Todo 1º de abril, a internet e os grupos de amigos se enchem de brincadeiras e notícias falsas com um único objetivo: pregar uma peça. A tradição do Dia da Mentira está tão presente em nosso cotidiano que poucos se perguntam sobre sua origem. Embora não haja um consenso histórico, a teoria mais aceita nos leva de volta à França do século XVI.
Até o século XVI, os franceses celebravam o Ano-Novo em uma festa que se estendia do final de março até 1º de abril, seguindo tradições do calendário juliano. Em 1564, o rei Carlos IX determinou a mudança da celebração para 1º de janeiro. Essa alteração na França antecipou a reforma do calendário gregoriano, que só foi instituído oficialmente pelo Papa Gregório XIII em 1582. A mudança, no entanto, não foi bem aceita por todos.
Muitas pessoas, por resistência ou simples falta de informação, continuaram a comemorar a virada do ano na data antiga. Por causa disso, passaram a ser ridicularizadas, recebendo convites para festas que não existiam e presentes bizarros. Ficaram conhecidas como os “bobos de abril”. Uma das brincadeiras mais comuns era pendurar um peixe de papel nas costas de alguém, o que deu origem à expressão “poisson d’avril” (peixe de abril), usada até hoje na França para se referir às pegadinhas da data.
Outras possíveis origens para o 1º de abril
Apesar da força da história francesa, outras teorias tentam explicar o surgimento da data. Uma delas aponta para festivais da Roma Antiga, como a Hilária, que ocorria em 25 de março em homenagem à deusa Cibele. Durante a celebração, as pessoas se disfarçavam e pregavam peças umas nas outras como forma de comemorar a chegada da primavera.
Outra hipótese conecta o 1º de abril à “Festa dos Loucos”, um evento de origem eclesiástica da Idade Média em que as hierarquias sociais eram temporariamente invertidas por um dia. Os mais pobres podiam zombar dos ricos e poderosos, e um “rei dos tolos” era eleito para comandar a bagunça.
A tradição se espalhou pela Europa, chegando à Inglaterra e à Escócia no século XVIII e, posteriormente, aos Estados Unidos. No Brasil, o costume ganhou força em 1828, quando um jornal de Minas Gerais publicou a falsa notícia da morte de Dom Pedro I, desmentindo-a no dia seguinte.
Apesar da popularidade, é importante esclarecer uma dúvida comum nesta época do ano: o 1º de abril não é feriado. A data é apenas um marco no calendário para exercitar o bom humor, desde que as brincadeiras sejam leves e não prejudiquem ninguém.










