A recente notícia sobre a interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em decorrência do Alzheimer, trouxe à tona uma preocupação comum: como diferenciar um esquecimento normal dos primeiros sinais da doença? O Alzheimer é uma condição neurodegenerativa que avança lentamente e, por isso, reconhecer seus sintomas iniciais é fundamental para buscar um diagnóstico e iniciar o tratamento o mais cedo possível.
A condição afeta cerca de 55 milhões de pessoas no mundo, com estimativas de 1,2 milhão de casos apenas no Brasil. Embora os lapsos de memória sejam o sintoma mais conhecido, a doença se manifesta de formas mais amplas. Pequenas dificuldades em realizar tarefas cotidianas, como administrar as finanças ou seguir uma receita, podem ser um alerta. A desorientação em relação a datas ou locais familiares e a dificuldade em encontrar palavras certas durante uma conversa também são sinais importantes que merecem atenção.
Quais são os primeiros sinais do Alzheimer?
Embora cada caso seja único, alguns sintomas costumam aparecer no estágio inicial da doença. Eles vão além da perda de memória recente e afetam outras capacidades cognitivas e comportamentais. Fique atento a um conjunto de mudanças, como:
- Dificuldade para planejar ou resolver problemas: ter problemas para seguir um plano ou trabalhar com números, que antes eram tarefas simples.
- Confusão com tempo e lugar: perder a noção de datas, estações do ano e da passagem do tempo. Esquecer onde está ou como chegou a determinado local.
- Problemas de linguagem: dificuldade para acompanhar ou entrar em uma conversa, parando no meio sem saber como continuar ou repetindo o que já foi dito.
- Trocar o lugar das coisas: colocar objetos em locais incomuns e não conseguir lembrar onde os guardou.
- Alterações de humor e personalidade: tornar-se confuso, desconfiado, deprimido ou ansioso com mais frequência, especialmente em situações que exigem mais do cérebro.
Quando procurar um médico?
Notar um ou mais desses sinais de forma persistente não significa necessariamente um diagnóstico de Alzheimer, mas é um motivo importante para procurar uma avaliação médica. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar o tratamento e planejar o futuro, permitindo que o paciente e a família tenham acesso a mais opções terapêuticas e de suporte.
Como funciona o tratamento atual?
Atualmente, não existe cura para o Alzheimer, mas os tratamentos disponíveis podem retardar a progressão da doença e ajudar a controlar os sintomas, melhorando a qualidade de vida do paciente. As abordagens costumam combinar medicamentos e terapias não farmacológicas.
Os medicamentos atuam de duas formas principais. Uma classe de remédios busca equilibrar os neurotransmissores no cérebro, o que pode aliviar temporariamente alguns sintomas cognitivos. Mais recentemente, uma nova classe de medicamentos, os anticorpos monoclonais como o lecanemabe e o donanemabe, foram aprovados em países como os Estados Unidos. Essas terapias têm como alvo as placas de proteína beta-amiloide que se acumulam no cérebro e, pela primeira vez, demonstraram em estudos a capacidade de retardar o declínio cognitivo em fases iniciais da doença, representando um avanço significativo no tratamento. No Brasil, a disponibilidade desses novos tratamentos ainda é limitada e passa por análises regulatórias.










