A desconfiança sobre a sinceridade masculina nos aplicativos de namoro ganhou um dado concreto: 74% das mulheres perdem o interesse ao identificar um homem com discurso “desconstruído” apenas para impressionar. O levantamento, feito pelo app Happn, acendeu o debate sobre autenticidade e levanta uma questão central: a tecnologia pode ajudar a filtrar quem é de verdade?
O fenômeno, apelidado nas redes de “homem performático” e também conhecido internacionalmente como “wokefishing”, descreve quem adota pautas como o feminismo ou a vulnerabilidade emocional de forma superficial, visando apenas a conquista. Para os usuários, a dificuldade está em separar o discurso genuíno da encenação. Diante desse cenário, os aplicativos de relacionamento investem em mecanismos para tentar garantir um ambiente mais seguro e transparente.
Embora um algoritmo não consiga ler intenções ou medir a sinceridade de uma ideologia, ele opera com base em padrões de comportamento e verificação de dados. O objetivo não é criar um “detector de mentiras”, mas sim um filtro contra perfis falsos, golpistas e comportamentos abusivos, que indiretamente eleva a qualidade das conexões.
Como os apps tentam garantir a autenticidade
As plataformas digitais usam uma combinação de tecnologia e moderação humana para aumentar a confiança. A primeira barreira é a verificação de perfil, um recurso cada vez mais comum. Geralmente, o app solicita que o usuário tire uma selfie em uma pose específica para comprovar que a pessoa por trás da conta é a mesma das fotos. Um selo de verificação é então adicionado ao perfil.
Outra frente de atuação está na análise de comportamento. Os sistemas são programados para identificar atividades suspeitas, como o envio de uma mesma mensagem para dezenas de perfis em um curto espaço de tempo, o que pode indicar um bot ou spam. Mudanças repentinas de localização ou informações inconsistentes também podem acender um alerta.
A ferramenta mais poderosa, no entanto, continua sendo a comunidade. Os aplicativos dependem das denúncias dos próprios usuários para identificar e remover perfis que violem as regras. Contas denunciadas por assédio, por usarem fotos de outras pessoas ou por disseminarem discursos de ódio são revisadas por equipes de moderação.
No fim, os mecanismos de verificação e análise de comportamento são eficazes para combater perfis falsos e golpes, mas mostram-se limitados para resolver o problema do “homem performático”. A tecnologia pode confirmar que uma pessoa é quem diz ser, mas não consegue avaliar a sinceridade de suas convicções. Portanto, a tarefa de diferenciar um discurso genuíno de uma performance calculada continua a ser uma responsabilidade humana, baseada na observação da consistência entre palavras e atitudes. A autenticidade, nesse contexto, revela-se em nuances que os algoritmos ainda não são capazes de decifrar.










