O câncer de próstata é considerado o tumor maligno mais frequente entre os homens no Brasil, desconsiderando os cânceres de pele não melanoma. A doença costuma se desenvolver de forma lenta e, em muitos casos, apresenta sintomas discretos ou inexistentes nas fases iniciais. Esse caráter silencioso faz com que o diagnóstico precoce dependa, principalmente, da realização regular de exames preventivos. Portanto, quando o homem entende essa característica da doença, ele tende a procurar ajuda médica mais cedo e aumentar as chances de um tratamento bem-sucedido.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que, em 2026, dezenas de milhares de brasileiros devem receber o diagnóstico de câncer de próstata. Homens com mais de 60 anos, pessoas negras, indivíduos com obesidade e aqueles com histórico da doença em parentes de primeiro grau compõem o grupo considerado de maior risco. A combinação desses fatores torna o acompanhamento médico contínuo uma prática fundamental. Em suma, quanto mais fatores de risco o homem acumula, maior a necessidade de vigilância, conversas francas com o urologista e exames regulares.
Quais são os principais sintomas do câncer de próstata?
Nos estágios iniciais, o câncer de próstata tende a ser assintomático, o que significa que muitos homens não percebem alterações no dia a dia. Com a progressão do tumor, podem surgir sinais relacionados, sobretudo, ao trato urinário. Entre eles, estão mudanças na forma de urinar, desconfortos na região pélvica e alterações na ejaculação. É comum que esses sintomas sejam confundidos com problemas benignos da próstata, como a hiperplasia prostática benigna. Entretanto, mesmo quando o homem acredita que se trata de algo “simples” ou “da idade”, a orientação médica se mostra essencial para afastar a possibilidade de câncer.
Algumas manifestações costumam chamar mais atenção e merecem avaliação médica rápida. Entre os sintomas mais encontrados em pacientes com suspeita de câncer de próstata, destacam-se:
- Dificuldade para iniciar ou interromper o ato de urinar;
- Diminuição da força ou do volume do jato urinário;
- Aumento da frequência urinária, inclusive à noite;
- Presença de sangue na urina ou no sêmen;
- Dor ou desconforto pélvico persistente;
- Dificuldade ou dor ao ejacular.
Em casos mais avançados, quando há metástase óssea, podem surgir dores nos ossos, fraturas sem traumas significativos e perda de peso não intencional. Esses sinais indicam disseminação da doença para outras áreas do corpo e geralmente aparecem em fases mais tardias. Então, diante de qualquer sintoma persistente, o ideal envolve evitar a automedicação e procurar um profissional de saúde, pois o tempo faz grande diferença no prognóstico.
Como é feito o rastreamento do câncer de próstata?
O rastreamento do câncer de próstata tem como objetivo identificar alterações antes do aparecimento de sintomas intensos. Sociedades médicas e órgãos de saúde recomendam que homens a partir de 50 anos conversem com o urologista sobre os benefícios e riscos dos exames de rotina. Para aqueles com histórico familiar da doença ou pertencentes a grupos de maior risco, essa avaliação costuma ser indicada a partir dos 45 anos. Portanto, a decisão de iniciar o rastreamento deve acontecer de forma individualizada, após um diálogo claro entre médico e paciente.
Os dois principais exames utilizados no rastreio são:
- PSA (Antígeno Prostático Específico): exame de sangue que mede a concentração de uma proteína produzida pela próstata. Valores alterados não significam, obrigatoriamente, câncer, mas funcionam como um sinal de alerta. Em suma, o PSA auxilia na identificação de alterações precoces, porém sempre precisa ser interpretado em conjunto com a avaliação clínica e outros exames.
- Toque retal: exame físico simples e rápido, em que o médico avalia o tamanho, a consistência e a presença de nódulos na próstata. Apesar de cercado por estigmas, continua sendo uma ferramenta importante na avaliação prostática. Então, quando o homem supera o tabu e realiza o exame, ele contribui de forma decisiva para sua própria saúde.
Quando esses exames apontam alterações suspeitas, o especialista pode solicitar exames de imagem e biópsia da próstata, que é o procedimento capaz de confirmar ou descartar o diagnóstico de câncer. O material coletado é analisado em laboratório, permitindo identificar o tipo de tumor e o grau de agressividade. Entretanto, nem todo resultado alterado significa um quadro grave; o urologista avalia todos os dados em conjunto para definir os próximos passos de maneira segura e personalizada.
Câncer de próstata é sempre agressivo?
O comportamento do câncer de próstata é bastante variável. A maioria dos tumores identificados é classificada como de baixo ou intermediário risco, o que significa crescimento lento e menor probabilidade de disseminação rápida. Em muitos desses casos, o médico pode optar por estratégias como vigilância ativa, com acompanhamento periódico por meio de exames, antes de indicar tratamentos mais invasivos. Portanto, nem sempre o diagnóstico leva imediatamente a cirurgias ou terapias intensivas; muitas vezes, o acompanhamento cuidadoso já se mostra suficiente por determinado período.
Uma parte menor dos casos corresponde aos tumores de alto risco, considerados mais agressivos. Nessas situações, é comum que, no momento do diagnóstico, já exista comprometimento de linfonodos ou metástase para ossos. Em estágios ainda mais avançados, a doença pode alcançar órgãos como fígado, pulmão e, em situações raras, o cérebro. O conhecimento do grau de agressividade orienta a escolha da terapia, que pode incluir cirurgia, radioterapia, hormonioterapia e outros recursos combinados. Em suma, o plano terapêutico costuma ser desenhado de forma multidisciplinar, envolvendo diferentes especialistas para aumentar as chances de controle da doença.
Além do estágio e da classificação do tumor, fatores como idade, presença de outras doenças, expectativa de vida e qualidade de vida esperada influenciam as decisões terapêuticas. A informação clara e o diálogo entre paciente, família e equipe de saúde costumam favorecer escolhas mais adequadas para cada realidade. Então, o envolvimento ativo do paciente nas decisões, com entendimento dos benefícios e possíveis efeitos colaterais, torna o tratamento mais alinhado às prioridades de cada pessoa.
Como reduzir o risco e cuidar da saúde da próstata?
Embora não exista método totalmente eficaz para evitar o câncer de próstata, algumas medidas podem ajudar na redução de riscos e na detecção antecipada. Manter hábitos saudáveis e realizar consultas regulares são atitudes apontadas com frequência por profissionais da área. Portanto, o cuidado diário com o corpo e a mente complementa o acompanhamento médico e fortalece a saúde como um todo.
- Alimentação equilibrada, com maior consumo de frutas, verduras, legumes e menor ingestão de alimentos ultraprocessados;
- Prática regular de atividade física, respeitando condições individuais;
- Controle do peso corporal, evitando a obesidade;
- Redução do consumo de álcool e abandono do tabagismo;
- Consulta periódica com urologista, especialmente após os 50 anos ou mais cedo em grupos de risco.
Ao longo dos últimos anos, campanhas de conscientização, como as ações realizadas em novembro, têm buscado diminuir o tabu em torno do exame de próstata e incentivar a conversa aberta sobre o tema. Em um cenário em que o câncer de próstata segue entre os mais incidentes no país, a combinação de informação, autocuidado e acesso aos serviços de saúde continua sendo uma das principais estratégias para reduzir diagnósticos tardios e melhorar o prognóstico dos casos identificados. Em suma, quando o homem se informa, cuida da alimentação, pratica exercícios e mantém o acompanhamento urológico, ele dá passos concretos para proteger a saúde da próstata e aumentar suas chances de um envelhecimento com mais qualidade de vida.
FAQ – Perguntas frequentes sobre câncer de próstata
1. Câncer de próstata tem cura?
Em muitos casos, especialmente quando o diagnóstico acontece em fase inicial, o câncer de próstata pode ser controlado ou curado com cirurgia, radioterapia e outros tratamentos. Entretanto, o sucesso depende do estágio da doença, do grau de agressividade do tumor e das condições gerais de saúde do paciente.
2. Todo aumento da próstata significa câncer?
Não. A próstata pode aumentar de tamanho por causas benignas, como a hiperplasia prostática benigna (HPB), muito comum em homens mais velhos. Portanto, só o urologista, por meio de exames clínicos, laboratoriais e de imagem, consegue diferenciar aumento benigno de um possível tumor maligno.
3. Quem não sente nada precisa fazer exame de próstata?
Sim. O fato de não sentir sintomas não elimina o risco, já que o câncer de próstata costuma se desenvolver de forma silenciosa no início. Então, o rastreamento com PSA e toque retal, dentro da faixa etária recomendada e de acordo com os fatores de risco individuais, torna-se importante para detectar alterações precoces.
4. Alimentação pode ajudar na prevenção?
Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e gorduras boas, aliada à redução de ultraprocessados, frituras e excesso de açúcar, contribui para o controle do peso e para a saúde geral. Portanto, embora a alimentação, isoladamente, não garanta prevenção absoluta, ela integra uma estratégia mais ampla de redução de risco.
5. Tratamento de câncer de próstata sempre causa impotência?
Nem sempre. Alguns tipos de cirurgia e radioterapia podem afetar a função erétil, porém técnicas mais modernas buscam preservar nervos e estruturas importantes. Em suma, o impacto na vida sexual varia conforme o tipo de tratamento, a experiência da equipe e as características do paciente. Existem ainda terapias de reabilitação sexual que ajudam a recuperar, total ou parcialmente, a função erétil.
6. Homens jovens podem ter câncer de próstata?
A doença aparece com maior frequência após os 50 anos; entretanto, homens mais jovens, especialmente com forte histórico familiar ou mutações genéticas específicas, também podem desenvolver o câncer. Portanto, em situações de risco aumentado, o acompanhamento precisa começar mais cedo, de forma orientada pelo urologista.
7. Exame de PSA precisa de preparo?
Em geral, o médico recomenda evitar ejaculação, esforço físico intenso e uso recente de bicicleta ou motocicleta nas 48 horas anteriores, pois essas situações podem alterar o resultado. Então, o ideal envolve seguir as orientações passadas pelo profissional de saúde ou pelo laboratório antes da coleta de sangue.









