As recentes ondas de calor registradas em várias regiões do Brasil trouxeram uma preocupação adicional para quem convive com animais de estimação. Em dias em que os termômetros se aproximam ou ultrapassam os 40 °C, cães e gatos ficam expostos a um estresse térmico intenso. Nessa situação, o risco de hipertermia, desidratação e danos a órgãos internos aumenta de forma significativa, exigindo mudanças na rotina e atenção constante.
Por causa das características físicas e da forma como regulam a temperatura, os animais domésticos podem sofrer consequências sérias em um intervalo curto de tempo. Assim, medidas simples de prevenção, quando incorporadas ao dia a dia, ajudam a reduzir impactos e a preservar a saúde dos pets em períodos de calor excessivo.
Por que temperaturas extremas afetam tanto cães e gatos?
Cães e gatos não contam com a mesma capacidade de transpiração que os seres humanos. Em geral, a regulação térmica desses animais ocorre principalmente pela respiração ofegante e, em menor escala, pelas almofadas das patas. Quando as temperaturas extremas se mantêm por muitas horas, esses mecanismos naturais se tornam menos eficientes, o que favorece a elevação rápida da temperatura corporal.
Além disso, o corpo dos animais de estimação é mais próximo do solo, que pode acumular calor ao longo do dia, principalmente em superfícies como asfalto ou concreto. Isso aumenta a exposição ao calor intenso e contribui para o superaquecimento. Em cenários de ondas de calor, o organismo pode entrar em colapso térmico, quadro conhecido como hipertermia, que demanda intervenção rápida para evitar complicações graves.
Temperaturas extremas: como identificar que o pet está passando mal?
Reconhecer os sinais de que o animal está sofrendo com o calor é um passo essencial para protegê-lo. Sintomas de hipertermia em cães e gatos tendem a se instalar de forma rápida e podem evoluir se não houver intervenção. Entre os principais sinais estão a respiração muito ofegante, salivação excessiva e dificuldade para se manter em pé.
- Ofegância intensa e contínua;
- Língua e gengivas muito avermelhadas;
- Fraqueza, apatia ou recusa em se movimentar;
- Vômitos, diarreia ou desorientação;
- Tremores, convulsões ou desmaios em casos mais graves.
Em situações de calor extremo, qualquer mudança brusca no comportamento do animal merece atenção. Quanto mais cedo o tutor percebe que algo está fora do padrão habitual, maiores são as chances de evitar danos permanentes. Em caso de suspeita de hipertermia, a orientação é buscar atendimento veterinário emergencial.
Como proteger cães e gatos do calor excessivo no dia a dia?
Para reduzir os riscos associados às temperaturas elevadas, algumas mudanças simples na rotina podem trazer grande benefício. A adaptação envolve desde o horário dos passeios até o manejo de água, alimentação e ambiente. Em muitos casos, pequenas ações consistentes ao longo do dia têm impacto direto no conforto térmico dos animais.
- Ajustar horários de passeio
Passeios devem ser priorizados no início da manhã ou à noite, quando a sensação térmica é mais amena. Em dias de calor intenso, o período entre 9h e 17h costuma ser o mais crítico, especialmente em locais sem sombra. - Oferecer água fresca em vários pontos
Manter recipientes com água limpa, fresca e em fácil acesso ajuda a prevenir a desidratação. Em dias de temperaturas extremas, pode ser útil espalhar mais de um pote pela casa ou quintal. - Garantir sombra e ventilação adequada
Ambientes muito fechados acumulam calor rapidamente. Abertura de janelas, uso de ventiladores e a disponibilidade de áreas sombreadas contribuem para reduzir o desconforto térmico dos animais. - Evitar solo quente nas patas
Em horários críticos, o asfalto e o concreto podem alcançar temperaturas superiores a 60 °C. Um cuidado comum é testar o solo com o dorso da mão por alguns segundos; se houver sensação de queimadura, o local não é seguro para o animal. - Rever atividades físicas intensas
Em dias de calor forte, exercícios prolongados, corridas e brincadeiras muito agitadas ao ar livre podem ser substituídos por atividades mais leves ou em ambientes internos ventilados.
Quais cuidados extras são necessários para grupos de risco?
Alguns animais são mais sensíveis às temperaturas extremas e exigem atenção redobrada. Entre eles estão filhotes, idosos, animais com sobrepeso, portadores de doenças cardíacas ou respiratórias e raças braquicefálicas, como pugs, buldogues e shih-tzus. Nesses casos, a capacidade de dissipar calor é naturalmente menor.
Para esses grupos, a orientação é limitar ainda mais a exposição ao sol, reduzir o tempo de passeio, oferecer locais frescos para descanso e monitorar com frequência sinais de cansaço ou desconforto. O acompanhamento regular com um médico-veterinário permite ajustar cuidados específicos para cada animal, levando em conta idade, histórico de saúde e rotina.
Em um cenário em que ondas de calor tendem a ser mais frequentes, adaptar a rotina às condições climáticas torna-se parte do cuidado básico com cães e gatos. Atenção aos sinais do corpo, oferta constante de água, proteção contra o sol direto e revisão dos horários de atividade formam um conjunto de medidas que ajuda a manter os animais mais seguros e menos expostos aos efeitos do calor excessivo.
FAQ sobre comportamento animal em períodos de calor
1. Por que meu cão fica mais irritado ou agitado em dias muito quentes?
Em suma, o calor excessivo pode causar desconforto físico intenso, o que deixa o animal com menos tolerância a estímulos, como barulhos, toques e aproximação de outros animais. Entretanto, nem toda agitação é apenas “nervosismo”: ela pode ser um sinal de estresse térmico, tentativa de buscar um local mais fresco ou até dor. Portanto, se o comportamento irritado vier acompanhado de ofegância, salivação excessiva ou recusa em deitar, é importante resfriar o ambiente e observar de perto, buscando orientação veterinária se os sinais persistirem.
2. É normal meu gato ficar muito mais quieto e dormir o dia todo no calor?
É relativamente comum que gatos reduzam o nível de atividade em dias quentes, pois movimentar-se menos é uma forma de economizar energia e produzir menos calor corporal. Em suma, preferir locais frescos, azulejos, sombra e dormir mais pode ser um ajuste natural ao clima. Entretanto, se além da sonolência o gato parar de comer, beber menos água, esconder-se em excesso ou apresentar respiração ofegante, isso deixa de ser esperado e pode indicar mal-estar. Portanto, observe mudanças súbitas e, na dúvida, consulte um veterinário.
3. Como o calor influencia a socialização entre animais da mesma casa?
Temperaturas elevadas podem tornar alguns animais menos tolerantes ao contato físico, inclusive com outros pets com os quais convivem bem em dias amenos. Eles podem evitar brincadeiras, disputas por espaço e até se afastar de companheiros mais agitados. Entretanto, isso não significa necessariamente um problema de relacionamento, mas sim uma tentativa de reduzir estresse e calor corporal. Portanto, é recomendável oferecer múltiplos pontos de descanso, água e sombra, para que cada animal escolha onde ficar sem precisar competir por um único local fresco.
4. Meu cão está se lambendo mais no calor: isso é normal ou é sinal de problema?
Um aumento leve de lambeduras pode ocorrer porque o animal está tentando se limpar, refrescar áreas úmidas do corpo ou aliviar algum desconforto da pele. Entretanto, lambedura excessiva, a ponto de causar falhas de pelo, vermelhidão ou feridas, pode indicar alergias, dermatites que pioram no calor, ansiedade ou até dor localizada. Portanto, se o comportamento for repetitivo e focado sempre na mesma região, é importante investigar a causa com um veterinário para evitar que o problema se agrave.
5. O calor pode alterar o apetite e o interesse por brincadeiras?
Muitos cães e gatos comem menos ou mais devagar em dias muito quentes, e isso pode ser uma adaptação normal, desde que não haja perda significativa de peso ou sinais de doença. Em suma, eles também tendem a recusar brincadeiras intensas e preferir atividades mais calmas, especialmente nas horas mais quentes. Entretanto, se o animal parar de comer completamente, recusar água ou não demonstrar interesse por nada, mesmo em horários mais frescos, isso passa a ser um alerta. Portanto, é essencial monitorar a duração dessas mudanças e buscar avaliação veterinária se persistirem.
6. Como posso estimular meu pet mentalmente sem aumentar o esforço físico no calor?
A estimulação mental é uma ótima estratégia para entreter o animal sem gerar tanto calor corporal quanto exercícios intensos. Brinquedos de enriquecimento ambiental, como comedouros lentos, tapetes olfativos e brinquedos recheáveis com petiscos, ajudam a ocupar a mente do pet. Entretanto, é importante adaptar a quantidade de alimento extra para não causar sobrepeso. Portanto, oferecer desafios breves, em locais frescos e ventilados, é uma forma segura de manter o animal engajado, mesmo em dias de calor intenso.
7. É comum cães e gatos mudarem o local de descanso várias vezes ao dia por causa do calor?
Então, sim, é muito comum que eles circulem pela casa à procura de pontos mais frescos conforme a temperatura e a incidência de sol mudam ao longo do dia. Em suma, deitar em pisos frios, perto de portas, janelas ou até em corredores com corrente de ar é um comportamento esperado. Entretanto, se o animal parece incapaz de encontrar conforto, levantando-se o tempo todo, inquieto, ofegante e sem conseguir relaxar, isso pode indicar um grau maior de desconforto térmico. Portanto, vale reforçar ventilação, sombra e, se possível, uso de ventiladores ou climatização, sempre com supervisão.








