As doenças cardiovasculares seguem entre as principais causas de morte no Brasil, afetando homens e mulheres de forma ampla, mas não idêntica. Estudos mostram que, a partir dos 35 anos, o risco de infarto tende a ser mais elevado no público masculino, enquanto nas mulheres esse perigo costuma se concentrar em faixas etárias mais avançadas. Em suma, essa diferença não está ligada apenas à idade, mas a um conjunto de fatores biológicos, comportamentais e de acesso aos cuidados em saúde, além de aspectos sociais e culturais que influenciam diretamente os hábitos de vida.
Ao longo da juventude e do início da vida adulta, homens e mulheres apresentam riscos cardiovasculares relativamente próximos. Entretanto, com o passar dos anos, a progressão das doenças do coração costuma ser mais rápida nos homens, o que se reflete em maior frequência de infarto e morte súbita nessa população.
Diferença de risco cardiovascular entre homens e mulheres
A diferença de risco cardiovascular entre homens e mulheres começa a ficar evidente quando se analisam dados de doença arterial coronariana, infarto e morte súbita ao longo da vida. Em média, homens desenvolvem obstruções nas artérias do coração alguns anos antes das mulheres, o que antecipa a possibilidade de eventos graves. Em muitos casos, o primeiro sintoma relatado é justamente o infarto, sem sinais prévios claramente reconhecidos pela pessoa ou por quem convive com ela. Então, o acompanhamento regular e a educação em saúde tornam-se essenciais para que esses sinais sutis ganhem valor clínico.
Entre as mulheres, a incidência de infarto tende a aumentar de forma mais expressiva após a menopausa. Até esse período, o organismo feminino conta com a ação dos hormônios sexuais, que exercem certa proteção sobre os vasos sanguíneos e o metabolismo das gorduras. Entretanto, fatores como uso de anticoncepcionais hormonais, tabagismo e histórico familiar podem antecipar esse risco. Isso não significa ausência de risco, mas, em grande parte das mulheres, a manifestação clínica das doenças cardiovasculares costuma ocorrer mais tarde em comparação com os homens da mesma faixa etária. Portanto, tanto homens quanto mulheres precisam de avaliação individualizada, considerando idade, estilo de vida, histórico familiar e condições como hipertensão, diabetes e obesidade.
Por que o risco de infarto é maior em homens a partir dos 35 anos?
A maior vulnerabilidade masculina ao infarto envolve uma combinação de fatores hormonais, biológicos e de comportamento. A ausência de efeito protetor de hormônios femininos, presente nas mulheres antes da menopausa, contribui para que as artérias dos homens sofram agressões mais precoces, especialmente quando associadas a pressão alta, colesterol elevado e tabagismo. Além disso, a forma como o organismo masculino lida com o metabolismo das gorduras pode facilitar o acúmulo de placas de gordura nas artérias. Em suma, quando esses elementos se somam a um cotidiano estressante, com poucas pausas e sono de má qualidade, o risco aumenta de forma relevante.
Outro ponto frequentemente observado é a menor procura por consultas de rotina entre homens em idade produtiva. Exames simples, como aferição de pressão arterial, dosagem de colesterol e glicemia, muitas vezes são postergados, o que leva a diagnósticos tardios. Nessas circunstâncias, fatores de risco como sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de álcool e cigarro tendem a se somar por anos, acelerando o aparecimento de aterosclerose e aumentando a probabilidade de infarto agudo do miocárdio. Portanto, a mudança de comportamento, com maior valorização da prevenção, torna-se tão importante quanto o uso de medicamentos quando necessário.
- Homens a partir dos 35 anos: maior chance de apresentar placas de gordura nas artérias coronárias, especialmente quando há histórico familiar de infarto precoce;
- Consultas pouco frequentes: atrasam o diagnóstico de pressão alta, diabetes e colesterol elevado, então prolongam a exposição silenciosa a riscos importantes;
- Estilo de vida: alimentação rica em gorduras, sal e ultraprocessados intensifica o risco, assim como noites mal dormidas, estresse constante e falta de atividade física estruturada.
Quais são os principais sintomas de infarto em homens e mulheres?
O infarto do miocárdio costuma ser associado à dor ou pressão no peito, muitas vezes descrita como aperto, peso ou queimação, que pode durar vários minutos. Em parte dos casos, essa dor irradia para braço esquerdo, costas, pescoço ou mandíbula. Falta de ar, suor frio, náuseas, vômitos, tontura e sensação de desmaio iminente também aparecem com frequência e exigem atendimento imediato. Portanto, diante de qualquer quadro suspeito, a orientação é acionar o serviço de emergência e não dirigir por conta própria até o hospital.
Entre mulheres, idosos e pessoas com diabetes, os sinais podem ser mais discretos. Em vez de dor intensa no peito, surgem cansaço súbito, desconforto leve, mal-estar inespecífico ou apenas queda brusca do estado geral. Em algumas situações, o sintoma predominante é falta de ar, associada ou não a dor. Então, qualquer piora inesperada, principalmente em quem já tem fatores de risco conhecidos, precisa ser valorizada e investigada rapidamente, mesmo na ausência do “clássico” aperto no peito. Em suma, a regra é não subestimar sintomas estranhos ou diferentes do habitual.
- Dor ou desconforto no peito: aperto, pressão ou queimação prolongados, às vezes associados à sensação de peso no tórax;
- Dor irradiada: braço, costas, pescoço, mandíbula ou região do estômago, que pode vir acompanhada de sensação de formigamento;
- Sintomas gerais: falta de ar, suor frio, tontura, náuseas, palidez intensa, sensação de ansiedade súbita e inexplicável;
- Sinais atípicos: cansaço extremo, mal-estar indefinido, desmaios, especialmente em mulheres e diabéticos, que, portanto, merecem atenção redobrada.
Como prevenir doenças cardiovasculares no dia a dia?
A prevenção de infarto e outras doenças do coração passa principalmente pelo controle rigoroso dos fatores de risco. A Sociedade Brasileira de Cardiologia destaca que boa parte das mortes por causas cardiovasculares poderia ser evitada com acompanhamento regular e mudanças consistentes no estilo de vida. A orientação é que homens e mulheres façam avaliação periódica, mesmo na ausência de sintomas, para medir pressão, colesterol, glicemia e peso, além de discutir com o profissional de saúde o nível de estresse, o padrão de sono e a rotina de exercícios.
Algumas medidas são consideradas centrais para reduzir o risco cardiovascular ao longo dos anos:
- Alimentação equilibrada: priorizar frutas, legumes, verduras, grãos integrais e reduzir sal, açúcar e gorduras saturadas; além disso, evitar refrigerantes, frituras frequentes e lanches rápidos no dia a dia;
- Atividade física regular: prática orientada, adaptada à idade e às condições de saúde, ajuda a controlar peso, pressão e açúcar no sangue; portanto, caminhadas, corridas leves, musculação e exercícios aeróbicos moderados trazem grande benefício;
- Abandono do tabagismo: parar de fumar diminui rapidamente o risco de infarto e melhora a circulação, além de reduzir o risco de câncer e doenças pulmonares; então, programas de cessação do tabagismo e apoio médico podem facilitar esse processo;
- Moderação no álcool: consumo excessivo está associado a pressão alta, arritmias e alterações do fígado; em suma, quanto menor o consumo, melhor para o coração;
- Acompanhamento médico: check-ups anuais ou conforme recomendação individual permitem ajustes de medicação, orientação sobre hábitos e monitoramento de marcadores como colesterol, triglicérides e glicemia.
FAQ – Perguntas frequentes sobre saúde cardiovascular
1. Qual a relação entre estresse e infarto?
O estresse crônico aumenta a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que elevam a pressão arterial, favorecem inflamação e podem desorganizar o sono e a alimentação. Portanto, técnicas de manejo do estresse, como atividade física, psicoterapia, meditação e lazer regular, ajudam a proteger o coração.
2. Dormir mal pode aumentar o risco de doenças do coração?
Sim. Sono insuficiente ou de má qualidade se associa a maior risco de hipertensão, ganho de peso, diabetes e arritmias. Então, manter rotina de sono regular, com cerca de 7 a 8 horas por noite para a maioria dos adultos, favorece a saúde cardiovascular.
3. Quem não sente nada precisa fazer check-up cardíaco?
Mesmo sem sintomas, pessoas com mais de 35 anos, histórico familiar de infarto precoce, tabagismo, sobrepeso, diabetes ou pressão alta devem realizar avaliações periódicas. Em suma, a ausência de sintomas não garante ausência de doença em fase inicial.
4. Existe diferença na prevenção para quem já teve um infarto?
Quem já sofreu infarto precisa de prevenção secundária, que inclui uso regular de medicamentos prescritos (como antiagregantes, estatinas e, quando indicado, betabloqueadores), reabilitação cardíaca e mudanças intensivas no estilo de vida. Portanto, o seguimento rigoroso com cardiologista torna-se indispensável.
5. Suplementos e vitaminas protegem o coração?
Na maioria dos casos, suplementos não substituem alimentação equilibrada e mudanças de estilo de vida. Alguns podem ser úteis em situações específicas, definidos pelo médico ou nutricionista. Entretanto, o foco principal deve permanecer em dieta saudável, atividade física, controle de peso e abandono do cigarro.







