A enxaqueca é uma condição neurológica crônica que interfere de forma significativa na rotina diária. Além da dor de cabeça intensa, costuma envolver náuseas, sensibilidade à luz, ao som e, em alguns casos, alterações visuais ou de fala. Entender como uma crise se desenvolve ao longo de diferentes fases ajuda a identificar sinais precoces e a buscar estratégias mais adequadas de controle. Por isso, o tema tem ganhado destaque em estudos e orientações médicas recentes.
Especialistas descrevem a crise de enxaqueca como um processo em etapas, que começa antes da dor e termina apenas quando o cérebro volta ao padrão habitual de funcionamento. Esse percurso pode incluir mudanças de humor, alterações de apetite, distúrbios visuais, dor pulsátil e um forte cansaço ao final. Nem todas as pessoas percebem todas as etapas, mas reconhecer alguns sinais-chave favorece o uso oportuno de medicamentos e ajustes de rotina.
Quais são as principais fases da enxaqueca?
De maneira geral, a enxaqueca é dividida em quatro estágios: pródromo (ou fase premonitória), aura, fase da dor de cabeça e pósdromo. Em muitas pessoas, a crise começa 24 a 48 horas antes da dor com manifestações discretas, como alteração de sono, irritabilidade ou vontade súbita de comer determinados alimentos.
Na fase de pródromo, estruturas cerebrais envolvidas em funções básicas, como sono, apetite e temperatura corporal, podem sofrer alterações transitórias. Isso se traduz em sinais como:
- dificuldade para se concentrar em tarefas simples;
- oscilação de humor ao longo do dia;
- aumento ou redução do apetite;
- bocejos frequentes ou sensação de cansaço precoce;
- sono fragmentado ou insônia passageira.
Perceber esse padrão recorrente permite que a pessoa recorra mais cedo a analgésicos indicados pelo médico, ajuste o ambiente (como reduzir estímulos luminosos) e programe períodos de descanso, o que pode diminuir a intensidade da crise seguinte.
Enxaqueca com aura: o que acontece nessa fase?
Entre as fases da enxaqueca, a aura é uma das mais marcantes para quem a apresenta. Trata-se de um conjunto de sintomas neurológicos temporários, que podem afetar a visão, a sensibilidade ou a fala, geralmente durando de poucos minutos até cerca de uma hora. Nem toda pessoa com enxaqueca tem aura, mas, quando presente, ela costuma funcionar como um sinal de que a dor de cabeça está prestes a começar.
Os sintomas da aura podem incluir:
- manchas brilhantes ou zigue-zagues luminosos no campo visual;
- áreas de visão embaçada ou pontos cegos;
- formigamento em rosto, língua, mãos ou braços;
- sensação de dormência em um lado do corpo;
- dificuldade temporária para encontrar palavras ou articular frases.
Do ponto de vista neurológico, a aura está associada a uma alteração transitória na atividade elétrica do córtex cerebral. Essa mudança se propaga de forma lenta por determinadas regiões do cérebro, o que explica a progressão gradual dos sintomas. Em muitos casos, o início da aura é considerado um momento estratégico para empregar medicamentos específicos para enxaqueca, conforme prescrição médica, com o objetivo de reduzir a chance de uma dor intensa ou de longa duração.
Fases da enxaqueca: como se manifesta a dor e o pósdromo?
Após o pródromo e, quando existe, a aura, instala-se a fase dolorosa da enxaqueca. Nessa etapa, a queixa principal costuma ser uma dor latejante, muitas vezes de um lado da cabeça, que pode piorar com esforço físico ou exposição a luminosidade e ruídos. Junto da dor, surgem frequentemente náuseas, vômitos, sensibilidade ao cheiro forte e dificuldade para manter atividades rotineiras.
Durante essa fase, redes de nervos e vasos sanguíneos da cabeça e do pescoço interagem de maneira atípica. Estruturas sensoriais, como o nervo trigêmeo, podem liberar substâncias químicas ligadas à percepção de dor. Ao mesmo tempo, áreas cerebrais relacionadas ao controle de náuseas e vômitos também podem ser ativadas. Em razão disso, muitos esquemas terapêuticos incluem não apenas analgésicos, mas também medicamentos para enjoo e, em alguns casos, drogas que bloqueiam moléculas específicas relacionadas à dor da enxaqueca.
Quando a dor começa a diminuir, inicia-se o chamado pósdromo, frequentemente descrito como uma espécie de “ressaca da enxaqueca”. Nessa fase final das fases da enxaqueca, a pessoa pode sentir grande cansaço, dificuldade para manter a atenção, cabeça pesada ou sensibilidade residual à luz e ao som. Esse período pode durar horas ou se estender por mais de um dia, dependendo de fatores individuais, do tipo de crise e do tratamento adotado.
Como lidar melhor com as diferentes fases deste problema?
A identificação das fases da enxaqueca contribui para um manejo mais organizado da doença. Em vez de esperar a dor se intensificar, a pessoa pode se preparar em cada etapa. Alguns cuidados frequentemente recomendados pelos profissionais de saúde incluem:
- Observar padrões pessoais: manter um diário de sintomas, anotando horários, possíveis gatilhos, características da dor e duração de cada fase.
- Organizar o uso de medicamentos: seguir a orientação médica sobre analgésicos, remédios específicos para enxaqueca e, quando indicado, tratamentos preventivos de uso contínuo.
- Adequar rotina e ambiente: reduzir luz forte, ruídos e estímulos intensos durante o pródromo, a aura e a fase dolorosa.
- Cuidar do descanso: respeitar o período de recuperação do pósdromo, evitando esforços excessivos imediatamente após a crise.
- Consultar especialistas: buscar avaliação neurológica em casos de crises frequentes, sintomas diferentes do padrão habitual ou surgimento de novos sinais, como fraqueza persistente ou alterações importantes de visão.
Com informação adequada e acompanhamento profissional, torna-se mais viável reconhecer precocemente cada estágio da enxaqueca, ajustar hábitos e usar os tratamentos indicados de forma oportuna. Dessa maneira, muitas pessoas conseguem reduzir o impacto das crises na vida diária e planejar atividades considerando o comportamento individual dessa condição neurológica ao longo do tempo.
FAQ sobre dor de cabeça
1. Toda dor de cabeça é enxaqueca?
Em suma, não. Existem diversos tipos de dor de cabeça (cefaleias), como a tensão muscular, cefaleias secundárias a infecções, problemas de visão ou alterações de pressão arterial. A enxaqueca é apenas um dos tipos, com características específicas, como crises recorrentes, sensibilidade a luz e som e, às vezes, aura. Portanto, é importante avaliação médica para diferenciar o tipo de cefaleia e definir o melhor tratamento.
2. Quando devo me preocupar com uma dor de cabeça e procurar atendimento de urgência?
É aconselhável buscar ajuda imediata quando a dor de cabeça surge de forma súbita e muito intensa (“a pior dor da vida”), vem acompanhada de febre alta, rigidez na nuca, confusão mental, desmaio, dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo ou alterações visuais súbitas. Entretanto, mesmo dores menos intensas, mas persistentes ou diferentes do padrão habitual, merecem avaliação médica. Então, ao notar um quadro incomum, não adie a procura por ajuda profissional.
3. O uso frequente de analgésicos pode piorar a dor de cabeça?
Em suma, sim. O uso excessivo de analgésicos comuns ou específicos para enxaqueca pode levar à chamada cefaleia por uso excessivo de medicação, em que a dor se torna mais frequente e difícil de controlar. Entretanto, isso costuma ocorrer quando os remédios são usados muitos dias por mês, sem acompanhamento médico. Portanto, é fundamental seguir a dose e a frequência recomendadas pelo profissional de saúde e, então, discutir opções preventivas se as crises forem muito recorrentes.
4. Qual a diferença entre dor de cabeça tensional e enxaqueca?
A dor de cabeça tensional geralmente é descrita como uma pressão ou aperto em “capacete”, de intensidade leve a moderada, muitas vezes relacionada a estresse, postura e tensão muscular. Já a enxaqueca tende a ser mais pulsátil, pode atingir apenas um lado da cabeça e costuma vir acompanhada de náuseas, sensibilidade à luz e ao som. Entretanto, algumas pessoas podem apresentar características mistas. Portanto, a avaliação clínica é essencial para classificar o tipo predominante e, então, direcionar o tratamento adequado.
5. Mudanças no estilo de vida podem realmente ajudar na enxaqueca?
Hábitos saudáveis têm papel relevante no controle das crises. Manter horários regulares de sono, alimentação equilibrada, hidratação adequada e manejo do estresse pode reduzir a frequência e a intensidade das enxaquecas em muitas pessoas. Entretanto, isso não substitui o tratamento medicamentoso quando indicado. Portanto, o ideal é combinar mudanças de estilo de vida com o plano terapêutico proposto pelo médico e, então, observar quais ajustes trazem mais benefícios individuais.
6. Crianças e adolescentes também podem ter enxaqueca?
Em suma, sim, a enxaqueca pode aparecer na infância e na adolescência, muitas vezes com sintomas semelhantes aos dos adultos, embora a duração da crise possa ser menor. Crianças podem ficar pálidas, irritadas, ter dor de cabeça latejante, náuseas e sensibilidade a luz e som. Entretanto, é comum que elas tenham dificuldade de descrever os sintomas, o que exige atenção redobrada dos responsáveis. Portanto, diante de queixas recorrentes de dor de cabeça em crianças, é importante procurar avaliação pediátrica ou neurológica para diagnóstico e orientação apropriados.






