Publicidade

Correio Braziliense

O abecedário de Sampa

A selva, que apesar da dureza do concreto, derrete os corações daqueles que respiram sua história e passam por suas ruas, é um ser pulsante e encantador, que abriga migrantes de todo o país e do mundo


postado em 11/03/2020 04:09 / atualizado em 11/03/2020 12:32

(foto: Wikimedia Commons/Reprodução )
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução )


“Alguma coisa acontece
no meu coração
Que só quando cruza a
Ipiranga e a Avenida São João...”


(Sampa, de Caetano Veloso e Elvira Brull)


Plural e incansável, a colossal terra da garoa, já cantada em versos e escrita em prosas, é inspiração certeira. A cidade que recebe de braços abertos gente do mundo inteiro é apaixonante. Aliás, São Paulo carrega aquela velha história de amor e ódio.

“Credo, quanta gente! Espere aí, meu filho, deixe-me passar”, exclama a senhora à entrada do metrô. “Esse trânsito mata qualquer um”, reclama o motorista do aplicativo. Mas andando pelas ruas, o brilho no olhar e o ar exalado com profundidade revelam a paixão de quem atravessa a metrópole.

Ali é onde a miscelânea encontra harmonia. De um lado da rua, graffiti na parede de um bar bem moderninho e do outro, uma tradicional cantina italiana com toalhas de mesa verdes e vermelhas. No mesmo banco de praça, filhos de muitas pátrias dividem a sombra criada pelos prédios compridos. Diversidade pulsante nas veias da cidade.

Moderna sim, antiga também. A capital nasceu oficialmente em 25 de janeiro de 1554, quando Manuel da Nóbrega, expoente jesuíta da Companhia de Jesus, junto de seus companheiros missionários José de Anchieta e Manoel de Paiva rezaram a primeira missa no Pateo do Collegio.

Século após século, São Paulo foi cenário de fatos históricos, como o grito de D. Pedro I ao proclamar a independência da nação e todo o ciclo cafeeiro que fez a cidade crescer e brilhar. Esse último foi o mais importante fator de crescimento populacional na capital paulista, que a colocou como número um em população e rendimentos. Ela ostenta as duas grandezas ainda hoje.

O primeiro censo de alcance nacional, realizado em 1872, mostrou que a cidade possuía pouco mais de 31 mil habitantes. O ouro negro fez com que a população dobrasse em 18 anos, pulando para 65 mil. Dez anos depois, o número triplicou e chegou 240 mil; em 1920, eram 580 mil e finalmente em 1940, alcançou cifra milionária e a cidade registrou 1,3 milhão de pessoas morando ali. Atualmente, a cidade ultrapassa os 12 milhões de habitantes, número registrado em 2018.

 

Metrópole desejada

 

Todos os contos e encantos fazem de São Paulo um dos destinos mais buscados por migrantes e imigrantes. Ele é o maior do país e recebe mais de 13 milhões de turistas ao ano. Para muitos, uma terra de oportunidades, para outros, local de descoberta e contemplação. Neste ano, a capital paulista foi a mais procurada por turistas que queriam cair na folia de carnaval, desbancando Rio de Janeiro e Salvador que ficaram em segundo e terceiro lugar respectivamente, segundo pesquisa da Decolar.com.

Os dados são bem otimistas, de acordo com levantamento da Google, São Paulo é o segundo destino mais pesquisado mundialmente para viagens em 2020. Ficando atrás de Da Nang, Vietnã. Os brasileiros também desejam ir à metrópole nacional. A pesquisa mostra que nós deixamos São Paulo em terceiro lugar, ultrapassado por Londres e Rio de Janeiro.

O turismo corporativo na cidade também alcança as maiores cifras da América Latina, conforme aponta estudo da CWT Meetings & Events. Líder pelo quarto ano consecutivo, São Paulo é a melhor capital para eventos e que para 2020 tem projetado aumento de 8%. Dividindo o pódio, estão Bogotá e Lima, em segundo e terceiro lugar respectivamente.

O alfabeto é ínfimo para contar as graças de São Paulo, mas pode ser uma forma didática de apresentar uma parte sucinta daquilo que a maior urbe brasileira oferece.


Artística


Beco do Batman

(foto: WikimediaCommons/Reproducao)
(foto: WikimediaCommons/Reproducao)

As paredes coloridas, repletas de desenhos psicodélicos ou com alto teor crítico, são um encanto aos olhos. Localizado no bairro de Vila Madalena, o Beco do Batman é uma galeria a céu aberto entre as ruas Gonçalo Afonso e Medeiros de Albuquerque. Para visitar, é legal esquecer o carro em casa ou em outras ruas vizinhas. É pertinho da Estação Clínicas do metrô.

Os painéis cheios de vida são um cenário perfeito para interagir e fotografar. Além desta exposição permanente de artistas nacionais e estrangeiros, as ruas fronteiriças colecionam galerias de arte, das mais variadas. Modernas, tradicionais, baratas e mais sofisticadas. Não precisa comprar, basta conhecer. Sugiro reservar uma tarde inteira para entrar e reentrar, observar e contemplar a pujante arte que inunda Sampa.


Ibirapuera

(foto: Arquivo/SPTuris)
(foto: Arquivo/SPTuris)

Um parque cultural. O reduto dos paulistanos possui nada menos que nove espaços dedicados a atividades culturais. Os mais icônicos são o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu Afro Brasil, o Pavilhão das Culturas Brasileiras e o Auditório Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer.

O parque é escolha certeira para realização de eventos educativos e artísticos. Famosa e instigante, a exposição Da Vinci experience e suas invenções estará disponível até dia 5 de abril, no Pavilhão de Culturas Brasileiras. Com entrada gratuita, ela conta sobre a vida de uma das personalidades mais influentes e completas do mundo, Leonardo Da Vinci. São réplicas de suas criações artísticas e engenhosas, muita interação e imersão em seus quadros. Vale gastar pelo menos uma hora conhecendo e contemplando.


Badalada


Vila Madalena

(foto: Google.com/Reprodução da Internet)
(foto: Google.com/Reprodução da Internet)

Lugar de “gente jovem reunida”, como já cantou Elis. O clima divertido e descontraído do bairro, localizado no distrito de Pinheiros, contagia. As ruas são repletas de bares, que aos finais de semana, são pequenos para abraçar a quantidade de pessoas que buscam distração. É comum ver a galera ocupando as calçadas com copos de bebida nas mãos.

Para curtir de verdade, o bom é deixar o carro em casa, assim a bebedeira não está comprometida, além de não ser nada fácil estacionar pelas ruas movimentadas. Lá, a farra não tem hora para acabar, muitos bares atravessam a madrugada e garantem a alegria da moçada. A diversidade de comércios também atende bem aos mais variados tipos de público. Vai de bares pequenos e intimistas, com comidinha gostosa e natural a grandes botequins com música ao vivo.


Rua Augusta        

(foto: Rogério Cassemiro/MTur/Divulgação)
(foto: Rogério Cassemiro/MTur/Divulgação)

É ali onde se encontra de tudo. Do Alto ao Baixo Augusta, são dezenas de opções de entretenimento. A parte mais próxima à Avenida Paulista é mais sofisticada, com bares e restaurantes mais finos. Descendo a rua, chega-se ao Baixo, próxima ao centro da cidade e é nesta parte que se vê de tudo. Tudo mesmo.

Terra de diversidade, tem bar dedicado ao rock, boates com apresentação de drag queens e até os famosos “inferninhos”. A Rua Augusta é uma das melhores representações de Sampa, tem todo tipo de coisa e no estilo “tudo junto e misturado”. 

 

 

Centenária  



Centro histórico

(foto: Wikipedia/CB/Reprodução/D.A Press)
(foto: Wikipedia/CB/Reprodução/D.A Press)

Talvez, a parte mais bonita de São paulo. As construções antigas são o contraponto perfeito aos veículos que cortam as ruas do Centro. Inspirar história e expirar encantamento é o único modo de respirar atravessando essa área. Fácil saber o porquê, em frente ao Palácio da Justiça, o Pateo do Collegio, reconstruído aos moldes do original, com paredes brancas e grandes portas e janelas azuis. Adentrando um pouco mais, dezenas e dezenas de prédios cheios de memórias.

Inspirado no norte americano Empire State, o Edifício Altino Arantes, conhecido por longos anos por Banespão, tem um mirante em seu topo, de onde é possível ver grande parte da capital paulista. Hoje, intitulado Farol Santander.

(foto: Erika Manhatys/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Erika Manhatys/Esp. CB/D.A Press)

Bem à frente, uma construção cuja história é um deleite. O Edifício Martinelli foi o primeiro “arranha-céu” do país. Projetado para ter 12 andares, pelo menos o dobro dos demais prédios existentes, a inovadora obra teve início em 1924. Desafiando os incrédulos que diziam que a construção não se sustentaria, Giuseppe Martinelli não sucumbiu ao desafio e ergueu um prédio de 24 andares, que se mantém firme até hoje.

Dentre tantas histórias, o Centro guarda incríveis relíquias e maravilhosas edificações, como o Banco do Brasil, que hoje mantém um centro cultural. O Banco de São Paulo, que passa agora por reforma, mas é dono de bela arquitetura. Vale a pena tirar um dia inteiro para andar pelas ruas do Centro, prestando atenção ao alto, olhando os prédios antigos construídos e inspirados nos mais variados estilos arquitetônicos.

 

Democrática

 

Avenida Paulista

(foto: Rogério Cassemiro/ MTur/Divulgação)
(foto: Rogério Cassemiro/ MTur/Divulgação)

Ícone financeiro e cultural, essa avenida compreende grande parte das atividades comerciais e de entretenimento da metrópole. Grandes edifícios abarcam escritórios, empresas e é sonho de consumo de empreendedores que vislumbram atuar na movimentada Paulista.

O bate-perna vale muito se for para percorrer os quase três quilômetros deste símbolo paulistano. O pequeno Parque Trianom é um frescor em meio aos altos edifícios, preservando um pedacinho de Mata Atlântica. O mesmo vale para Museu de Artes de São Paulo (Masp), equilibrado sobre quatro pilares, sobre um vão que é um regalo arquitetônico.


Mercado Municipal

(foto: Erika Manhatys/Esp.CB/D.A Press)
(foto: Erika Manhatys/Esp.CB/D.A Press)

O famoso Mercadão é um verdadeiro recanto das delícias. Sortidas cores e aromas tomam conta do grande espaço iluminado pelos vitrais coloridos. O espaço de 12,6 mil metros quadrados acolhe cerca de 1,5 mil funcionários. A imponência da construção e a oferta de produtos de qualidade tornaram o local um dos principais pontos turísticos de São Paulo.

Point da gastronomia, os típicos sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau são uma das principais razões do sucesso do Mercado. No mezanino, existem bares que servem as iguarias a preços justos. Legal para ir no final de semana, sem pressa, para passar a tarde tomando um chope e degustando estes pratos que tem um sabor especial no Mercadão. 

 

 

Onde ficar 

  

(foto: Erika Manhatys/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Erika Manhatys/Esp. CB/D.A Press)


Com tanta coisa para ver e viver em São Paulo, é essencial reservar alguns dias e para a experiência ficar completa, vale atenção na escolha da hospedagem. Para uma estadia prolongada, o hotel Marriott Executive Apartments, no bairro nobre de Vila Nova Conceição é dedicado àqueles que precisam de espaço e comodidade. Uma casa dentro de um hotel, este é o conceito do long stay.

Se a visita à metrópole contar com menos dias ou para quem prefere ter uma experiência de luxo, o Renaissance São Paulo Hotel é a pedida certeira. Localizado nos Jardins, bairro de luxo e badalação, a hospedagem é uma bela experiência por si só. Academia, uma das maiores dentro de um hotel, a diversidade de bares e restaurantes e o spa são atrações que até adiam os planos de andar pela cidade.

» Renaissance São Paulo Hotel

www.renaissancesaopaulo.com.br

» The Spa at Renaissance
www.br.thespaatrenaissancesp.com

» Marriott Executive Apartments São Paulo
www.marriott.com.br/saoer

Onde comer 

 

 

(foto: Erika Manhatys/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Erika Manhatys/Esp. CB/D.A Press)

Terraço Jardins

 

Mesclando as culinárias caipira e caiçara, o restaurante Terraço Jardins é parte do Renaissance, aberto a hóspedes e não hóspedes. Incorporando sofisticação a mais tradicional cozinha brasileira, o chef Ícaro Rizzo faz harmoniosas releituras de pratos típicos, sempre valorizando a produção local. Vale a pena ir sem pressa para degustar e conhecer bem todas as peculiaridades da casa. 

 

 

*Repórter viajou a convite da Marriott Hotéis  

 

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade