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Recuperar o sono perdido: o equívoco que pode piorar o cansaço

Por Lara
20/02/2026
Em Bem-estar
Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

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Dormir até mais tarde no fim de semana para tentar compensar horas perdidas de sono é um hábito comum, mas que pode interferir no funcionamento natural do organismo. Especialistas em sono e cronobiologia explicam que o corpo humano opera com base em um relógio biológico interno, que precisa de rotina para manter o equilíbrio. Quando há mudanças bruscas nos horários de dormir e acordar, mesmo que por poucos dias, esse sistema tende a se desorganizar.

Esse comportamento costuma surgir em semanas cheias, quando o horário de deitar é empurrado para mais tarde e o despertador continua tocando cedo. A sensação de débito de sono leva muitas pessoas a usar o sábado e o domingo como “reserva” para recuperar o descanso. No entanto, ao prolongar demais o sono nesses dias, cria-se um contraste importante em relação aos demais, o que pode atrapalhar exatamente aquilo que se pretende ajustar: a qualidade do descanso.

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Créditos: depositphotos.com / VaDrobotBO

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O que é “compensar horas de sono” e por que isso preocupa?

Na prática, trata-se de alongar o tempo na cama em dias de folga, especialmente aos fins de semana, acreditando que o corpo “recupera” o que foi perdido. Estudos recentes indicam que esse padrão irregular pode prejudicar o relógio interno e favorecer o chamado jet lag social, uma espécie de desencontro entre o horário biológico e o relógio do mundo externo.

Em vez de funcionar como uma conta em que se somam e subtraem horas, o sono depende de regularidade. Quando a pessoa acorda muito mais tarde em alguns dias, o cérebro recebe sinais conflitantes sobre quando deve promover sono e quando deve estimular o estado de alerta. Esse desalinhamento pode se manifestar como dificuldade para pegar no sono na noite de domingo, sensação de cansaço na segunda-feira e maior sonolência ao longo da semana.

Compensar horas não dormidas faz mal à saúde?

A questão central não é apenas dormir mais tempo em um dia específico, mas sim alterar o padrão de forma abrupta. Compensar horas de sono de forma exagerada, com variações grandes de horário, pode impactar diferentes áreas da saúde. A produção de hormônios como melatonina, ligada ao início do sono, e cortisol, associado ao estado de alerta, depende de ciclos relativamente estáveis de luz, escuridão, atividade e repouso. Quando esses ciclos mudam o tempo todo, os sinais hormonais ficam menos precisos.

Pesquisas em medicina do sono associam a irregularidade nos horários de deitar e levantar a maior risco de:

  • dificuldade de concentração ao longo do dia;
  • sensação persistente de fadiga, mesmo após muitas horas na cama;
  • alterações de humor e irritabilidade;
  • desorganização do apetite e possível ganho de peso;
  • piora no desempenho profissional ou escolar.

Isso não significa que dormir um pouco mais em um dia de descanso esteja proibido. O ponto de atenção está em diferenças muito grandes de horário, como deitar de madrugada e acordar no meio da manhã apenas em alguns dias da semana, rompendo o padrão de sono habitual. Especialistas também lembram que fatores como consumo excessivo de cafeína à tarde, uso prolongado de dispositivos eletrônicos à noite e jantares muito pesados podem agravar ainda mais esses efeitos, tornando a compensação de sono ainda menos eficaz.

Como torná-lo mais regular sem depender de compensações?

Para reduzir a necessidade de compensar horas de sono, especialistas recomendam ajustes simples no cotidiano que favorecem a regularidade. Em geral, a orientação é manter, durante todos os dias, uma diferença máxima de uma ou duas horas entre os horários habituais de dormir e acordar. Essa margem permite certo descanso extra aos fins de semana sem confundir o relógio biológico.

Algumas atitudes podem ajudar a tornar o sono mais restaurador:

  1. Definir um horário de despertar relativamente fixo, inclusive aos sábados e domingos.
  2. Evitar cochilos longos no fim da tarde, que podem atrasar o sono da noite.
  3. Reduzir luz intensa e telas pelo menos uma hora antes de deitar, favorecendo a liberação de melatonina.
  4. Manter exposição à luz natural pela manhã, o que reforça o ritmo de vigília.
  5. Criar um ritual calmo noturno, como leitura leve ou atividades relaxantes.

Outras medidas que podem complementar esses cuidados incluem manter o quarto silencioso, escuro e em temperatura agradável, evitar refeições muito volumosas perto da hora de dormir e moderar o uso de álcool, que pode fragmentar o sono ao longo da noite.

Esses cuidados tendem a diminuir o acúmulo de cansaço durante a semana e reduzem a necessidade de grandes compensações aos fins de semana, contribuindo para um padrão mais estável.

É possível recuperar parte do sono perdido de forma segura?

A literatura científica indica que algum grau de recuperação é possível quando períodos curtos de privação são seguidos por noites um pouco mais longas. Entretanto, essa recuperação costuma ser parcial. O organismo recompõe, em especial, as fases mais profundas do sono, mas não retorna totalmente ao ponto inicial se o padrão de privação se repetir.

Uma estratégia considerada mais equilibrada é combinar pequenos ajustes, em vez de mudanças radicais. Entre eles, podem estar:

  • aumentar discretamente o tempo de sono em alguns dias seguidos, e não apenas em um único dia;
  • incluir pausas breves de descanso ou relaxamento ao longo da semana, sem que sejam sonecas prolongadas;
  • organizar a rotina noturna para que o horário de deitar se aproxime um pouco mais do necessário para acordar descansado.

Também pode ser útil observar sinais do próprio corpo — como bocejos frequentes, queda de rendimento ou irritabilidade — e usá-los como alerta de que o débito de sono está se acumulando, ajustando a rotina antes que o problema se torne crônico.

Dessa forma, o corpo recebe sinais mais consistentes sobre quando é hora de descansar e quando é hora de despertar, favorecendo um descanso contínuo, em vez de depender apenas da tentativa de compensar horas de sono em momentos isolados.

No cenário atual, em que muitas pessoas conciliam longa jornada de trabalho, estudo e compromissos pessoais, a regularidade do sono tende a ser um desafio. Ainda assim, a evidência disponível aponta que preservar horários relativamente estáveis, com pequenas variações e atenção ao ambiente noturno, tem papel central para que o descanso diário seja realmente reparador e não dependa de compensações frequentes.

FAQ sobre higiene do sono

1. O que é “higiene do sono” exatamente?
Higiene do sono é o conjunto de hábitos e condições ambientais que favorecem um sono de boa qualidade. Em suma, envolve desde o horário em que você se deita e acorda até fatores como iluminação, ruído, temperatura do quarto, consumo de cafeína, álcool e o uso de telas. Quando esses elementos são organizados de forma coerente com o relógio biológico, o sono tende a ser mais profundo e restaurador; entretanto, quando são negligenciados, aumentam-se as chances de insônia, despertares noturnos e cansaço diurno.

2. Qual é a quantidade de sono recomendada para cada faixa etária?
As necessidades variam com a idade. Adultos costumam precisar de cerca de 7 a 9 horas por noite, adolescentes de 8 a 10 horas, e crianças pequenas podem exigir ainda mais. O importante, portanto, é observar se você acorda espontaneamente próximo ao horário desejado, com sensação razoável de descanso. Se isso não ocorre mesmo com tempo adequado na cama, então pode haver outros fatores de higiene do sono ou condições de saúde interferindo.

3. O uso de telas à noite prejudica o sono mesmo se eu estiver cansado?
Sim. A luz azul emitida por celulares, tablets e computadores reduz a liberação de melatonina e pode atrasar o horário em que o corpo “entende” que é hora de dormir. Mesmo cansado, você pode demorar mais para pegar no sono ou ter um descanso mais superficial. Portanto, recomenda-se diminuir a exposição a telas ao menos uma hora antes de deitar; então, optar por atividades mais calmas, como leitura em papel ou exercícios de relaxamento, tende a ser mais benéfico.

4. Beber café à tarde sempre atrapalha o sono?
A cafeína é um estimulante e pode permanecer ativa no organismo por várias horas. Em suma, algumas pessoas são mais sensíveis que outras e podem ter o sono prejudicado mesmo com pequenas quantidades consumidas no meio da tarde. Portanto, é prudente evitar café, chás com cafeína, energéticos e grandes quantidades de refrigerantes nas horas que antecedem o sono. Entretanto, se você perceber que mesmo pequenas doses mais cedo já afetam seu descanso, vale restringir ainda mais o horário de consumo.

5. Exercício físico à noite é ruim para a higiene do sono?
A prática regular de atividade física costuma melhorar a qualidade do sono; entretanto, exercícios intensos muito próximos da hora de deitar podem deixar o organismo em estado de alerta, dificultando o adormecer. Para a maioria das pessoas, é melhor encerrar treinos vigorosos algumas horas antes de ir para a cama. Atividades leves, como alongamentos suaves ou caminhadas tranquilas no início da noite, podem ser mais compatíveis com uma boa higiene do sono.

6. Um quarto totalmente escuro é sempre o ideal?
Ambientes escuros favorecem a liberação de melatonina e ajudam o cérebro a entender que é hora de dormir. Manter o quarto o mais escuro possível costuma ser benéfico para a maioria das pessoas. Entretanto, quem tem medo de escuro ou precisa levantar com frequência (por exemplo, idosos) pode se beneficiar de uma luz indireta bem fraca. Portanto, o equilíbrio é importante: garantir escuridão suficiente para o sono, mas sem comprometer a segurança ou o conforto emocional.

7. Acordar várias vezes à noite é sempre sinal de insônia?
Despertares breves podem ocorrer de forma natural entre os ciclos de sono. Em suma, isso só se torna preocupante quando as interrupções são muito frequentes, prolongadas e acompanhadas de cansaço diurno, irritabilidade ou dificuldade de concentração. Portanto, se você acorda muitas vezes, demora a voltar a dormir ou se sente exausto ao longo do dia, então pode ser útil revisar seus hábitos de higiene do sono e, se necessário, buscar avaliação profissional.

8. Como o estresse diário interfere na higiene do sono?
O estresse aumenta a liberação de hormônios como o cortisol, que favorecem o estado de alerta. Quando a mente permanece acelerada na hora de dormir, torna-se mais difícil iniciar e manter o sono. Portanto, incluir técnicas de relaxamento, respiração profunda, meditação ou um ritual noturno tranquilo é parte importante da higiene do sono. Entretanto, se a preocupação for intensa ou persistente, pode ser necessário apoio psicológico adicional.

9. Tomar bebidas alcoólicas ajuda ou atrapalha o sono?
O álcool pode até dar sensação de sonolência inicial e fazer a pessoa dormir mais rápido; entretanto, ele fragmenta o sono ao longo da noite e reduz a qualidade das fases mais profundas. Em suma, isso faz com que, no dia seguinte, a sensação seja de descanso incompleto, mesmo após muitas horas na cama. Portanto, o consumo de álcool à noite deve ser moderado e, idealmente, evitado próximo ao horário de dormir.

10. Quando devo procurar um especialista em sono?
Se, mesmo seguindo boas práticas de higiene do sono, você apresenta dificuldade persistente para adormecer, acorda repetidamente durante a noite, ronca de forma intensa, tem pausas respiratórias observadas por outra pessoa ou se sente cansado e sonolento quase todos os dias, em suma, é um sinal de alerta. Portanto, nesses casos, procurar um médico (como um clínico, psiquiatra ou neurologista com experiência em sono) é importante. Então será possível investigar distúrbios específicos, como insônia crônica ou apneia do sono, e definir o tratamento adequado.

Tags: bem-estarcansaçohigiene do sonosono regular
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