O episódio envolvendo a convulsão do ator Henri Castelli durante a prova de resistência do Big Brother Brasil 26 reacendeu o interesse sobre esse tipo de crise neurológica. Situações em que uma pessoa perde o controle dos movimentos ou da consciência em público costumam despertar dúvidas e preocupação, principalmente quando ocorrem em ambientes de forte estresse físico e emocional, como realities de competição. Portanto, entender o que é uma convulsão, por que ela acontece e como agir nesses casos ajuda a reduzir riscos e a evitar condutas inadequadas.
A convulsão pode atingir qualquer pessoa, em diferentes faixas etárias, e nem sempre se relaciona a uma doença crônica conhecida. Em muitos casos, o primeiro episódio aparece de forma inesperada, em meio a atividades comuns do dia a dia ou em situações de esforço, calor, privação de sono ou jejum prolongado. Em suma, a informação correta se torna um elemento importante de prevenção de acidentes e de busca rápida por atendimento médico, sobretudo quando o episódio ocorre em locais públicos.
O que é convulsão e como ela se manifesta?
A palavra convulsão descreve um evento em que ocorre uma atividade elétrica anormal no cérebro, resultando em alterações motoras, sensoriais ou de consciência. Essa descarga desorganizada de impulsos cerebrais pode provocar desde movimentos involuntários de parte do corpo até crises generalizadas, em que a pessoa cai, perde o tônus muscular e não responde a estímulos externos por alguns instantes ou minutos.
Os sinais de uma crise convulsiva variam; entretanto, alguns são relatados com frequência por profissionais de saúde:
- Movimentos rítmicos e involuntários de braços e pernas;
- Rigidez muscular súbita, com o corpo enrijecido;
- Perda ou alteração da consciência, com ausência de resposta;
- Olhar parado ou desviado, sem foco no ambiente;
- Confusão mental após a crise, com dificuldade para entender o que aconteceu.
Em determinados casos, ocorre queda brusca ao solo, o que aumenta o risco de traumas, cortes e batidas na cabeça. Alguns pacientes também podem apresentar mordedura de língua, salivação excessiva ou respiração ruidosa durante a crise. Então, quem presencia o episódio precisa focar na proteção física da pessoa, em vez de tentar “acordá-la” à força.
Além disso, algumas crises podem se manifestar de forma discreta, sem movimentos intensos. Nesses casos, a pessoa pode apenas ficar com o olhar parado, responder de maneira lenta e parecer “desligada” por alguns segundos. Portanto, nem toda convulsão envolve queda ao chão ou abalos intensos, o que reforça a importância de observar atentamente o comportamento e relatar todos os detalhes ao médico.
Convulsão: causas, fatores de risco e relação com esforço físico
A convulsão está ligada a diferentes causas possíveis, que vão de doenças neurológicas a alterações metabólicas passageiras. A epilepsia é uma das origens mais conhecidas, caracterizada por crises recorrentes ao longo do tempo. No entanto, há muitos outros fatores capazes de desencadear um episódio convulsivo isolado, sem que isso signifique um diagnóstico definitivo de epilepsia.
Entre as causas e condições associadas a uma crise de convulsão, destacam-se:
- Epilepsia previamente diagnosticada ou ainda não identificada;
- Privação de sono prolongada e cansaço extremo;
- Estresse físico e emocional intenso;
- Hipoglicemia (queda do nível de açúcar no sangue);
- Desidratação e perda importante de líquidos;
- Febre alta, especialmente em crianças;
- Traumatismo craniano recente;
- Infecções que atingem o sistema nervoso central;
- Alterações em eletrólitos como sódio, cálcio, magnésio e potássio;
- Uso, abuso ou abstinência de álcool e drogas;
- Reações a certos medicamentos ou interações entre remédios.
A dúvida sobre se a atividade física intensa causa convulsão é frequente. Em pessoas sem doenças neurológicas conhecidas, o exercício por si só não costuma atuar como agente direto da crise. Entretanto, ele pode funcionar como gatilho quando se associa a outros fatores, como:
- Esforço acima do limite habitual, sem preparo adequado;
- Noites mal dormidas e rotina irregular;
- Falta de hidratação e de reposição de sais minerais;
- Jejum prolongado ou alimentação insuficiente antes do treino;
- Ambientes muito quentes, com risco de hipertermia;
- Pressão psicológica intensa, típica de competições.
Esse conjunto de condições, comum em provas de resistência, reality shows e práticas esportivas extremas, pode favorecer o surgimento de uma crise em indivíduos com predisposição neurológica, mesmo que ainda não diagnosticada. Em suma, quem participa de atividades físicas extenuantes precisa respeitar limites individuais, hidratar-se bem, alimentar-se de forma adequada e priorizar noites de sono reparador.
Além disso, algumas doenças cardíacas, histórico de AVC, uso irregular de medicações de uso contínuo e consumo de substâncias estimulantes também podem aumentar o risco de convulsão em situações de esforço. Portanto, pessoas com qualquer condição crônica devem conversar previamente com o médico antes de se inscrever em provas de resistência ou competições intensas.
Convulsão sempre é epilepsia?
Um ponto importante é que convulsão não é sinônimo de epilepsia. A epilepsia é uma doença crônica caracterizada por crises recorrentes, que tendem a se repetir ao longo do tempo. Para chegar a esse diagnóstico, médicos costumam avaliar o histórico clínico, solicitar exames como eletroencefalograma e, em alguns casos, exames de imagem do cérebro. Uma única crise, isolada, pode se relacionar a um fator agudo e não necessariamente evoluir para um quadro crônico.
Por outro lado, mesmo uma convulsão única exige atenção. Em 2025, as recomendações de sociedades médicas seguem indicando que qualquer episódio convulsivo deve ser investigado, sobretudo quando não há febre ou causa evidente. A avaliação especializada ajuda a identificar se há alterações estruturais, metabólicas ou genéticas que precisem de acompanhamento contínuo ou de uso de medicamentos específicos.
Então, a pessoa que teve uma convulsão pela primeira vez não deve ignorar o episódio, mesmo que se sinta bem depois. O médico pode orientar afastamento temporário de direção de veículos, atividades em altura, uso de máquinas pesadas ou esportes de alto risco, até que a investigação esclareça o quadro. Portanto, a consulta com neurologista se torna essencial para definir se a crise foi isolada ou se integra um quadro de epilepsia ou outra doença neurológica.
Como agir durante uma crise de convulsão?
Ao presenciar uma crise convulsiva, a prioridade é proteger a pessoa de ferimentos até que a atividade motora anormal cesse. A orientação atual de profissionais de saúde destaca o que deve e o que não deve ser feito nesses momentos, utilizando medidas simples e seguras.
As principais ações recomendadas incluem:
- Colocar a pessoa de lado, ajudando a manter as vias aéreas desobstruídas;
- Afastar objetos duros ou pontiagudos que possam causar lesões;
- Afrouxar roupas apertadas ao redor do pescoço, como gravatas ou golas fechadas;
- Cronometrar, se possível, o tempo aproximado da crise.
Já entre as atitudes que devem ser evitadas, especialistas apontam:
- Não tentar segurar braços e pernas à força;
- Não colocar nada na boca, como colher, pano ou os próprios dedos;
- Não oferecer água, remédios ou alimentos durante a crise;
- Não sacudir a pessoa na tentativa de “acordá-la”.
Após o término da convulsão, a pessoa costuma permanecer sonolenta, desorientada ou com dor de cabeça. Nessas situações, recomenda-se mantê-la em posição lateral, em local arejado, conversando de forma calma e aguardando a recuperação gradual da consciência. Portanto, familiares, colegas de trabalho e organizadores de eventos esportivos podem se beneficiar de treinamentos básicos de primeiros socorros para reconhecer essa fase pós-crise e agir com mais segurança.
A busca por atendimento médico deve ser imediata em crises prolongadas, repetidas em sequência, em casos de primeira crise na vida, em gestantes, em pessoas com traumatismo craniano associado ou quando surge dificuldade respiratória. Em suma, diante da dúvida, o ideal é acionar o serviço de emergência. A convulsão, apesar de causar grande impacto em quem presencia o episódio, é um fenômeno que se maneja com mais segurança quando as orientações adequadas são conhecidas. Informação clara, observação atenta dos sinais e procura rápida por avaliação especializada são elementos centrais para reduzir complicações e garantir um cuidado adequado após qualquer crise convulsiva.
FAQ sobre convulsão
1. Quem tem convulsão pode dirigir?
Em geral, quem teve uma convulsão recente precisa suspender a direção por um período determinado pelo médico, que varia conforme a causa da crise e a legislação local. Portanto, apenas o especialista pode liberar, de forma segura, a volta ao volante.
2. Convulsão causa sequelas permanentes?
Na maioria dos casos, uma crise breve não deixa sequelas. Entretanto, crises muito prolongadas, repetidas ou associadas a falta de oxigenação podem aumentar o risco de dano neurológico. Então, o atendimento rápido torna-se fundamental.
3. Estresse emocional sozinho pode causar convulsão?
O estresse intenso, por si só, raramente provoca uma convulsão em pessoas saudáveis. Porém, ele pode se somar a privação de sono, alimentação inadequada, uso de álcool e outras condições, funcionando como gatilho em indivíduos predispostos.
4. Quem já teve convulsão precisa mudar a rotina?
Muitas pessoas levam uma vida praticamente normal após avaliação médica. Entretanto, o médico pode sugerir ajustes em sono, consumo de álcool, uso de telas à noite, atividades de risco e organização de horários de medicação, quando necessária.
5. Crianças com convulsão febril sempre desenvolvem epilepsia?
Não. A maioria das crianças com convulsão febril não evolui para epilepsia. Portanto, os pais devem seguir o acompanhamento pediátrico e neurológico, mas não precisam presumir automaticamente um quadro crônico.
6. Existe exame que “confirma” convulsão?
O eletroencefalograma (EEG) ajuda a identificar alterações elétricas cerebrais, e exames de imagem, como tomografia e ressonância, investigam causas estruturais. Entretanto, o diagnóstico se baseia, sobretudo, na descrição detalhada do episódio e na avaliação clínica.







