O acesso ao tratamento contra diabetes tipo 2 e obesidade no Brasil começa a mudar a partir desta sexta-feira. A patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como o Ozempic, expirou hoje, 20 de março de 2026, abrindo caminho para a produção de versões concorrentes. Por se tratar de um medicamento biológico, não haverá “genéricos” tradicionais, mas sim “biossimilares” ou análogos sintéticos. A principal consequência esperada é uma redução expressiva no preço, tornando a terapia mais acessível para milhões de pessoas.
Atualmente, o custo mensal do tratamento pode ultrapassar os mil reais, um valor que limita o uso contínuo para grande parte da população. Com o fim da exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk, outros laboratórios poderão fabricar o medicamento, o que naturalmente força uma queda nos preços devido à concorrência.
A mudança no mercado ocorre a partir de hoje, com a expiração da patente. No entanto, o processo para que os primeiros biossimilares cheguem às prateleiras ainda levará um tempo, pois envolve a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O órgão, que já tem ao menos 14 pedidos de registro em análise, avalia a qualidade e a eficácia para garantir que a nova versão seja equivalente ao medicamento de referência. A expectativa é que os primeiros concorrentes estejam disponíveis ao longo de 2026.
O que esperar na prática
A chegada de versões biossimilares da semaglutida trará impactos diretos no bolso do consumidor. Por lei, um medicamento genérico deve ser comercializado com um preço pelo menos 35% menor que o do produto original, regra que serve como referência para os concorrentes. Na prática, a competição entre fabricantes pode levar a descontos que superam 50%, ampliando o acesso de forma significativa.
Além do preço reduzido, a disponibilidade do medicamento tende a aumentar. Com mais empresas produzindo, a oferta nas farmácias se torna mais estável, diminuindo os riscos de desabastecimento, um problema já enfrentado por usuários do Ozempic em períodos de alta procura.
É fundamental lembrar que os medicamentos biossimilares possuem um princípio ativo altamente similar, na mesma dose e forma farmacêutica que os de referência. Eles passam por rigorosos testes de comparabilidade para comprovar que têm a mesma eficácia e segurança. Portanto, a qualidade do tratamento é mantida.
Mesmo com a futura disponibilidade de versões mais baratas, a semaglutida continuará sendo um medicamento de venda sob prescrição médica. O acompanhamento profissional é indispensável para garantir o uso correto e seguro, seja para o controle do diabetes ou para o tratamento da obesidade.






