Cuba atravessa sua crise mais severa desde o fim da União Soviética, na década de 1990. Longe do comando dos irmãos Castro, a ilha enfrenta uma tempestade perfeita de escassez de alimentos, remédios e combustível, inflação galopante e apagões diários que paralisam a vida da população. A situação marca um novo capítulo na história do país, agora sob a liderança do presidente Miguel Díaz-Canel.
Enquanto Fidel Castro faleceu em 2016, seu irmão, Raúl Castro, hoje com 94 anos, vive recluso após deixar oficialmente a liderança do Partido Comunista em 2021. Ele acompanha de longe um país muito diferente daquele que ajudou a construir. A promessa de continuidade da revolução esbarra em uma realidade de dificuldades extremas, que testam os limites do sistema e da paciência dos cubanos.
Crise econômica e escassez generalizada
A economia cubana está em queda livre. A pandemia de Covid-19 atingiu em cheio o turismo, uma das principais fontes de receita do país, e a recuperação tem sido lenta. A unificação monetária, que acabou com o peso conversível (CUC) em 2021, disparou a inflação e pulverizou o poder de compra dos salários, pagos no desvalorizado peso cubano (CUP).
O resultado é visível nas ruas: longas filas para comprar produtos básicos como pão, frango e óleo. As prateleiras de muitas lojas estatais estão vazias, e os preços no mercado informal se tornaram inacessíveis para a maioria. A crise energética provoca blecautes que chegam a durar mais de 12 horas por dia em várias províncias, afetando residências e a pouca produção que ainda existe.
Descontentamento social e o êxodo
O cenário de privações alimenta um forte descontentamento social. Em julho de 2021, Cuba viveu os maiores protestos em décadas, com milhares de pessoas saindo às ruas para pedir liberdade e melhores condições de vida. A resposta do governo foi dura, com forte repressão e centenas de prisões. Desde então, manifestações menores continuam a ocorrer de forma esporádica.
Sem perspectivas, muitos cubanos buscam uma saída na emigração. O país vive um êxodo histórico, um dos maiores desde a revolução de 1959, com dezenas de milhares de pessoas deixando a ilha anualmente, principalmente em direção aos Estados Unidos. A onda migratória, que se mantém em 2025 e 2026, esvazia o país de mão de obra jovem e qualificada.
Com as sanções dos EUA ainda em vigor e poucas reformas econômicas internas, o governo de Díaz-Canel luta para encontrar soluções. A ilha depende cada vez mais da ajuda de aliados como Rússia e China, mas a crise estrutural persiste, deixando a população diante de um futuro incerto e desafiador.









