Correio Braziliense - Aqui
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense - Aqui
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense - Aqui
Sem resultado
Veja todos os resultados
Início Saúde

Com apenas uma dose, vacina experimental contra HIV gera resposta imune

Por Lucas
04/02/2026
Em Saúde
Com apenas uma dose, vacina experimental contra HIV gera resposta imune

Créditos: depositphotos.com / serezniy

EnviarCompartilharCompartilharEnviar

Um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos testou uma nova estratégia de imunização contra o HIV utilizando uma vacina experimental capaz de acionar o sistema de defesa dos animais com uma única aplicação. Em primatas não humanos, essa formulação levou à produção de anticorpos específicos contra o vírus algumas semanas após a injeção. Os dados foram descritos em artigo científico publicado na revista Nature Immunology, chamando atenção por propor um esquema de vacinação mais simples para uma infecção que ainda não conta com imunizante aprovado. Em suma, trata-se de uma linha de pesquisa que busca acelerar a proteção e, ao mesmo tempo, simplificar a aplicação em larga escala.

O estudo foi conduzido por especialistas do Instituto Wistar, em um centro dedicado ao desenvolvimento de vacinas e imunoterapias. O alvo principal foi uma candidata chamada WIN332, desenhada para gerar uma resposta rápida de anticorpos. Além disso, os cientistas avaliaram marcadores de células B de memória e de células T auxiliares, o que ajuda a entender se a resposta tende a ser mais duradoura. Embora os resultados ainda se limitem a modelos animais, o trabalho reforça a busca por abordagens que consigam combinar praticidade, como a dose única, com uma resposta imune específica contra o HIV. Portanto, essa vacina experimental entra em um cenário competitivo, no qual diferentes plataformas, como RNA mensageiro e vetores virais, também avançam em estudos paralelos.

Leia Também

Vacina contra HPV é ampliada pela Anvisa para prevenir outros cânceres

Vacina contra HPV é ampliada pela Anvisa para prevenir outros cânceres

02/02/2026
Fiocruz testa injeção semestral contra HIV em sete cidades

Fiocruz testa injeção semestral contra HIV em sete cidades

20/01/2026
Injeção contra HIV: entenda o lenacapavir e sua disponibilidade no SUS

Injeção contra HIV: entenda o lenacapavir e sua disponibilidade no SUS

13/01/2026

Anvisa autoriza injeção para prevenção do HIV com alta eficácia

13/01/2026

HIV e vacinação: por que esse vírus é tão desafiador?

A dificuldade em criar uma vacina contra HIV está ligada às características do próprio vírus. O HIV sofre alterações constantes em seu material genético, o que modifica partes das proteínas presentes em sua superfície. Esse comportamento faz com que anticorpos formados contra uma variante possam não reconhecer bem outras versões do vírus. Além disso, o HIV compromete justamente células envolvidas na coordenação da resposta imune, o que adiciona uma camada extra de complexidade. Então, mesmo quando o organismo produz anticorpos, o vírus encontra maneiras de escapar e se esconder em reservatórios de difícil acesso.

Ao longo de décadas, diversos candidatos a imunizantes foram testados em humanos, com graus variados de proteção e, em muitos casos, com eficácia considerada limitada. Em vários projetos, a resposta imune gerada era fraca, muito específica de determinadas cepas ou perdia força em pouco tempo. Entretanto, esses estudos anteriores trouxeram aprendizados importantes sobre quais regiões do vírus valem mais a pena como alvo, quais adjuvantes reforçam melhor a resposta e como o organismo humano reage a diferentes plataformas tecnológicas. Por isso, a comunidade científica passou a investir em estratégias que miram regiões mais estáveis do vírus, buscando anticorpos com maior capacidade de neutralizar diferentes variantes.

  • Alta taxa de mutação do HIV;
  • Ataque direto ao sistema imunológico;
  • Dificuldade em manter proteção duradoura;
  • Resultados modestos em tentativas anteriores de vacina.

O que a vacina experimental WIN332 faz de diferente?

A WIN332 foi construída com foco em uma parte específica da estrutura externa do HIV. O vírus utiliza uma proteína de superfície, conhecida como Env, para se conectar às células do organismo. Dentro dessa proteína existe uma região chamada Glicano V3, que, segundo os autores, apresenta menor variação entre diferentes linhagens do vírus. A proposta da vacina contra HIV WIN332 é apresentar ao sistema imunológico um modelo dessa área, incentivando a produção de anticorpos dirigidos a esse ponto mais conservado. Em outras palavras, o imunizante tenta “ensinar” o corpo a mirar em um alvo que muda menos, aumentando a chance de bloquear diferentes variantes em circulação.

Nos experimentos, macacos rhesus receberam uma única dose da formulação. Em análises realizadas posteriormente, foram identificados anticorpos capazes de neutralizar o HIV em testes de laboratório. A intensidade da resposta foi descrita como moderada, mas com um fator relevante: os anticorpos reconheceram formas do vírus semelhantes às encontradas fora do ambiente experimental, o que costuma ser um desafio em pesquisas dessa área. Esse comportamento sugere que o foco em uma região específica da Env pode ser um caminho útil para futuros imunizantes. Além disso, os pesquisadores observaram indícios de que a vacina estimula rapidamente as células B produtoras de anticorpos, o que, em teoria, pode favorecer uma proteção mais ágil logo após a aplicação. Portanto, embora preliminares, os resultados apontam para um desenho de vacina alinhado às necessidades reais de prevenção.

  • Alvo central: região Glicano V3 da proteína Env;
  • Estimulação rápida de células produtoras de anticorpos;
  • Resposta observada após dose única em primatas;
  • Atividade contra variantes mais próximas das circulantes.

Uma vacina de dose única contra HIV traria quais impactos práticos?

O desenvolvimento de uma vacina contra HIV em dose única teria implicações diretas em campanhas de saúde pública. Esquemas de múltiplas doses dependem do retorno periódico da pessoa ao serviço de saúde, o que nem sempre ocorre por questões de tempo, distância, disponibilidade de transporte ou mesmo estigma. Em doenças crônicas e associadas a preconceito, como a infecção pelo HIV, esses obstáculos podem ser ainda mais evidentes. Em suma, quanto menos visitas a unidades de saúde uma vacina exigir, maior tende a ser a adesão em populações diversas.

Um imunizante que ofereça proteção após uma única visita tende a facilitar o planejamento de ações em diferentes contextos:

  1. Organização de campanhas: menos etapas e menor risco de abandono do esquema;
  2. Custos reduzidos: economia de insumos, transporte e armazenamento ao longo do tempo;
  3. Acesso em regiões remotas: comunidades distantes de centros urbanos podem ser atendidas em ações pontuais;
  4. Adequação para populações vulneráveis: pessoas com dificuldade de retorno a serviços de saúde são mais facilmente contempladas.

Essas vantagens ganham peso em uma realidade em que o HIV ainda registra novos casos todos os anos. Mesmo com terapias antirretrovirais, profilaxia pré-exposição (PrEP) e medicamentos injetáveis de longa duração, a transmissão do vírus persiste. Então, uma vacina prática, se demonstrar eficácia robusta, poderia integrar um conjunto de ferramentas de prevenção, reduzindo a dependência exclusiva de métodos já existentes. Portanto, do ponto de vista de saúde pública, uma dose única tem potencial para se tornar um componente-chave de estratégias combinadas de prevenção, sobretudo em países com poucos recursos ou com grandes desigualdades regionais.

O que ainda falta para uma vacina contra HIV chegar às pessoas?

Apesar da repercussão, os pesquisadores ressaltam que a vacina experimental contra o HIV ainda se encontra em fase pré-clínica. Até agora, as avaliações foram feitas somente em animais. Não se sabe se o mesmo padrão de resposta imune será reproduzido em seres humanos, nem se o nível de anticorpos observado será suficiente para impedir a infecção em situações reais, como relações sexuais desprotegidas ou compartilhamento de seringas. Além disso, fatores como idade, condições de saúde, outras infecções e uso de medicamentos podem influenciar a resposta à vacina.

Para avançar, alguns passos são considerados fundamentais:

  • Ensaios de segurança em humanos: monitorar possíveis reações adversas e efeitos a curto e médio prazo;
  • Definição de dose: testar quantidades diferentes da vacina para equilibrar proteção e segurança;
  • Fases clínicas progressivas: iniciar com pequenos grupos e, em seguida, ampliar para populações maiores e variadas;
  • Avaliação da duração da resposta: acompanhar por quanto tempo os anticorpos permanecem em níveis considerados protetores;
  • Estudos de eficácia: comparar a taxa de novas infecções entre grupos vacinados e não vacinados.

Enquanto esses estudos não são concluídos, o enfrentamento do HIV segue apoiado em estratégias já consolidadas, como o diagnóstico precoce, o uso contínuo de antirretrovirais, a PrEP, a profilaxia pós-exposição e o uso de preservativos. A linha de pesquisa representada pela WIN332 se soma a outros projetos em andamento, incluindo vacinas baseadas em RNA mensageiro e novas formulações de prevenção de longa duração, compondo um cenário em que diferentes abordagens são testadas em busca de uma proteção mais ampla contra o vírus. Em suma, o caminho até uma vacina aprovada exige tempo, rigor científico e acompanhamento cuidadoso, porém cada estudo bem-sucedido em animais representa um passo concreto em direção a esse objetivo.

FAQ – Perguntas frequentes sobre a vacina experimental contra o HIV

1. A vacina WIN332 pode curar quem já vive com HIV?
Não. A proposta dessa vacina contra HIV é agir de forma preventiva, isto é, reduzir o risco de novas infecções. Ela não elimina o vírus de pessoas que já vivem com HIV. Portanto, quem já recebeu o diagnóstico ainda depende do tratamento com antirretrovirais e do acompanhamento médico regular.

2. Em quanto tempo, teoricamente, uma vacina como essa poderia chegar ao público?
Os prazos variam bastante, porém, mesmo em cenários otimistas, ensaios clínicos costumam levar anos. Depois da fase em animais, vêm três fases principais em humanos, além da avaliação por agências regulatórias. Então, mesmo com boa resposta inicial, ainda existe um percurso longo até qualquer possível aprovação.

3. Essa vacina substituiria a PrEP e o uso de preservativos?
Não. Mesmo que uma vacina contra HIV em dose única se mostre eficaz, as autoridades de saúde tendem a manter uma combinação de estratégias: PrEP, preservativos, testagem regular e tratamento de quem vive com o vírus. Em suma, uma vacina eficaz acrescenta mais uma camada de proteção, mas não torna dispensáveis as demais medidas, especialmente em grupos de maior risco.

4. A tecnologia usada na WIN332 se relaciona às vacinas de RNA mensageiro?
A WIN332 foca principalmente na apresentação de uma região específica da proteína Env (Glicano V3). Já as vacinas de RNA mensageiro utilizam moléculas de RNA que instruem o organismo a produzir temporariamente proteínas virais. Entretanto, as duas estratégias podem se complementar: no futuro, plataformas de RNA podem carregar justamente alvos definidos por estudos como o da WIN332.

5. Pessoas com imunidade baixa responderiam bem a uma vacina de dose única?
Essa questão ainda não tem resposta definitiva. Em estudos futuros, grupos com diferentes níveis de imunidade, como pessoas com doenças crônicas ou uso de imunossupressores, precisam de avaliação específica. Portanto, somente os ensaios clínicos em humanos vão esclarecer se a proteção permanece adequada nesses contextos.

Tags: hivimuneuma dosevacina
EnviarCompartilhar30Tweet19Compartilhar

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comer alimentos vencidos faz mal? Veja os riscos para o organismo

04/02/2026
Crenças sobre o câncer que atrapalham o tratamento, segundo oncologista

Crenças sobre o câncer que atrapalham o tratamento, segundo oncologista

04/02/2026
Hospital chama antibombas após paciente dar entrada com projétil no ânus

Hospital chama antibombas após paciente dar entrada com projétil no ânus

04/02/2026
Rica em ferro e cálcio, planta ganha destaque por benefícios à saúde

Rica em ferro e cálcio, planta ganha destaque por benefícios à saúde

04/02/2026
Casos de câncer de cabeça e pescoço crescem entre mulheres e pessoas pardas

Casos de câncer de cabeça e pescoço crescem entre mulheres e pessoas pardas

04/02/2026
Com apenas uma dose, vacina experimental contra HIV gera resposta imune

Com apenas uma dose, vacina experimental contra HIV gera resposta imune

04/02/2026
  • Sample Page
Sem resultado
Veja todos os resultados