;. A Rua Augusta é uma das melhores representações de Sampa, tem todo tipo de coisa e no estilo ;tudo junto e misturado;.

Centenária



Centro histórico

Construção centenária branca com portas e janelas azuis
Talvez, a parte mais bonita de São paulo. As construções antigas são o contraponto perfeito aos veículos que cortam as ruas do Centro. Inspirar história e expirar encantamento é o único modo de respirar atravessando essa área. Fácil saber o porquê, em frente ao Palácio da Justiça, o Pateo do Collegio, reconstruído aos moldes do original, com paredes brancas e grandes portas e janelas azuis. Adentrando um pouco mais, dezenas e dezenas de prédios cheios de memórias.

Inspirado no norte americano Empire State, o Edifício Altino Arantes, conhecido por longos anos por Banespão, tem um mirante em seu topo, de onde é possível ver grande parte da capital paulista. Hoje, intitulado Farol Santander.

Lustre pendente à frente de painel luminoso
Bem à frente, uma construção cuja história é um deleite. O Edifício Martinelli foi o primeiro ;arranha-céu; do país. Projetado para ter 12 andares, pelo menos o dobro dos demais prédios existentes, a inovadora obra teve início em 1924. Desafiando os incrédulos que diziam que a construção não se sustentaria, Giuseppe Martinelli não sucumbiu ao desafio e ergueu um prédio de 24 andares, que se mantém firme até hoje.

Dentre tantas histórias, o Centro guarda incríveis relíquias e maravilhosas edificações, como o Banco do Brasil, que hoje mantém um centro cultural. O Banco de São Paulo, que passa agora por reforma, mas é dono de bela arquitetura. Vale a pena tirar um dia inteiro para andar pelas ruas do Centro, prestando atenção ao alto, olhando os prédios antigos construídos e inspirados nos mais variados estilos arquitetônicos.

Democrática

Avenida Paulista

Pessoas andando a pé e de bicicleta em frente ao Masp
Ícone financeiro e cultural, essa avenida compreende grande parte das atividades comerciais e de entretenimento da metrópole. Grandes edifícios abarcam escritórios, empresas e é sonho de consumo de empreendedores que vislumbram atuar na movimentada Paulista.

O bate-perna vale muito se for para percorrer os quase três quilômetros deste símbolo paulistano. O pequeno Parque Trianom é um frescor em meio aos altos edifícios, preservando um pedacinho de Mata Atlântica. O mesmo vale para Museu de Artes de São Paulo (Masp), equilibrado sobre quatro pilares, sobre um vão que é um regalo arquitetônico.


Mercado Municipal

Vista superior de mezanino sobre barracas no Mercado Municipal de São Paulo
O famoso Mercadão é um verdadeiro recanto das delícias. Sortidas cores e aromas tomam conta do grande espaço iluminado pelos vitrais coloridos. O espaço de 12,6 mil metros quadrados acolhe cerca de 1,5 mil funcionários. A imponência da construção e a oferta de produtos de qualidade tornaram o local um dos principais pontos turísticos de São Paulo.

Point da gastronomia, os típicos sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau são uma das principais razões do sucesso do Mercado. No mezanino, existem bares que servem as iguarias a preços justos. Legal para ir no final de semana, sem pressa, para passar a tarde tomando um chope e degustando estes pratos que tem um sabor especial no Mercadão.

Onde ficar

Quarto de hotel com cama, biombo e grande janela

Com tanta coisa para ver e viver em São Paulo, é essencial reservar alguns dias e para a experiência ficar completa, vale atenção na escolha da hospedagem. Para uma estadia prolongada, o hotel Marriott Executive Apartments, no bairro nobre de Vila Nova Conceição é dedicado àqueles que precisam de espaço e comodidade. Uma casa dentro de um hotel, este é o conceito do long stay.

Se a visita à metrópole contar com menos dias ou para quem prefere ter uma experiência de luxo, o Renaissance São Paulo Hotel é a pedida certeira. Localizado nos Jardins, bairro de luxo e badalação, a hospedagem é uma bela experiência por si só. Academia, uma das maiores dentro de um hotel, a diversidade de bares e restaurantes e o spa são atrações que até adiam os planos de andar pela cidade.

; Renaissance São Paulo Hotel

www.renaissancesaopaulo.com.br

; The Spa at Renaissance
www.br.thespaatrenaissancesp.com

; Marriott Executive Apartments São Paulo
www.marriott.com.br/saoer

Onde comer

Prato de massa com castanhas

Terraço Jardins

Mesclando as culinárias caipira e caiçara, o restaurante Terraço Jardins é parte do Renaissance, aberto a hóspedes e não hóspedes. Incorporando sofisticação a mais tradicional cozinha brasileira, o chef Ícaro Rizzo faz harmoniosas releituras de pratos típicos, sempre valorizando a produção local. Vale a pena ir sem pressa para degustar e conhecer bem todas as peculiaridades da casa.

*Repórter viajou a convite da Marriott Hotéis

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

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