A proposta de instituir duas folgas semanais remuneradas, acabando com a escala de trabalho 6×1, avançou no Congresso e agora gera um intenso debate sobre seus efeitos práticos. Aprovada na Câmara dos Deputados em maio de 2026 com 461 votos favoráveis, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) está agora em análise no Senado, onde tramita em regime de urgência. O texto prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com um período de transição de 14 meses e garantia de manutenção salarial.
Com a redução da jornada, empresas que operam todos os dias, como supermercados, restaurantes e hospitais, precisariam ajustar suas equipes. Para manter o mesmo nível de atendimento e produção, a principal alternativa seria a contratação de mais pessoal para cobrir os turnos vagos.
Esse aumento no quadro de funcionários representaria um custo direto para o empregador, envolvendo não apenas salários, mas também encargos e benefícios. Entidades empresariais alertam que, em um cenário de aumento de custos operacionais, uma das consequências pode ser o repasse dessa despesa para o consumidor final, gerando uma pressão inflacionária nos preços de produtos e serviços.
E o risco de demissão em massa?
O temor de desemprego surge como o outro lado do debate, especialmente para pequenos e médios negócios. Críticos da medida argumentam que, sem margem para repassar todo o aumento aos preços ou sem capital para ampliar a folha de pagamento, a alternativa para essas empresas poderia ser o corte de vagas para se manterem competitivas.
Setores que dependem intensivamente de mão de obra e operam com margens de lucro apertadas seriam os mais vulneráveis. Outro ponto levantado no debate é que a medida poderia acelerar a automação de processos como forma de compensar a redução das horas de trabalho disponíveis, impactando a oferta de empregos a longo prazo.
Por outro lado, defensores da proposta argumentam que a mudança garante mais qualidade de vida ao trabalhador. Como o descanso é remunerado, o salário mensal do trabalhador não seria reduzido, aumentando o valor da sua hora de trabalho. O desafio do Congresso é encontrar um equilíbrio entre o bem-estar do trabalhador e a sustentabilidade econômica das empresas.










