Em uma das pesquisas mais marcantes dos últimos anos, cientistas franceses afirmaram captar, por meio do robô Perseverance, sons que podem ser atribuídos a relâmpagos na superfície de Marte. O microfone instalado no explorador possibilitou esse registro inédito, pois ele coletou informações acústicas associadas a imagens e análises a laser das rochas marcianas. Esse feito amplia as possibilidades para o estudo dos fenômenos atmosféricos no planeta vermelho, que interessa aos astrofísicos há décadas. A identificação desses sons oferece um novo entendimento sobre o comportamento das partículas elétricas na atmosfera rarefeita de Marte. Além disso, abre oportunidades para estudos comparativos com descargas elétricas em outros planetas.
A equipe registrou 55 eventos, classificados como mini relâmpagos, durante dois anos marcianos. O grupo de pesquisadores conseguiu observar padrões ambientais porque o tempo de registro foi suficiente. Quase todos os registros ocorreram em épocas de tempestades ou redemoinhos de poeira, momentos em que a atmosfera marciana apresenta maior atividade de ventos. As descargas aproximaram-se a menos de dois metros do microfone, tornando seus sons audíveis mesmo entre vento forte e poeira levantada durante essas tempestades. Isso também contribui para a modelagem de tempestades marcianas em simulações feitas na Terra. Essas simulações, por sua vez, ajudam cientistas a entender possíveis riscos para futuras missões espaciais, tornando as análises ainda mais valiosas.
Como foram captados os sons de relâmpagos em Marte?
O Perseverance possui um conjunto de instrumentos científicos que identificam alterações acústicas e elétricas, oferecendo uma abordagem inovadora para observar o clima marciano. A equipe de cientistas instalou o microfone estrategicamente no mastro do veículo para registrar até rápidas faíscas sonoras. Essas faíscas surgem das colisões entre grãos de poeira impulsionados pelo vento. Isso proporciona uma compreensão melhor sobre como processos eletricamente carregados ocorrem fora da Terra. Para garantir dados precisos, cientistas também cruzaram as informações acústicas com leituras dos sensores meteorológicos instalados no Perseverance.
Durante a análise, os cientistas revisaram 28 horas de gravações e identificaram momentos em que sinais acústicos e elétricos apontavam a presença dessas descargas. Conforme os dados, relâmpagos associados a redemoinhos de poeira são breves e duram apenas alguns segundos. Já episódios relacionados a tempestades permanecem perceptíveis por até meia hora, o que sugere que diferentes cenários atmosféricos produzem variados tipos de descargas elétricas. O ambiente silencioso de Marte, devido à sua baixa pressão atmosférica, torna esses sons ainda mais peculiares em comparação ao que ocorre na Terra. Essas diferenças tornam o estudo marciano ainda mais interessante para a comunidade científica.
Por que raios em Marte são importantes para a ciência?
A confirmação de relâmpagos em Marte desafia cientistas há quase cinquenta anos. Até pouco tempo atrás, a existência desses fenômenos era apenas provável, pois ninguém havia apresentado evidências diretas. Marte agora une-se a planetas como Júpiter e Saturno, onde já se conhece a presença de atividades elétricas atmosféricas. Os pesquisadores destacam que esse tipo de ocorrência pode revelar novas pistas sobre a dinâmica atmosférica marciana. Esses dados também apontam para os processos que favorecem ou dificultam a existência de vida microscópica, que é um dos principais objetivos das missões planetárias. Do mesmo modo, a detecção dessas descargas pode servir para aprimorar os sistemas de comunicação e as operações remotas de equipamentos. Isso, por sua vez, reduz riscos de interferências elétricas em missões futuras.
- Atmosfera fina: Marte possui uma atmosfera composta principalmente por dióxido de carbono, o que facilita a ocorrência de faíscas porque o atrito entre partículas de poeira se intensifica.
- Possibilidade de novas descobertas: O estudo dos relâmpagos pode ampliar a compreensão sobre os ciclos climáticos do planeta vermelho. Isso contribui diretamente para futuros avanços.
- Riscos e desafios para missões futuras: Conhecer os fenômenos elétricos possibilita uma preparação melhor das missões tripuladas, reduzindo riscos a equipamentos e astronautas.
O que muda após a captação dos sons de relâmpagos marcianos?
A detecção dos sons de relâmpagos muda o entendimento sobre Marte, pois amplia o espectro de estudo do clima planetário. Agora os cientistas possuem dados objetivos para investigar como descargas elétricas aparecem e se dissipam. Isso pode ser útil para desenvolver tecnologias de proteção para robôs e, futuramente, para seres humanos que pisarem no solo marciano. Há perspectivas de transformar esses estudos em avanços práticos nos próximos anos.
Desde 2021, o Perseverance explora uma região promissora de Marte visando análises geológicas. O objetivo principal reside em encontrar registros que evidenciem vida em períodos remotos do planeta. Além dos sons de relâmpagos, o equipamento já transmitiu ruídos das rodas durante suas movimentações e também o barulho do helicóptero Ingenuity, outro recurso utilizado nas pesquisas até pouco tempo atrás. O próximo passo envolve trazer as amostras coletadas para a Terra, o que ainda não possui data definida. Cientistas esperam aprofundar suas análises em laboratório e ampliar o conhecimento sobre Marte. Para o futuro, microfones poderão exercer papel ainda mais relevante nas missões de longa duração, inclusive funcionando como alerta de condições atmosféricas adversas em tempo real.
FAQ – Perguntas Frequentes
- Os sons captados em Marte são parecidos com os da Terra?
Não exatamente. A atmosfera rarefeita de Marte faz com que os sons sejam mais abafados e agudos do que na Terra. O som dos relâmpagos, por exemplo, propaga-se de maneira diferente e desafia a interpretação dos cientistas. Dessa forma, o estudo dos sons marcianos traz novas experiências para a ciência. - O microfone pode captar outros fenômenos além de relâmpagos?
Sim. O microfone do Perseverance já registrou ventos marcianos, o som das rodas do robô, atividades do helicóptero Ingenuity e também movimentos de poeira. Essas gravações permitem um estudo abrangente das condições ambientais do planeta e aumentam o detalhamento das análises. - Essas descargas elétricas podem interferir nos equipamentos enviados de missões futuras?
Potencialmente, sim. Altas cargas elétricas podem afetar sistemas eletrônicos mais sensíveis. Assim, é fundamental compreender esses fenômenos para desenvolver tecnologias resistentes para robôs e futuras bases humanas. - Existem diferenças entre relâmpagos marcianos, terrestres e de outros planetas?
Sim. Os relâmpagos na Terra geralmente ocorrem em nuvens de água. Em Marte, a atmosfera é dominada por dióxido de carbono e partículas de poeira. Já em Júpiter e Saturno, as descargas elétricas se associam a atmosferas muito mais densas e compostas por hidrogênio e hélio. - Qual o impacto desses estudos para buscas de vida em Marte?
Entender os fenômenos elétricos pode ajudar a identificar ambientes onde reações químicas essenciais à vida ocorram com mais facilidade. Além disso, indica potenciais riscos ou oportunidades relacionadas à habitabilidade do planeta, colaborando para resultados mais completos dessas missões.










