O uso de medicamentos injetáveis para emagrecer, popularmente chamados de canetas emagrecedoras, tem se popularizado no tratamento da obesidade e na busca por perda de peso mais rápida. Esses fármacos atuam por meio do hormônio GLP-1, que aumenta a saciedade e auxilia no controle da glicemia. No entanto, relatos de queda de cabelo durante o processo de emagrecimento levantam dúvidas sobre a segurança desses tratamentos, especialmente entre pessoas com histórico de fragilidade capilar.
Canetas emagrecedoras causam queda de cabelo?
O medicamento em si não é formulado com o objetivo de afetar diretamente os folículos capilares e, até o momento, não há evidências sólidas de que os análogos de GLP-1 sejam tóxicos para o bulbo capilar. O que costuma estar por trás do problema é o conjunto de mudanças que acompanha o emagrecimento rápido, como redução brusca de calorias, perda acelerada de peso e possíveis deficiências de nutrientes importantes.
Nessas situações, o organismo pode passar por um tipo de “reorganização de prioridades”. Em fases de estresse físico mais intenso, o corpo tende a concentrar energia e nutrientes em órgãos vitais e em funções essenciais, podendo deixar estruturas como cabelos e unhas em segundo plano. Esse fenômeno é conhecido como eflúvio telógeno, quadro no qual os fios entram em fase de queda de forma mais acentuada, geralmente de maneira temporária, manifestando-se cerca de 2 a 4 meses após o gatilho (no caso, o emagrecimento rápido ou o estresse metabólico).
Além disso, o tempo de uso da caneta emagrecedora, a intensidade da restrição alimentar e a presença de doenças pré-existentes podem influenciar o risco de alopecia transitória. Questões hormonais, como alterações de tireoide, ovário policístico ou menopausa, também podem atuar em conjunto com o processo de perda de peso. Por isso, especialistas costumam reforçar que qualquer mudança percebida na densidade capilar durante o tratamento deve ser avaliada, em vez de ser atribuída automaticamente ao medicamento.
Qual o papel da alimentação na queda de cabelo durante o emagrecimento?
A qualidade da dieta é um dos pontos mais relevantes na discussão sobre emagrecimento com caneta e saúde capilar. Em muitos casos, a perda de peso rápida é acompanhada de dietas muito restritivas, com baixa ingestão de proteínas, ferro, zinco, biotina e vitaminas do complexo B, nutrientes fundamentais para a renovação dos fios. Quando essas substâncias ficam em falta, o cabelo tende a perder brilho, volume e resistência, favorecendo a queda.
Alguns elementos costumam ser destacados em planos alimentares voltados à preservação dos fios durante o uso de canetas emagrecedoras:
- Proteínas: encontradas em carnes magras, ovos, laticínios, leguminosas e oleaginosas, são essenciais para a formação da queratina do cabelo e para a manutenção da fase de crescimento (anógena) dos fios.
- Ferro e zinco: presentes em carnes, feijão, lentilha, grão-de-bico e sementes, participam de processos de crescimento capilar, oxigenação do couro cabeludo e divisão celular na raiz do fio.
- Vitaminas do complexo B: importantes para o metabolismo energético e para a saúde do couro cabeludo, atuando na qualidade da haste capilar e na redução de fragilidade.
- Gorduras boas: como aquelas dos peixes, azeite e castanhas, que contribuem para a integridade da pele e dos fios, ajudando a manter o couro cabeludo mais hidratado e menos propenso a inflamações.
Quando um profissional de saúde acompanha de perto o tratamento, há maior chance de ajustes na dieta ou indicação de suplementação, caso exames laboratoriais apontem carências nutricionais relacionadas à queda de cabelo. É importante ressaltar que a suplementação deve ser personalizada: excesso de determinados nutrientes, como vitamina A, também pode desencadear queda capilar, motivo pelo qual a automedicação não é recomendada.
Quais cuidados podem reduzir o risco de queda de cabelo?
Algumas medidas práticas costumam ser orientadas por médicos e nutricionistas para diminuir a chance de eflúvio telógeno ou minimizar o impacto da perda de peso sobre o cabelo durante o uso de caneta emagrecedora:
- Evitar perda de peso extremamente rápida, privilegiando metas realistas e progressivas, de preferência associadas a mudanças de estilo de vida sustentáveis em vez de dietas radicais.
- Manter acompanhamento médico regular, com ajustes de dose e avaliação de efeitos colaterais, incluindo queixas de queda capilar, alterações na pele, fadiga intensa ou mudanças de humor.
- Realizar exames de sangue periódicos para checar ferro, ferritina, zinco, vitaminas e função tireoidiana, além de outros marcadores que o especialista julgar necessários frente ao quadro clínico.
- Planejar a alimentação com ajuda de nutricionista, garantindo aporte adequado de proteínas e micronutrientes, mesmo com a redução calórica total.
- Cuidar do couro cabeludo com higiene adequada e evitar procedimentos químicos agressivos em fases de queda, como alisamentos, descolorações frequentes ou uso excessivo de fontes de calor sem proteção térmica.
Em muitos casos, quando o peso se estabiliza e as deficiências nutricionais são corrigidas, os fios tendem a voltar ao padrão anterior ao episódio de queda, o que reforça o caráter geralmente temporário do quadro. O crescimento, porém, pode levar alguns meses para ser percebido, pois o ciclo capilar é lento. Nessa fase, intervenções tópicas ou orais eventualmente prescritas pelo dermatologista podem acelerar a recuperação, dependendo da causa identificada.
FAQ – Perguntas frequentes sobre canetas emagrecedoras e cabelo
1. Toda pessoa que usa caneta emagrecedora vai ter queda de cabelo?
Não. Muitas pessoas utilizam esses medicamentos sem notar qualquer alteração nos fios. O risco aumenta principalmente quando há perda de peso muito rápida, dieta mal planejada ou problemas de saúde associados. Tratamentos lentos, supervisionados e com alimentação adequada tendem a ter menor impacto na saúde capilar.
2. A queda de cabelo começa logo que começo a usar a caneta?
Geralmente não. No eflúvio telógeno, a queda costuma aparecer semanas ou meses após o gatilho (como emagrecimento acelerado, cirurgia, infecção ou estresse). Assim, mesmo que a caneta e a dieta sejam o fator desencadeante, é comum o paciente perceber a queda apenas depois de algum tempo de uso ou após já ter perdido vários quilos.
3. Suspender a caneta emagrecedora faz o cabelo parar de cair?
Nem sempre. Como a causa costuma ser multifatorial, apenas interromper o medicamento pode não resolver o problema. Em muitos casos, é mais efetivo ajustar a alimentação, corrigir deficiências nutricionais, revisar outros medicamentos em uso e tratar eventuais alterações hormonais. A decisão de manter ou interromper a caneta deve ser tomada junto ao médico.
4. Posso usar vitaminas para o cabelo por conta própria durante o uso da caneta?
O ideal é não suplementar por conta própria. Excesso de algumas vitaminas e minerais também pode prejudicar o cabelo ou outros órgãos. O mais seguro é conversar com o médico ou nutricionista, realizar exames e, se houver necessidade, usar suplementos específicos na dose adequada para o seu caso.
5. Quem já tem calvície de padrão familiar corre mais risco?
Quem tem predisposição genética à calvície (alopecia androgenética) pode perceber a condição “se manifestar” mais cedo ou acelerar em períodos de estresse físico ou nutricional, como ocorre em emagrecimentos muito rápidos. Nesses casos, além de cuidar da nutrição, pode ser necessário tratamento específico para a calvície, indicado por dermatologista.






