A adoção de novas tecnologias de prevenção contra o HIV tem avançado no Brasil, e uma das apostas mais recentes é um medicamento de longa duração que promete reduzir a frequência de uso para apenas duas aplicações por ano. Essa proposta tem chamado a atenção por combinar alta potência antiviral com um esquema mais simples, o que pode favorecer a continuidade do cuidado e a proteção de grupos mais expostos ao vírus. Em 2025, o debate sobre essa inovação se conecta diretamente às políticas públicas de saúde e ao funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Portanto, quando se fala em novas estratégias de prevenção, fala-se também em equidade, acesso e fortalecimento da rede de atenção básica e especializada.
Entre as iniciativas em andamento, destaca-se um estudo de grande porte coordenado por instituições brasileiras para avaliar o lenacapavir como forma de profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP. A ideia é observar, em condições reais, como essa nova ferramenta de prevenção contra o HIV se comporta em diferentes regiões do país. Em suma, os pesquisadores querem entender se o medicamento consegue, de fato, se integrar ao cotidiano das pessoas que vivem em contextos variados, com diferentes níveis de acesso aos serviços de saúde. O foco está em compreender não apenas a eficácia do medicamento, mas também se as pessoas conseguem manter o acompanhamento ao longo do tempo com um esquema semestral de injeções. Entretanto, esse acompanhamento inclui não só o controle do HIV, mas também avaliações de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e ações de educação em saúde sexual.
PrEP de longa duração com lenacapavir: o que está em avaliação?
A palavra-chave central nesse debate é PrEP de longa duração, termo usado para designar estratégias preventivas contra o HIV que não dependem de comprimidos diários. O lenacapavir se insere exatamente nessa categoria. Trata-se de um antirretroviral que atua em diferentes etapas do ciclo de vida do HIV, impedindo que o vírus se estabeleça nas células do organismo. Portanto, ele pode bloquear a infecção já nos primeiros momentos após a exposição. Por essa razão, pesquisadores passaram a testar sua aplicação em pessoas que ainda não vivem com HIV, mas apresentam maior risco de exposição.
No cenário internacional, ensaios clínicos também avaliam o lenacapavir em outros continentes, o que permite comparar resultados entre diferentes sistemas de saúde. No Brasil, o estudo ImPrEP LEN Brasil foi estruturado para analisar o uso do lenacapavir injetável em sete cidades: Campinas, Florianópolis, Manaus, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. A proposta é acompanhar ao longo de alguns anos o desempenho dessa forma de profilaxia pré-exposição em diferentes contextos urbanos. Então, os pesquisadores observam desde aspectos clínicos até barreiras sociais, como estigma, discriminação e dificuldades de acesso.
Serão observados fatores como taxa de novas infecções, segurança do medicamento, efeitos adversos e grau de adesão ao esquema de duas doses anuais. Além disso, o estudo analisa, por exemplo, se o modelo de duas aplicações por ano facilita o planejamento da vida escolar, profissional e afetiva das pessoas participantes. Em suma, o que está em avaliação é se a PrEP de longa duração com lenacapavir consegue, ao mesmo tempo, oferecer alta proteção e encaixar-se na realidade brasileira, marcada por desigualdades regionais, raciais e econômicas.
Quem pode participar e como é feita a prevenção com lenacapavir?
O estudo brasileiro com lenacapavir como PrEP tem um público bem definido. A pesquisa é voltada a homens gays e bissexuais, pessoas trans e pessoas não binárias designadas ao nascer como do sexo masculino, com idades entre 16 e 30 anos. Esse recorte se baseia em dados epidemiológicos que mostram maior incidência de infecção pelo HIV nesses grupos. Portanto, o foco recai sobre populações que vivem em maior vulnerabilidade social e sanitária, muitas vezes impactadas por preconceito, violência e falta de acesso a serviços de saúde acolhedores. Antes de receber a primeira injeção, a pessoa precisa apresentar teste negativo para HIV, já que a medicação se destina à prevenção e não ao tratamento.
O esquema de aplicação prevê injeções semestrais de lenacapavir em dose adequada para manter níveis protetores da droga no organismo durante aproximadamente seis meses. A substância é administrada por via subcutânea, com agulhas específicas fornecidas junto com o medicamento. Então, o procedimento ocorre em ambiente de serviço de saúde, com equipe treinada para garantir a técnica correta e o conforto da pessoa usuária. Essas características fazem com que a logística de distribuição e aplicação exija treinamento de equipes e planejamento dos serviços de saúde, principalmente se a tecnologia vier a ser adotada em larga escala pelo SUS. Em suma, não se trata apenas de ter o medicamento aprovado, mas de garantir uma rede preparada para acolher, informar e acompanhar as pessoas de forma contínua.
- Critério essencial: teste de HIV negativo antes do início;
- Acompanhamento: consultas periódicas para monitorar possíveis efeitos e realizar novos exames;
- Foco populacional: grupos com maior vulnerabilidade ao HIV, de acordo com dados nacionais;
- Forma de uso: duas injeções por ano, associadas a acompanhamento clínico e aconselhamento.
Além disso, durante o acompanhamento, profissionais de saúde costumam oferecer preservativos, lubrificantes e testes para outras ISTs, como sífilis, gonorreia e clamídia. Portanto, a prevenção com lenacapavir não se resume à injeção; ela integra um pacote mais amplo de cuidado em saúde sexual. Entretanto, quem participa mantém a liberdade de decidir se continua na pesquisa, se deseja interromper o uso ou migrar para outras formas de PrEP, sempre com suporte da equipe.
Quais as diferenças entre a nova PrEP injetável e os comprimidos diários?
Uma das questões mais discutidas é a diferença entre a PrEP injetável de longa ação e as estratégias já disponíveis em comprimidos. Atualmente, o método mais comum no país usa antirretrovirais em forma oral, tomados diariamente. Esse modelo exige disciplina contínua, o que pode ser um desafio para parte das pessoas que poderiam se beneficiar da prevenção. Esquecimentos frequentes, dificuldades de acesso aos serviços ou estigma podem reduzir a adesão ao tratamento diário. Em suma, mesmo com alta eficácia, a PrEP oral só protege bem quando a rotina de uso se mantém regular.
O lenacapavir surge como alternativa por concentrar a proteção em apenas duas aplicações anuais. Em vez de lembrar todos os dias de tomar um comprimido, a pessoa marca retornos semestrais para receber a injeção e realizar exames. Portanto, quem tem um cotidiano muito corrido, quem viaja com frequência ou quem enfrenta situações de sigilo em casa pode considerar a PrEP injetável mais discreta e prática. Para as equipes de saúde, esse formato também modifica a rotina: há menos dispensação mensal de medicamentos, mas aumenta a necessidade de organização para as datas de aplicação, preservação das doses e uso das agulhas adequadas.
- PrEP oral tradicional: comprimidos diários, distribuição contínua e maior dependência da rotina individual;
- PrEP com lenacapavir: injeções a cada seis meses, maior concentração do cuidado em consultas programadas;
- Meta comum: redução do risco de infecção pelo HIV em pessoas que ainda não têm o vírus.
Entretanto, a escolha entre PrEP oral e PrEP injetável não segue uma regra única. Cada pessoa avalia, junto à equipe de saúde, qual modalidade se adapta melhor ao seu estilo de vida, à sua relação com serviços de saúde e às suas necessidades de privacidade. Portanto, a ampliação do leque de opções tende a fortalecer as políticas de prevenção, porque respeita a diversidade de experiências e contextos. Em suma, quanto mais alternativas seguras e eficazes o SUS oferecer, maiores as chances de reduzir novas infecções pelo HIV no país.
Como o lenacapavir pode chegar ao SUS?
Para que essa nova forma de prevenção seja oferecida de forma ampla na rede pública, há um caminho regulatório específico. Após a aprovação da substância pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o próximo passo é a definição de preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Em seguida, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS analisa as evidências científicas e econômicas, considerando custo, impacto orçamentário e benefícios em saúde pública. Então, o processo envolve negociações com a indústria farmacêutica, análise de custo-efetividade e participação social por meio de consultas públicas.
Os dados coletados pelo estudo ImPrEP LEN Brasil terão papel importante nessa análise. Informações sobre segurança, eficácia e adesão em diferentes territórios podem embasar decisões sobre incorporação ou não da PrEP injetável de longa duração pelo sistema público. Além disso, gestores avaliam se os serviços já conseguem armazenar o medicamento de maneira adequada, se há infraestrutura para capacitar profissionais e se os fluxos de atendimento se ajustam à aplicação semestral. Até lá, o lenacapavir permanece em fase de avaliação, dentro de protocolos de pesquisa clínico-epidemiológica.
A partir dos resultados, gestores, especialistas e órgãos reguladores terão mais elementos para definir o lugar desse medicamento nas estratégias de prevenção ao HIV no Brasil. Portanto, a chegada do lenacapavir ao SUS depende tanto da ciência quanto de decisões políticas e orçamentárias. Em suma, se os dados confirmarem alta eficácia, segurança e boa adesão, essa tecnologia pode se tornar uma aliada relevante para reduzir as desigualdades em saúde, fortalecer a resposta ao HIV e ampliar o direito à prevenção para populações historicamente negligenciadas.
FAQ – Perguntas frequentes sobre lenacapavir e PrEP de longa duração
1. O lenacapavir substitui o uso de preservativos?
Não. O lenacapavir reduz o risco de infecção pelo HIV, entretanto não protege contra outras ISTs, como sífilis, gonorreia ou HPV. Portanto, o uso de preservativos internos e externos continua recomendado, especialmente em relações com múltiplos parceiros ou quando não há diálogo sobre status sorológico.
2. Quem já usa PrEP oral pode mudar para a PrEP com lenacapavir?
Em suma, essa decisão precisa ocorrer em conjunto com a equipe de saúde, dentro de protocolos de pesquisa ou, no futuro, conforme diretrizes oficiais. Pessoas em PrEP oral podem, em princípio, migrar para a forma injetável se atenderem aos critérios de inclusão, se não tiverem contraindicações e se a modalidade estiver disponível no serviço.
3. O que acontece se a pessoa atrasar a injeção semestral?
Se houver atraso, o ideal é procurar o serviço o mais rápido possível para avaliação individual. Então, a equipe pode indicar nova aplicação, reforçar orientações de prevenção combinada e, em alguns casos, considerar o uso temporário de PrEP oral ou outras estratégias, dependendo do tempo de atraso e do risco de exposição ao HIV.
4. Existem efeitos colaterais comuns com o uso de lenacapavir?
Os estudos até o momento relatam, de forma geral, reações locais leves a moderadas no local da injeção, como dor, vermelhidão ou endurecimento. Entretanto, qualquer sintoma persistente ou intenso precisa de avaliação médica. Portanto, o acompanhamento periódico serve justamente para identificar precocemente eventuais efeitos e orientar a melhor conduta.
5. Pessoas fora do grupo-alvo (como mulheres cis) poderão usar lenacapavir no futuro?
Sim, essa possibilidade está em discussão. Entretanto, a priorização atual recai sobre grupos com maior incidência de HIV, de acordo com dados epidemiológicos disponíveis. Em suma, à medida que novas pesquisas ampliarem a base de evidências, autoridades de saúde poderão avaliar a expansão do acesso para outros públicos, considerando segurança, eficácia e custo-efetividade em diferentes populações.









