O câncer de pênis é uma doença que ainda recebe pouca atenção, mas que provoca impacto significativo na saúde masculina no Brasil. Entre 2021 e 2025, milhares de homens precisaram passar por amputação parcial ou total do órgão por causa do tumor, e mais de duas mil pessoas morreram em decorrência da enfermidade, de acordo com dados oficiais de saúde. Apesar dos números, especialistas destacam que se trata de um tipo de câncer em grande parte evitável com cuidados simples do dia a dia, como higiene íntima adequada, vacinação e atenção aos primeiros sinais. Portanto, quando o homem se informa e adota hábitos saudáveis, ele reduz de forma considerável as chances de desenvolver esse tumor.
Trata-se de um tumor considerado raro quando comparado a outros, como o de próstata ou de pele, mas que afeta principalmente homens em situação de maior vulnerabilidade social, com menor acesso à informação e a serviços de saúde. A falta de higiene adequada, a presença de infecções sexualmente transmissíveis e a dificuldade para expor a glande, em casos de fimose, aparecem com frequência entre os fatores observados pelos profissionais que atendem esses pacientes nos serviços públicos e privados. Em suma, questões sociais, educacionais e de acesso à saúde se somam a hábitos de higiene insuficientes e aumentam o risco de câncer de pênis, especialmente em regiões mais pobres do país.
O que é câncer de pênis e como ele se desenvolve?
O câncer de pênis surge quando células da pele ou dos tecidos do órgão passam a crescer de forma desordenada, formando um tumor. Na maioria das vezes, o problema começa na glande ou no prepúcio, mas também pode aparecer em outras partes do pênis. A palavra-chave “câncer de pênis” está associada principalmente a quadros em que há inflamação crônica, acúmulo de secreções e presença persistente de infecções virais, em especial o HPV. Portanto, quando a região permanece úmida, pouco higienizada e com infecções recorrentes, o ambiente torna-se mais propício para alterações celulares.
Esse tipo de tumor costuma evoluir de maneira lenta, o que permite diagnóstico em estágios iniciais se houver atenção aos sinais e acesso rápido ao atendimento médico. Quando identificado cedo, o câncer peniano pode ser tratado com remoção apenas da área afetada, preservando forma e função do órgão. Em fases avançadas, porém, o tumor pode invadir estruturas mais profundas, atingir gânglios linfáticos na virilha e, em alguns casos, exigir amputação parcial ou total do pênis para evitar a progressão da doença. Entretanto, quando o paciente procura ajuda assim que nota mudanças na pele, feridas ou caroços, a chance de tratamentos menos agressivos aumenta bastante.
Como prevenir o câncer de pênis no dia a dia?
A prevenção do câncer de pênis se baseia especialmente em três pilares: higiene íntima, vacinação contra o HPV e manejo adequado de condições como fimose. A limpeza correta da região genital é citada por entidades médicas como um dos fatores mais relevantes de proteção. Quando o prepúcio não é higienizado, resíduos de urina, suor e secreções acumulam-se sob a pele, formando uma substância conhecida como esmegma, que está associada a inflamação crônica e maior risco de tumores. Em suma, um cuidado simples como lavar bem o pênis todos os dias se transforma em uma ferramenta poderosa de prevenção.
Algumas medidas simples ajudam a reduzir esse risco:
- Higiene diária: lavar o pênis com água e sabão neutro, retraindo o prepúcio para limpar completamente a glande, inclusive após relações sexuais; portanto, o homem deve incluir esse passo na rotina, assim como escova os dentes ou toma banho;
- Vacinação contra o HPV: a imunização está disponível em faixas etárias específicas no sistema público e em qualquer idade na rede privada, ajudando a evitar infecções ligadas ao câncer de pênis e a outros tumores genitais; além disso, a vacina contra o HPV também protege contra verrugas genitais e alguns tipos de câncer de ânus e de orofaringe;
- Tratamento da fimose: quando a pele que recobre a cabeça do pênis impede a exposição total da glande, a cirurgia de postectomia pode ser indicada para permitir uma higienização adequada; então, meninos e homens com dificuldade persistente para retrair o prepúcio precisam de avaliação urológica;
- Uso de preservativo: a camisinha reduz o risco de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo HPV e outras ISTs que podem favorecer processos inflamatórios de longo prazo. Portanto, além de prevenir gravidez não planejada, o preservativo também se torna um aliado na prevenção do câncer de pênis.
Profissionais da urologia reforçam ainda a importância da educação em saúde desde a infância, orientando pais e responsáveis sobre a limpeza correta da região genital dos meninos e sobre a necessidade de avaliação médica quando há dificuldade para puxar o prepúcio ou sinais de dor e inflamação recorrente. Em suma, quando a família recebe orientação clara, ela consegue promover hábitos de higiene e prevenção desde cedo. Entretanto, muitos responsáveis ainda sentem vergonha ou não sabem como abordar o tema, o que reforça o papel das campanhas educativas em escolas, unidades básicas de saúde e meios de comunicação.
Quais são os sinais de alerta do câncer de pênis?
A incidência de câncer de pênis aumenta com a idade, com maior concentração de casos entre 50 e 70 anos. Mesmo assim, homens de outras faixas etárias também podem desenvolver o tumor, por isso é recomendado ficar atento a qualquer alteração na região íntima. Os sintomas costumam começar de forma discreta, o que leva alguns pacientes a demorar para procurar atendimento. Portanto, observar a região com regularidade e vencer o constrangimento de falar sobre o assunto com o médico se torna fundamental.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- feridas ou úlceras que não cicatrizam após algumas semanas;
- verrugas, nódulos ou caroços persistentes na glande, no prepúcio ou no corpo do pênis;
- secreção com odor forte sob o prepúcio, mesmo com higiene básica;
- áreas endurecidas, esbranquiçadas, avermelhadas ou enegrecidas;
- sangramentos na glande ou no prepúcio sem causa aparente;
- coceira intensa, dor ou sensação de queimação duradoura.
Além das lesões visíveis, o surgimento de caroços na região da virilha pode indicar comprometimento de gânglios linfáticos. Diante de qualquer um desses sintomas, orienta-se que o homem busque atendimento médico, preferencialmente com urologista, para avaliação detalhada. Na maioria dos casos, exames clínicos e, se necessário, biópsias permitem identificar se há tumor maligno e qual o estágio da doença. Em suma, quanto mais cedo ocorre essa avaliação, maiores são as chances de tratamentos menos mutilantes e de preservação da função sexual e urinária.
Autoexame, diagnóstico precoce e tratamento
Uma prática simples defendida por especialistas é o chamado “autoexame” genital. Esse hábito consiste em observar regularmente o pênis, retraindo o prepúcio para examinar toda a glande e a base do órgão, verificando se há mudanças de cor, textura, feridas ou odores diferentes. O objetivo não é substituir a consulta médica, mas favorecer a identificação precoce de alterações que justificam uma avaliação profissional. Portanto, o autoexame funciona como um primeiro filtro: ele não diagnostica o câncer, mas alerta o homem sobre algo que não parece normal.
Quando o câncer de pênis é diagnosticado cedo, as opções de tratamento incluem:
- Cirurgias conservadoras: remoção apenas da lesão com margens de segurança, preservando a maior parte da anatomia; então, em muitos casos iniciais o paciente mantém o pênis com boa função sexual e urinária;
- Terapias locais: em alguns casos selecionados, podem ser utilizados tratamentos tópicos ou procedimentos menos invasivos; entretanto, essas abordagens exigem avaliação muito criteriosa do tumor e acompanhamento próximo;
- Linfadenectomia: retirada de gânglios na virilha quando há suspeita de disseminação;
- Cirurgia radical: amputação parcial ou total do pênis em tumores avançados, visando controlar a doença e evitar metástases; portanto, atrasar o diagnóstico aumenta o risco de chegar a esse tipo de procedimento mais agressivo;
- Complementação com radioterapia ou quimioterapia: indicada em situações específicas, conforme avaliação da equipe oncológica.
Os especialistas lembram que a amputação costuma ser necessária principalmente quando o diagnóstico é tardio, o que reforça o papel do autoexame, da higiene adequada, da vacinação contra o HPV e do acesso regular a serviços de saúde. Em suma, informação, prevenção e consulta precoce se combinam como um tripé essencial para diminuir os casos de câncer de pênis e as mortes relacionadas à doença no país. Além disso, após o tratamento, o acompanhamento multidisciplinar com urologista, oncologista, psicólogo e fisioterapeuta pode auxiliar na reabilitação sexual, emocional e funcional do paciente, melhorando a qualidade de vida no longo prazo.
FAQ – Perguntas adicionais sobre câncer de pênis
1. Câncer de pênis é contagioso?
Não. O câncer de pênis não é contagioso. Entretanto, algumas infecções associadas ao desenvolvimento do tumor, como o HPV e outras ISTs, se transmitem por contato sexual. Portanto, usar camisinha e manter a vacinação em dia ajuda a reduzir tanto as infecções quanto o risco de câncer ao longo do tempo.
2. Circuncisão na infância realmente diminui o risco?
Sim. A circuncisão (postectomia) em crianças, quando bem indicada e realizada em ambiente adequado, reduz o acúmulo de esmegma e facilita a higiene, o que diminui o risco de inflamação crônica. Em suma, quanto mais cedo o indivíduo consegue higienizar completamente a glande, menor tende a ser o risco de câncer de pênis na vida adulta. Entretanto, mesmo homens circuncidados precisam manter higiene regular e usar preservativo.
3. Ter HPV significa que vou desenvolver câncer de pênis?
Não necessariamente. Muitas pessoas entram em contato com o HPV ao longo da vida e não desenvolvem câncer. Então, fatores como tipo de vírus, tempo de infecção, tabagismo, higiene inadequada e imunidade influenciam bastante. Portanto, a combinação de vacina, preservativo, higiene correta e acompanhamento médico em caso de lesões genitais reduz muito o risco de evolução para tumor.
4. Tabagismo aumenta o risco de câncer de pênis?
Sim. O cigarro libera substâncias que circulam pelo sangue e podem danificar o DNA das células em diferentes partes do corpo, inclusive na região genital. Em suma, homens fumantes apresentam maior risco de diversos tipos de câncer, entre eles o de pênis. Portanto, parar de fumar contribui para a prevenção dessa e de várias outras doenças graves.
5. Após o tratamento, o homem consegue ter ereção e vida sexual?
Depende do estágio do tumor e do tipo de tratamento. Em tumores iniciais, com cirurgias conservadoras, muitos pacientes preservam a função sexual com poucas alterações. Entretanto, em amputações mais extensas, a anatomia muda de forma importante. Então, recursos como próteses, reabilitação sexual, terapia de casal e apoio psicológico podem ajudar o paciente a reconstruir sua vida sexual. Em suma, o diálogo aberto com a equipe de saúde permite avaliar as melhores opções em cada caso.









