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Leitura em crise: saiba como as telas impactam o hábito de ler

Por Larissa
05/02/2026
Em Sociedade
Leitura em crise: saiba como as telas impactam o hábito de ler

Créditos: depositphotos.com / KostyaKlimenko

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O debate sobre leitura, alfabetização e uso de tecnologia ganhou força nos últimos anos, especialmente com a expansão das redes sociais, do consumo de vídeos curtos e das plataformas digitais. No Brasil, a situação traz sinais de alerta. Pesquisas apontam 53% dos brasileiros não leu nenhum livro nos três meses anteriores à entrevista, e que o nível de alfabetismo funcional entre jovens apresenta oscilação negativa.

Levantamentos de larga escala sobre habilidades de leitura e matemática básica indicam que cerca de 3 em cada 10 adultos têm dificuldade para interpretar instruções simples, localizar informações em textos curtos ou compreender gráficos e tabelas presentes em contas de luz, extratos bancários e comunicados de trabalho. Em alguns estudos nacionais, aproximadamente um quinto da população adulta permanece em níveis considerados elementares de proficiência leitora, o que significa conseguir decodificar palavras, mas com limitações importantes para relacionar ideias, identificar pontos principais de um texto ou comparar informações.

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Além disso, estudos nacionais e internacionais mostram que o aumento do tempo de tela — especialmente em atividades de uso passivo e disperso, como rolagem infinita em redes sociais — está associado à queda do tempo dedicado à leitura profunda e ao aumento de dificuldades de compreensão de textos extensos.

Leitura e tecnologia digital: inimigas ou aliadas?

A expansão de celulares, redes sociais e plataformas de entretenimento trouxe uma dúvida recorrente: em que medida o uso intenso de tecnologia está relacionado ao enfraquecimento do hábito de leitura? Especialistas destacam que não há uma relação automática de oposição entre mundo digital e livros. No entanto, um conjunto crescente de pesquisas aponta que o tipo de uso mais frequente das telas — consumo de conteúdos extremamente curtos, fragmentados e altamente estimulantes — está associado à redução do tempo e da disposição para a leitura profunda.

O consumo contínuo de vídeos de poucos segundos, textos rasos e manchetes isoladas tende a reduzir a paciência para textos densos e para raciocínios mais elaborados. Estudos com crianças, adolescentes e adultos mostram que a exposição prolongada a esse padrão de conteúdo está ligada a maior impulsividade na leitura, dificuldade de manter foco por longos períodos e maior propensão a abandonar textos assim que surgem pequenas dificuldades de compreensão. Em muitos casos, adultos e jovens substituem materiais que exigem foco – como livros, reportagens longas ou documentos técnicos – pela navegação constante em feeds de redes sociais. Essa mudança de hábito pode afetar a concentração, a memória de longo prazo e a capacidade de estruturar argumentos. Pesquisas de atenção e sobrecarga cognitiva também apontam que a alternância contínua entre aplicativos, notificações e abas abertas fragmenta o raciocínio e reduz a profundidade da compreensão.

Por outro lado, o ambiente digital oferece recursos valiosos quando bem utilizados: bibliotecas virtuais, cursos on-line, clubes de leitura, aplicativos de organização de estudos e até plataformas de livros digitais gratuitos ou de baixo custo. O ponto central está no equilíbrio entre conteúdo superficial e experiências de leitura profunda. Estudos sobre “leitura em tela” indicam que, quando o dispositivo é usado de forma focada (por exemplo, com notificações desativadas e tempo dedicado exclusivamente a um livro digital), o prejuízo à compreensão pode ser minimizado, aproximando-se da experiência com o papel — o que reforça a ideia de que o problema não é a tela em si, mas o contexto de uso e o tipo de conteúdo priorizado. Iniciativas de design mais “amigável à leitura”, como modos escuros, fontes adequadas, margens generosas e recursos de anotações, também têm sido testadas para apoiar uma leitura digital mais calma e intencional.

Como fortalecer o hábito de leitura em meio às telas?

  • Ambientes de leitura em casa: mesmo com poucos recursos, separar um espaço tranquilo, com alguns livros, revistas ou jornais, ajuda a associar leitura a um momento cotidiano. Pesquisas mostram que famílias que estabelecem rotinas com tempo de tela limitado e períodos específicos de leitura tendem a ter crianças com melhor compreensão textual. Pequenos rituais, como deixar livros ao alcance de todos e desligar a TV em determinados horários, contribuem para tornar a leitura uma prática visível e valorizada.
  • Uso de bibliotecas públicas e escolares: ainda que nem todas sejam bem equipadas, muitas oferecem empréstimo gratuito e atividades de mediação de leitura. Projetos que combinam acesso a livros físicos com orientação sobre uso mais consciente de telas têm mostrado resultados positivos na ampliação do tempo de leitura de qualidade. Em alguns municípios, programas de “biblioteca itinerante” e “malas de leitura” levam livros a comunidades com baixo acesso, muitas vezes acompanhados de oficinas sobre organização do tempo entre estudos, lazer e redes sociais.
  • Leitura compartilhada em família: pais e responsáveis que leem na frente dos filhos costumam influenciar diretamente o interesse das crianças por livros e textos. Quando essa leitura é proposta como alternativa concreta à “rolagem” nas redes sociais — por exemplo, instituindo noites sem tela ou horários em que todos leem juntos —, a família ajuda a criar uma cultura em que o livro não concorre diretamente com o apelo imediato dos vídeos curtos. Contar histórias, comentar notícias do dia e discutir livros em conversas informais também reforça a ideia de que ler é uma atividade social, e não apenas uma obrigação escolar.
  • Mediação de professores e educadores: indicação de obras atraentes, debates em sala de aula e projetos de leitura contínuos favorecem o desenvolvimento do gosto pela leitura. Educadores também podem trabalhar a educação midiática, discutindo com os alunos como o desenho das plataformas digitais (notificações, curtidas, autoplay) influencia a atenção e como isso afeta a capacidade de se concentrar em textos complexos. Projetos que combinam leitura de livros com análise crítica de posts, memes e notícias ajudam os estudantes a perceber as diferenças entre consumo rápido de conteúdo e leitura aprofundada.

Além dessas ações, o uso inteligente de recursos digitais pode ajudar. Plataformas de livros eletrônicos, clubes de leitura on-line e aplicativos que registram metas de leitura diária podem funcionar como incentivo, desde que não substituam o contato atento com o texto. Em muitos casos, combinar livros físicos e e-books amplia as possibilidades de acesso, principalmente em regiões com poucas livrarias. Pesquisas sobre autorregulação digital sugerem que funcionalidades como bloqueadores de aplicativos, temporizadores de uso de redes sociais e modos de leitura sem distrações podem reduzir o impacto negativo das telas sobre a concentração e ajudar a preservar espaços de leitura profunda. Estratégias simples, como definir “ilhas de concentração” de 20 ou 30 minutos diários dedicados exclusivamente à leitura, mostram bons resultados em programas de incentivo ao hábito leitor.

Rumo a uma cultura de leitura mais consistente

Em um mundo cada vez mais digital, o desafio parece menos sobre rejeitar a tecnologia e mais sobre aprender a usá-la sem abrir mão de textos que exigem atenção, raciocínio e tempo. Isso envolve reconhecer, com base em pesquisas, que certos formatos e tempos de uso de tela prejudicam a concentração e a compreensão, e desenhar estratégias para protegê-la: horários sem notificações, rotinas de leitura, uso de dispositivos em modo de leitura e valorização de momentos longe das telas. Ao fortalecer hábitos de leitura e melhorar o alfabetismo funcional, a sociedade amplia sua capacidade de enfrentar informações complexas, lidar com mudanças rápidas e participar de decisões que vão além do imediato.

FAQ – Perguntas frequentes sobre leitura, telas e alfabetismo funcional

1. Quantas horas de tela por dia são consideradas razoáveis para não prejudicar a leitura?
Pesquisas variam, mas muitos especialistas sugerem que, para adultos, é importante reservar ao menos 30 a 60 minutos diários para leitura profunda, reduzindo o uso de telas para entretenimento quando esse tempo começa a ser comprometido. Para crianças e adolescentes, sociedades de pediatria recomendam limites diários de tela recreativa (geralmente entre 1 e 3 horas, conforme a idade) e, sobretudo, períodos do dia totalmente livres de dispositivos, como antes de dormir e durante as refeições.

2. Ler em e-book é pior do que ler em livro físico?
Não necessariamente. A principal diferença está no contexto de uso: quando o dispositivo é compartilhado com redes sociais, jogos e notificações, a chance de interrupções aumenta. Em leitores digitais dedicados, ou em tablets e celulares com modo de leitura ativado e notificações bloqueadas, os estudos mostram que a compreensão pode se aproximar bastante da leitura em papel, especialmente em textos de tamanho médio. Para muitos leitores, a melhor solução é combinar ambos os formatos, aproveitando o que cada um oferece de mais conveniente.

3. Audiolivros ajudam a desenvolver habilidades de leitura?
Audiolivros podem ampliar o contato com histórias, vocabulário e ideias, o que é positivo para o repertório cultural e para a compreensão oral. No entanto, eles não substituem completamente a prática da leitura visual, que envolve outros processos cognitivos (como o acompanhamento da estrutura do texto na página, a decodificação e o treino de foco visual). Uma boa estratégia é alternar: ouvir audiolivros em deslocamentos e, quando possível, ler em formato escrito para treinar especificamente a habilidade de leitura.

4. O que escolas e empresas podem fazer juntas para melhorar o alfabetismo funcional?
Parcerias entre redes de ensino e empresas podem criar programas de formação que unam leitura de textos reais do mundo do trabalho (manuais, relatórios, instruções) a projetos de leitura literária e de educação midiática. Estágios, programas de jovem aprendiz e cursos de qualificação podem incluir módulos de leitura crítica, interpretação de gráficos e uso consciente de tecnologias, aproximando o que se aprende na escola das demandas efetivas do ambiente profissional.

5. Como começar um hábito de leitura se eu quase não leio nada hoje?
Uma recomendação recorrente em programas de incentivo à leitura é começar pequeno e com prazer: textos curtos, temas de interesse pessoal (esportes, culinária, biografias, quadrinhos, contos) e metas modestas, como 10 a 15 minutos por dia, sempre no mesmo horário. Com o tempo, é possível aumentar a duração e a complexidade dos textos. Criar um “ritual de leitura” — escolher um lugar específico, desligar notificações e ter o material sempre à mão — ajuda a transformar a leitura em parte estável da rotina, mesmo em um cotidiano cheio de telas.

Tags: excesso de telasleituraleitura infantillivros
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