A recente Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, acendeu um alerta para pais e educadores. O estudo revelou um aumento nos casos de bullying, especialmente na persistência das agressões: 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos afirmaram ter sofrido bullying. Embora o aumento total tenha sido de 0,7 ponto percentual em relação à pesquisa anterior, a parcela de alunos que vivenciou a violência repetidamente cresceu mais de 4 pontos percentuais, tornando a questão uma preocupação central no ambiente escolar.
Segundo o levantamento, os principais motivos para a prática foram a aparência do rosto ou cabelo (30,2%) e do corpo (24,7%), com as meninas sendo mais afetadas (43,3%) que os meninos (37,3%). Diante desse cenário, entender o que se passa com os filhos nem sempre é uma tarefa simples, mas a comunicação aberta e um olhar atento ao comportamento diário são as principais ferramentas para identificar o problema e agir de forma correta.
O que fazer se seu filho é a vítima do bullying
O primeiro passo é observar mudanças no comportamento. Crianças que sofrem bullying costumam apresentar sinais claros, embora muitas vezes não falem abertamente sobre o assunto. Fique atento se notar:
- Mudanças de humor repentinas, como isolamento, tristeza ou irritabilidade.
- Queda no rendimento escolar sem um motivo aparente.
- Desculpas frequentes para não ir à escola ou participar de atividades sociais.
- Chegar em casa com machucados, roupas rasgadas ou pertences danificados.
Ao notar esses comportamentos, o diálogo é fundamental. Converse com a criança em um ambiente seguro, sem pressionar ou julgar. Ouça com atenção e valide seus sentimentos. É importante que ela se sinta acolhida e segura para compartilhar o que está acontecendo.
Documente tudo: datas, nomes envolvidos e detalhes dos incidentes relatados. Em seguida, procure a coordenação da escola para apresentar a situação e discutir um plano de ação conjunto. Evite incentivar a vingança ou resolver o problema diretamente com os pais do outro aluno, pois isso pode agravar o quadro.
E se meu filho for o agressor?
Identificar que o próprio filho é o autor das agressões pode ser um desafio para os pais. Os sinais costumam incluir falta de empatia com o sofrimento alheio, necessidade de controle sobre os colegas e um comportamento desafiador ou agressivo também em casa. O aparecimento de objetos que não pertencem à criança é outro indício.
A abordagem precisa ser firme, mas acolhedora. Deixe claro que o bullying é uma atitude inaceitável e estabeleça consequências diretas para esse tipo de comportamento. Tente entender a causa da agressividade, que pode estar ligada a inseguranças ou à reprodução de modelos vistos em outros ambientes.
Trabalhe em parceria com a escola para monitorar o comportamento do seu filho e, se necessário, busque apoio psicológico. A terapia pode ajudar a criança a desenvolver empatia e a encontrar formas mais saudáveis de se relacionar com os outros.









