Durante o verão, muitas pessoas percebem um aumento no inchaço das pernas, tornozelos e pés. Esse desconforto está diretamente ligado à retenção de líquidos no calor, um fenômeno comum em períodos de altas temperaturas. O corpo, ao tentar manter a temperatura interna estável, faz ajustes na circulação e isso pode favorecer o acúmulo de líquidos nos tecidos, especialmente nos membros inferiores.
Essas mudanças fazem parte de um mecanismo natural de defesa do organismo. Com o ambiente mais quente, o sistema cardiovascular precisa trabalhar de forma diferente para dissipar o calor. A partir daí, alguns sintomas passam a ser mais notados, como sensação de peso nas pernas, marcas de meias na piel e calçados apertados ao final do dia. Em alguns casos, essa retenção hídrica se soma a problemas circulatórios já existentes, exigindo mais atenção e, então, um acompanhamento mais próximo com profissionais de saúde.
O que é retenção de líquidos no calor e por que acontece?
A retenção de líquido se caracteriza pelo acúmulo de água entre as células, o que leva ao inchaço, principalmente em áreas sujeitas à gravidade, como pernas e pés. Em dias quentes, os vasos sanguíneos se dilatam para permitir que mais sangue circule próximo à pele, facilitando a perda de calor para o ambiente. Esse processo, conhecido como vasodilatação, torna o retorno do sangue ao coração um pouco mais lento, favorecendo o extravasamento de fluidos para os tecidos.
Além disso, o calor estimula a transpiração. Com o suor, há perda de água e eletrólitos importantes, como sódio e potássio. Para evitar uma queda brusca do volume de líquidos no organismo, entram em ação hormônios que estimulam a retenção de sódio e água pelos rins. Essa combinação de vasodilatação e mecanismos hormonais de compensação cria um cenário propício para a formação de edemas, principalmente em quem permanece muito tempo em pé ou sentado. Entretanto, quando a pessoa se hidrata de forma adequada, movimenta o corpo ao longo do dia e cuida da alimentação, esse processo tende a ficar mais equilibrado. Em suma, o organismo tenta se adaptar ao calor, mas os hábitos diários podem aliviar ou intensificar esse inchaço.
Retenção de líquidos no calor: quem sente mais e quais sinais observar?
A tendência ao inchaço nas altas temperaturas não é igual para todas as pessoas. Indivíduos com insuficiência venosa, presença de varizes, histórico de trombose, hipertensão ou diabetes costumam perceber o edema de forma mais intensa. Nesses casos, o sistema circulatório já apresenta algum grau de comprometimento e, somado ao efeito do calor, o retorno venoso fica ainda mais prejudicado. Portanto, pessoas com essas condições precisam redobrar os cuidados nos dias mais quentes, especialmente se passam muitas horas em pé ou sentadas.
Alguns sinais merecem atenção especial:
- Inchaço frequente em pernas, tornozelos e pés ao final do dia;
- Sensação de peso, cansaço ou queimação nas pernas;
- Marcas profundas de meias ou calçados na pele;
- Endurecimento ou dor localizada em algum ponto do membro;
- Aumento súbito de edema em apenas uma perna.
Quando o inchaço se torna recorrente, vem acompanhado de dor ou está associado a doenças circulatórias conhecidas, a avaliação com profissional de saúde é indicada para afastar outras causas e orientar a melhor conduta. Então, em vez de apenas conviver com o incômodo no verão, a pessoa pode investigar se existe alguma doença de base que precisa de tratamento. Além disso, sinais assimétricos, como uma perna muito mais inchada que a outra, demandam atenção imediata, pois podem indicar quadros mais graves, como trombose venosa.
Como aliviar a retenção de líquidos no verão no dia a dia?
Alguns hábitos simples podem ajudar e contribuir para um verão mais confortável. A hidratação regular é um dos principais pilares. Beber água ao longo do dia auxilia o funcionamento dos rins, melhora a circulação e ajuda a manter o equilíbrio dos líquidos corporais, mesmo quando há maior transpiração.
A movimentação diária também tem papel central. Caminhadas, natação, bicicleta, dança e exercícios que ativem a musculatura da panturrilha funcionam como uma espécie de “bomba natural”, impulsionando o sangue de volta ao coração. Intercalar períodos longos sentado ou em pé com pequenas pausas para alongar, dar alguns passos ou flexionar os pés já faz diferença no retorno venoso. Então, mesmo em dias corridos de trabalho, pequenas mudanças de rotina, como subir escadas em vez de usar sempre o elevador ou fazer breves caminhadas, contribuem para diminuir o inchaço. Além disso, ambientes muito quentes e fechados aumentam o desconforto, por isso, sempre que possível, vale optar por locais arejados, com ventilação ou climatização adequada.
- Elevar as pernas por alguns minutos ao final do dia, acima do nível do coração, facilita a drenagem de líquidos acumulados;
- Evitar roupas e calçados muito apertados diminui a compressão dos vasos sanguíneos e linfáticos;
- Manter o peso corporal adequado reduz a sobrecarga sobre o sistema venoso.
Quais cuidados com alimentação e terapias podem ajudar?
A alimentação tem influência direta na retenção hídrica. Uma dieta com excesso de sal favorece o acúmulo de líquidos, pois o sódio retém água no organismo. Por outro lado, refeições ricas em alimentos naturais — frutas, verduras, legumes, grãos integrais e fontes de fibras — contribuem para um melhor equilíbrio metabólico e para o bom funcionamento intestinal, o que também impacta na circulação. Portanto, ajustar o cardápio no verão, com refeições mais leves, coloridas e ricas em água, ajuda a aliviar o inchaço e melhora a disposição.
Alguns pontos geralmente recomendados por profissionais de saúde incluem:
- Reduzir o consumo de ultraprocessados, que em geral têm muito sódio;
- Priorizar temperos naturais, como ervas frescas e especiarias, no lugar de caldos prontos;
- Incluir frutas ricas em água, como melancia, melão, laranja e abacaxi;
- Manter uma boa ingestão de fibras para auxiliar o retorno venoso e linfático.
Recursos como drenagem linfática e uso de meias de compressão podem ser indicados em alguns casos para auxiliar o retorno venoso e linfático, especialmente em pessoas com predisposição circulatória. Essas estratégias costumam ser complementares e devem ser orientadas por profissional habilitado, levando em conta o histórico de saúde de cada indivíduo. Então, em vez de utilizar essas técnicas por conta própria ou apenas por indicação informal, o ideal envolve sempre uma avaliação prévia para garantir segurança e melhores resultados.
FAQ – Perguntas frequentes sobre retenção de líquidos no calor
1. Retenção de líquidos no calor é a mesma coisa que ganho de peso?
Não. Então, o inchaço provocado pela retenção de líquidos no verão costuma vir de acúmulo de água nos tecidos, e não de aumento real de gordura corporal. O peso na balança pode subir levemente em dias de edema, porém isso tende a oscilar. Portanto, quando o inchaço diminui, o peso geralmente volta ao patamar habitual.
2. Beber mais água não piora a retenção de líquidos?
Ao contrário do que muitos pensam, a hidratação adequada ajuda a reduzir a retenção hídrica. Quando a ingestão de água fica muito baixa, o organismo tende a reter mais líquido como forma de proteção. Em suma, beber água ao longo do dia, em quantidades fracionadas, favorece o equilíbrio dos fluidos e o bom funcionamento dos rins.
3. Diuréticos naturais, como chás, resolvem o problema de inchaço no verão?
Alguns chás e alimentos com leve efeito diurético podem auxiliar em casos leves, entretanto não substituem a avaliação médica e não corrigem, sozinhos, problemas circulatórios mais complexos. Então, o uso excessivo ou sem orientação pode causar perda exagerada de eletrólitos, como sódio e potássio, o que traz riscos principalmente para pessoas com hipertensão ou doenças cardíacas.
4. Quem pratica atividade física intensa no calor tem mais risco de retenção de líquidos?
A prática de exercícios tende a melhorar a circulação e, portanto, diminui a tendência ao edema. Porém, quando o treino acontece em ambientes muito quentes, sem reposição adequada de água e eletrólitos, o organismo entra em maior estresse térmico e hormonal, o que pode favorecer tanto a desidratação quanto a retenção de líquidos no calor. Em suma, equilibrar intensidade, hidratação e horário de treino (preferindo início da manhã ou fim da tarde) ajuda a proteger o corpo.
5. Em que momento o inchaço nas pernas no verão exige consulta urgente?
Procure atendimento imediato quando houver dor intensa, vermelhidão, aumento súbito de inchaço em apenas um membro, falta de ar ou dor no peito associada ao edema. Esses sinais podem indicar quadros graves, como trombose ou problemas cardíacos. Portanto, não espere o inchaço passar sozinho em situações assim; a avaliação rápida reduz riscos e orienta o tratamento adequado.









