Correio Braziliense - Aqui
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense - Aqui
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense - Aqui
Sem resultado
Veja todos os resultados
Início Saúde

Beber álcool remodela genes do cérebro ligados ao vício, diz estudo

Por Lucas
09/02/2026
Em Saúde
Beber álcool remodela genes do cérebro ligados ao vício, diz estudo

Créditos: depositphotos.com / AllaSerebrina

EnviarCompartilharCompartilharEnviar

O consumo prolongado de bebidas alcoólicas tem sido associado a alterações profundas no funcionamento do cérebro, em especial nos circuitos ligados ao autocontrole, à avaliação de riscos e à busca por recompensas. Estudos recentes em neurociência indicam que esse tipo de uso contínuo pode modificar a forma como certos genes se manifestam em áreas específicas, favorecendo a perda de controle sobre o consumo e aumentando a chance de recaídas, mesmo após longos períodos de abstinência. Em suma, o cérebro passa a priorizar o álcool como fonte principal de prazer, enquanto reduz a sensibilidade a outras experiências positivas do cotidiano.

Em média, pessoas que fazem uso crônico de álcool por décadas apresentam um padrão cerebral distinto daquele observado em indivíduos sem histórico de dependência. Pesquisas com tecidos cerebrais humanos mostram que essas mudanças não ocorrem de maneira uniforme em todo o encéfalo. Pelo contrário, regiões associadas à tomada de decisão e ao prazer parecem ser particularmente sensíveis, o que ajuda a entender por que o alcoolismo é classificado como um transtorno complexo e de difícil manejo clínico. Portanto, o indivíduo não enfrenta apenas um hábito nocivo, mas um conjunto de alterações neurobiológicas que influenciam emoções, memórias e comportamentos relacionados à bebida.

Leia Também

Sinal de Frank: o que o vinco na orelha revela sobre riscos cardíacos

09/02/2026

Carnaval exige atenção redobrada à saúde do coração, dizem especialistas

09/02/2026
Congelar alimentos perto do vencimento é seguro? Entenda

Congelar alimentos perto do vencimento é seguro? Entenda

09/02/2026
De onde vêm as vozes da nossa cabeça? Saiba tudo!

De onde vêm as vozes da nossa cabeça? Saiba tudo!

09/02/2026

Qual é a importância do sistema endocanabinoide no consumo de álcool?

Um dos pontos centrais para compreender o impacto do álcool no cérebro é o chamado sistema endocanabinoide. Esse conjunto de receptores, moléculas sinalizadoras e enzimas atua na regulação de funções como humor, memória, percepção de dor, resposta ao estresse e sensação de prazer. Em termos simples, ele funciona como um modulador fino da atividade neuronal, ajudando a equilibrar os circuitos de recompensa e motivação que participam diretamente do desenvolvimento da dependência de álcool. Então, quando esse equilíbrio se rompe, o comportamento de busca por álcool tende a se intensificar de forma progressiva.

Quando a exposição às bebidas alcoólicas ocorre por tempo prolongado, a expressão de genes associados ao sistema endocanabinoide tende a se reorganizar. Pesquisas publicadas em periódicos científicos, como a revista Addiction, relatam alterações relevantes em receptores que participam dos mecanismos de reforço e da vontade de continuar bebendo. Essas mudanças ajudam a explicar por que, em muitos casos, a redução ou interrupção do consumo de álcool exige acompanhamento especializado e não depende apenas de força de vontade. Entretanto, esse conhecimento também abre espaço para intervenções mais específicas, que consideram o funcionamento individual do sistema endocanabinoide de cada paciente.

Álcool e sistema endocanabinoide: como essa relação afeta o cérebro?

A interação entre álcool e sistema endocanabinoide tem sido estudada principalmente em duas áreas do cérebro: o córtex pré-frontal e o núcleo accumbens. O córtex pré-frontal está ligado ao controle de impulsos, ao planejamento e às decisões cotidianas. Já o núcleo accumbens integra o sistema de recompensa, associado à sensação de prazer e à formação de hábitos. Alterações nesses locais ajudam a entender por que muitas pessoas com transtorno por uso de álcool apresentam dificuldades em frear o consumo mesmo diante de consequências negativas claras. Em suma, o cérebro passa a responder de forma exagerada a sinais ligados à bebida e, ao mesmo tempo, enfraquece mecanismos de freio e avaliação de risco.

Em tecidos cerebrais de indivíduos com histórico de consumo crônico, pesquisadores identificaram mudanças expressivas em receptores como o CB1 e o CB2. O CB1, relacionado ao comportamento de busca por bebida e ao risco de recaída, mostrou aumento consistente em regiões chave, sugerindo uma maior sensibilidade do cérebro aos estímulos ligados ao álcool. Em sentido oposto, o CB2, associado à proteção contra inflamações e danos neurais, apresentou redução marcante, o que pode deixar o tecido nervoso mais sujeito a lesões e prejuízos cognitivos. Portanto, enquanto o CB1 favorece a compulsão, a queda do CB2 torna o cérebro mais vulnerável a danos estruturais e funcionais.

Outro ponto investigado é o gene GPR55, ainda pouco conhecido, mas que também faz parte do universo endocanabinoide. Estudos indicam que, após anos de uso intenso de álcool, a atividade desse gene pode subir no córtex pré-frontal e diminuir no núcleo accumbens. Esse padrão reforça a ideia de que cada área cerebral responde de modo diferente ao consumo prolongado, contribuindo tanto para o enfraquecimento do autocontrole quanto para a busca repetida por reforço prazeroso. Então, ao se considerar o conjunto CB1, CB2 e GPR55, torna-se possível mapear, com mais precisão, quais vias neurobiológicas sustentam a dependência e como elas variam entre os indivíduos.

Quais são as consequências para a saúde pública e para os tratamentos?

No Brasil, estimativas apontam que o consumo de álcool está ligado a dezenas de milhares de óbitos todos os anos, seja por doenças diretamente associadas, seja por acidentes e violências relacionados à bebida. A expressão alterada de genes em áreas que controlam impulsos e prazer torna o quadro de dependência alcoólica especialmente desafiador, pois reforça um ciclo no qual o cérebro passa a priorizar o álcool em detrimento de outras fontes de recompensa. Em suma, a pessoa tende a organizar sua rotina, seus relacionamentos e suas decisões em torno da bebida, o que agrava o impacto social, familiar e laboral da doença.

Esses achados têm impacto direto na forma como profissionais de saúde encaram o tratamento. Em vez de enxergar o alcoolismo apenas como uma questão comportamental, a tendência atual é considerá-lo um transtorno com forte base biológica, em que circuitos cerebrais específicos se encontram modificados. A análise detalhada de receptores como CB1, CB2 e GPR55 em diferentes regiões pode abrir caminho para terapias direcionadas, com foco em normalizar parte dessas alterações. Entretanto, para que esse avanço chegue de fato ao cotidiano dos serviços de saúde, políticas públicas precisam integrar prevenção, diagnóstico precoce e acesso a tratamentos multidisciplinares que combinem recursos farmacológicos e psicossociais.

Quais caminhos se abrem para terapias mais específicas?

A identificação de alvos moleculares ligados ao sistema endocanabinoide permite pensar em estratégias mais personalizadas para o tratamento do transtorno por uso de álcool. Entre os caminhos apontados por pesquisadores, destacam-se:

  • Desenvolvimento de medicamentos que modulam seletivamente receptores como CB1 ou CB2 em regiões específicas do cérebro, diminuindo o impulso de beber e, ao mesmo tempo, protegendo estruturas neurais sensíveis.
  • Uso combinado de fármacos e intervenções psicoterápicas para reforçar o controle de impulsos e reduzir a resposta exagerada a estímulos relacionados à bebida, como locais, pessoas e situações associadas ao consumo.
  • Avaliação de biomarcadores genéticos e moleculares que ajudem a identificar indivíduos com maior vulnerabilidade à dependência ou à recaída, permitindo planos terapêuticos sob medida.

Além das abordagens farmacológicas, estudos apontam que intervenções estruturadas, como programas de prevenção, educação em saúde e acompanhamento de longo prazo, podem ser mais eficazes quando levam em conta a dimensão neurobiológica da dependência. Ao entender que a exposição crônica ao álcool altera a forma como o cérebro reage ao prazer, ao estresse e às decisões cotidianas, torna-se possível desenhar políticas públicas e tratamentos que considerem essas especificidades. Então, estratégias como grupos de apoio, terapia cognitivo-comportamental, monitoramento contínuo e suporte familiar ganham força quando combinadas com o conhecimento sobre o sistema endocanabinoide e suas alterações.

Dessa forma, as descobertas sobre o impacto do álcool no sistema endocanabinoide não se limitam ao campo acadêmico. Elas ajudam a esclarecer por que a dependência alcoólica é um problema persistente e reforçam a necessidade de estratégias terapêuticas que atuem não apenas no comportamento, mas também nos mecanismos cerebrais que sustentam esse padrão de consumo ao longo do tempo. Em suma, compreender essa rede de interações oferece bases mais sólidas para intervenções precoces, tratamentos individualizados e políticas de saúde pública que realmente dialoguem com a complexidade do transtorno por uso de álcool.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O sistema endocanabinoide só se altera em quem já é dependente de álcool?
Não. Alterações sutis podem surgir mesmo em padrões de consumo considerados abusivos, mas ainda sem diagnóstico formal de dependência. Portanto, quanto mais cedo a pessoa reduz ou interrompe o uso excessivo, maior a chance de o cérebro recuperar parte do equilíbrio neuroquímico.

2. A genética influencia o risco de desenvolver dependência alcoólica?
Sim. Polimorfismos em genes ligados ao sistema endocanabinoide, bem como a outros sistemas de neurotransmissores, podem aumentar a vulnerabilidade individual. Entretanto, fatores ambientais, como estresse crônico, contexto familiar e acesso à bebida, também exercem grande influência.

3. Tratamentos que atuam no sistema endocanabinoide já estão disponíveis?
Alguns medicamentos em estudo modulam indiretamente esse sistema, mas muitas terapias específicas ainda se encontram em fase de pesquisa clínica. Então, a prática atual combina fármacos aprovados (como anticraving), psicoterapia e suporte social enquanto novas opções mais direcionadas avançam no campo científico.

4. É possível reverter completamente os danos cerebrais causados pelo álcool?
Em parte, sim. O cérebro apresenta capacidade de adaptação e, com abstinência prolongada, hábitos saudáveis e tratamento adequado, várias funções melhoram consideravelmente. Entretanto, uso intenso e prolongado pode gerar lesões estruturais duradouras, o que reforça a importância de buscar ajuda o quanto antes.

5. Como familiares podem ajudar alguém com dependência de álcool?
A família contribui ao oferecer apoio sem reforçar o consumo, incentivar o tratamento, participar de grupos de orientação e evitar atitudes de julgamento moral. Portanto, quando o núcleo familiar entende a dimensão neurobiológica da dependência, tende a construir um ambiente mais favorável à recuperação e à prevenção de recaídas.

Tags: alcoolgenessaúdevicio
EnviarCompartilhar30Tweet19Compartilhar

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sinal de Frank: o que o vinco na orelha revela sobre riscos cardíacos

09/02/2026

Aproveitamento integral dos alimentos: dicas para usar cascas, talos e sementes

09/02/2026

Carnaval exige atenção redobrada à saúde do coração, dizem especialistas

09/02/2026
Congelar alimentos perto do vencimento é seguro? Entenda

Congelar alimentos perto do vencimento é seguro? Entenda

09/02/2026
De onde vêm as vozes da nossa cabeça? Saiba tudo!

De onde vêm as vozes da nossa cabeça? Saiba tudo!

09/02/2026
Afinal, o ar-condicionado é realmente o vilão da saúde respiratória?

Afinal, o ar-condicionado é realmente o vilão da saúde respiratória?

09/02/2026
  • Sample Page
Sem resultado
Veja todos os resultados