A dor de ouvido no verão costuma aparecer justamente quando as atividades de lazer estão em alta, especialmente em viagens e dias de piscina. Esse tipo de desconforto está frequentemente ligado ao contato intenso com a água, que pode irritar o canal auditivo e favorecer infecções. Em muitas situações, o problema começa com uma sensação de ouvido tampado e vai se tornando mais intenso ao longo das horas.
A principal preocupação de médicos e especialistas é que esse quadro aparentemente simples evolua para inflamações mais sérias, como a otite externa ou média. Crianças e pessoas que passam longos períodos em piscinas, mar, rios, cachoeiras ou lagos tendem a ser mais afetadas. Por isso, entender como a exposição à água interfere na saúde auditiva ajuda a identificar sinais de alerta e adotar medidas preventivas.
Exposição à água pode causar dor de ouvido?
A exposição à água funciona como um gatilho importante para dor de ouvido, principalmente quando o canal auditivo permanece úmido por muito tempo. A água que entra no ouvido durante o mergulho pode ficar retida, gerando sensação de pressão e abafamento. Esse ambiente úmido e pouco ventilado facilita a proliferação de bactérias e fungos, aumentando o risco de otite e outras infecções.
Além da umidade constante, mergulhos mais profundos e mudanças bruscas de pressão também podem provocar desconforto. Quando o ouvido médio não consegue equilibrar a pressão interna com a externa, surge a dor, que pode vir acompanhada de sensação de estalo ou zumbido. Em piscinas com cloro e em águas com maior carga de micro-organismos, o risco de irritação e inflamação da pele do conduto auditivo é ainda maior.
Otite de verão: quais são os sinais de alerta?
A otite relacionada ao contato com água, muitas vezes chamada de “otite externa do nadador”, costuma apresentar sintomas característicos. A dor pode piorar ao tocar a parte mais externa do ouvido, especialmente o trágus, e o canal auditivo pode ficar inchado e sensível. Em alguns casos, há diminuição da audição, sensação de entupimento e presença de secreção clara, amarelada ou esverdeada.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Dor de ouvido que piora ao apertar a região da orelha externa;
- Sensação de ouvido tampado ou pressão interna;
- Coceira ou incômodo constante no canal auditivo;
- Saída de líquido ou secreção pelo ouvido;
- Redução parcial da audição no lado afetado.
Diante desses sintomas, a orientação é buscar avaliação com otorrinolaringologista. O diagnóstico precoce ajuda a definir se a dor está ligada à exposição à água, a processos alérgicos, a tampão de cera ou a outros problemas, e permite o início rápido do tratamento adequado, evitando complicações.
Como prevenir dor de ouvido e otite ao entrar na água?
A prevenção da dor de ouvido ligada à exposição à água passa por cuidados simples, que podem ser incorporados à rotina de banho, natação ou esportes aquáticos. O uso de tampões específicos para orelha, especialmente em quem passa muito tempo na água, reduz a entrada de líquido no canal auditivo. Em crianças, esse recurso costuma ser indicado quando há histórico de otite recorrente ou cirurgias na região.
Algumas medidas são frequentemente recomendadas por especialistas:
- Proteger os ouvidos com tampões próprios para natação, quando indicado;
- Secar suavemente a parte externa da orelha com toalha após o banho ou mergulho;
- Evitar cotonetes e objetos pontiagudos dentro do canal auditivo;
- Redobrar a atenção em pessoas com histórico de otite, eczemas ou coceira no ouvido;
- Procurar avaliação médica antes de períodos longos em piscinas ou mar, em casos de otite frequente.
O uso de cotonetes merece destaque. Ao contrário do que muitos imaginam, eles podem empurrar a cera para dentro, gerar pequenas lesões na pele delicada do canal auditivo e abrir caminho para bactérias e fungos presentes na água. Pequenas escoriações funcionam como porta de entrada para micro-organismos, aumentando a probabilidade de inflamações e infecções.
Quem precisa de atenção redobrada com a exposição à água?
Alguns grupos apresentam maior sensibilidade à exposição à água e à dor de ouvido associada. Crianças, principalmente as que passam as férias em piscinas ou frequentam aulas de natação, tendem a ter o conduto auditivo mais estreito, o que favorece o acúmulo de água. Pessoas que praticam esportes aquáticos de forma intensa, como surf, mergulho e natação em águas abertas, também ficam mais sujeitas a irritações constantes.
Pacientes com eczema, dermatite, descamações ou coceira crônica no ouvido precisam de acompanhamento regular, pois a pele já fragilizada reage com mais facilidade à umidade prolongada. Indivíduos com histórico de otite de repetição costumam receber orientações personalizadas, que podem incluir uso de tampões moldados, intervalos entre exposições à água e consultas preventivas antes de períodos de viagens ou treinos mais intensos.
Dessa forma, a relação entre dor de ouvido e piscina, mar ou cachoeira não se limita ao desconforto passageiro. A exposição à água, quando frequente ou associada a falta de cuidados básicos, aumenta a chance de inflamação do canal auditivo, infecções e queda temporária da audição. A atenção aos primeiros sinais, a proteção adequada e a busca de avaliação profissional quando necessário formam a base para aproveitar o verão com menor risco para a saúde dos ouvidos.
FAQ sobre otite e exposição à água
1. Otite sempre está relacionada à água ou pode surgir em outras situações?
A água é apenas um dos fatores que podem desencadear a otite, especialmente a otite externa. Entretanto, infecções virais das vias aéreas superiores, alergias, rinite, sinusite e até alterações da tuba auditiva podem levar à otite média, mesmo sem contato frequente com piscina ou mar. Portanto, pessoas que têm gripes repetidas, respiram muito pela boca ou possuem rinite mal controlada também podem desenvolver quadros de otite.
2. Qual a diferença entre otite externa e otite média?
A otite externa atinge o canal auditivo, ou seja, a parte “de fora” do sistema auditivo, mais diretamente exposta à água, traumas e umidade. Já a otite média acomete a região atrás do tímpano, onde costuma se acumular secreção em decorrência de infecções respiratórias. Entretanto, ambas podem provocar dor intensa e sensação de ouvido tampado. Portanto, é o exame realizado pelo otorrinolaringologista que define o tipo de otite e orienta o tratamento adequado.
3. Otite é contagiosa? Posso “pegar” de outra pessoa?
A otite em si não é considerada contagiosa, pois o que se inflama é a estrutura do ouvido. Entretanto, algumas infecções virais e bacterianas que favorecem o surgimento de otite, como gripes e resfriados, podem ser transmitidas de pessoa para pessoa. Portanto, manter boa higiene das mãos, evitar compartilhar objetos de uso pessoal e cuidar da imunidade ajuda a reduzir o risco indireto de desenvolver otite.
4. Quem tem otite pode continuar nadando ou precisa parar totalmente?
Em suma, durante a fase aguda de dor, secreção ou inflamação evidente, é recomendada a suspensão temporária de atividades aquáticas. Isso porque, entretanto, a entrada de água pode piorar o quadro, atrasar a cicatrização e aumentar o risco de complicações. Portanto, é essencial seguir a orientação do médico, que indicará quando o retorno à piscina ou ao mar é seguro e, se necessário, quais proteções adicionais devem ser usadas.
5. É perigoso usar remédios caseiros, como óleo ou álcool, dentro do ouvido?
Substâncias caseiras podem irritar ainda mais a pele do canal auditivo e, se houver perfuração do tímpano, causar danos sérios. Entretanto, muitas pessoas recorrem a esses métodos sem saber se há lesão interna, o que pode agravar a infecção ou provocar dor intensa. Portanto, qualquer tratamento tópico dentro do ouvido deve ser prescrito por um profissional de saúde, evitando automedicação e riscos desnecessários.
6. Crianças têm mais otite do que adultos? Por quê?
Crianças são mais suscetíveis à otite por terem estruturas anatômicas ainda em desenvolvimento, como a tuba auditiva mais curta e horizontal, facilitando a passagem de secreções do nariz para o ouvido médio. Entretanto, a frequência maior de gripes, resfriados e alergias na infância também contribui para esse risco aumentado. Portanto, acompanhar de perto sintomas de dor de ouvido, febre e irritabilidade em crianças é fundamental para diagnóstico e tratamento precoces.
7. Otite pode causar perda de audição permanente?
A maioria dos casos de otite provoca apenas perda auditiva temporária, que melhora após o tratamento e a resolução da inflamação. Entretanto, quadros repetidos, infecções graves ou mal tratadas e perfurações do tímpano podem levar a danos mais duradouros ou, em situações específicas, permanentes. Portanto, não é recomendado “esperar passar sozinho” se a dor persiste ou se há secreção e dificuldade para ouvir: a avaliação especializada é indispensável.
8. Existe alguma relação entre alergias e otite?
Em suma, sim, alergias respiratórias, como rinite alérgica, podem contribuir para o surgimento de otite, principalmente otite média. Isso ocorre porque, entretanto, o processo inflamatório das vias aéreas aumenta a produção de muco e pode obstruir a tuba auditiva, dificultando a ventilação do ouvido médio. Portanto, controlar alergias com acompanhamento médico e tratamento adequado ajuda, indiretamente, a reduzir episódios de otite.
9. Após tratar uma otite, é necessário fazer retorno ao otorrinolaringologista?
O retorno costuma ser importante para confirmar se a inflamação regrediu totalmente e se a audição voltou ao normal. Entretanto, muitos pacientes abandonam o acompanhamento assim que a dor melhora, sem verificar se ainda há secreção, edema ou alterações na membrana timpânica. Portanto, seguir as orientações de consulta de retorno ajuda a evitar recidivas, complicações e a necessidade de tratamentos mais prolongados no futuro.








