Os ataques aéreos dos EUA e de Israel ao Irã em fevereiro de 2026, e a consequente resposta iraniana com o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, acendem um alerta direto para o bolso do consumidor brasileiro. A instabilidade na região tem o poder de afetar imediatamente o custo do combustível nas bombas de todo o país, mesmo o Brasil sendo um grande produtor de petróleo.
O principal motivo é a localização estratégica do Irã. O país tem forte influência sobre o Estreito de Ormuz, controlando sete das oito ilhas principais da região, embora parte das águas territoriais pertença a Omã. Por essa passagem marítima crucial circula cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. O bloqueio parcial iniciado em março já cria um gargalo na oferta global, gerando instabilidade no mercado e pressionando o preço do barril de petróleo tipo Brent, que é a referência para a Petrobras.
Como o preço sobe na prática?
A política de preços da Petrobras considera as cotações do mercado internacional. Isso significa que, mesmo produzindo petróleo aqui, a estatal ajusta os valores de seus combustíveis com base no preço do barril e na cotação do dólar. Quando o preço do barril sobe lá fora, o reajuste para as refinarias brasileiras é quase automático.
Dessa forma, uma alta de 10 dólares no barril de petróleo, por exemplo, pode se traduzir em aumentos de centavos por litro nos postos. Esse repasse ocorre em cascata: das refinarias para as distribuidoras e, finalmente, para o consumidor final, que sente o impacto ao abastecer o veículo.
Além do preço do barril, o câmbio também entra na equação. Conflitos e instabilidades globais fazem com que investidores busquem segurança no dólar, fortalecendo a moeda norte-americana. Com o dólar mais caro, o petróleo e seus derivados, cotados na moeda, também ficam mais caros para o Brasil, pressionando ainda mais os preços internos.
A combinação desses dois fatores, alta do petróleo e valorização do dólar, cria o cenário ideal para um aumento expressivo nos preços da gasolina, do diesel e até do gás de cozinha. O impacto não se limita apenas a quem tem carro, pois o custo do frete de mercadorias e alimentos também sobe, afetando a inflação de forma generalizada.









