A recente atenção sobre a Dinamarca, muitas vezes impulsionada por eventos esportivos, joga luz sobre um campo em que o país nórdico é campeão mundial indiscutível: a produção de energias renováveis. Com quase metade de sua eletricidade gerada por turbinas eólicas em anos recentes (cerca de 50% em 2023), a nação oferece um modelo consolidado de transição energética que serve de inspiração para o mundo, inclusive para o Brasil.
O sucesso dinamarquês não é um acaso. Ele foi construído sobre décadas de planejamento governamental consistente, forte incentivo à inovação tecnológica e, principalmente, um modelo de engajamento social que transformou a população em aliada e beneficiária direta dos projetos.
Um dos pilares históricos desse sucesso foi um modelo pioneiro de propriedade comunitária. No passado, tornou-se comum que parques eólicos fossem operados por cooperativas, nas quais cidadãos locais podiam comprar cotas das turbinas. Essa abordagem, que deu à população uma participação direta nos lucros, foi fundamental para construir aceitação social e eliminar a resistência a novas instalações, um obstáculo frequente em outros países.
Além disso, a Dinamarca apostou cedo e com força na tecnologia eólica offshore (instalada no mar), onde os ventos são mais fortes e constantes. Esse pioneirismo continua com projetos ambiciosos, como a construção de “ilhas de energia” artificiais, projetadas para funcionar como hubs para gigantescos parques eólicos, reforçando sua liderança no setor.
O que o Brasil pode aprender sobre energias renováveis?
O Brasil já tem uma matriz elétrica predominantemente limpa, graças às hidrelétricas. No entanto, a diversificação é crucial para evitar crises hídricas e garantir a segurança energética no futuro. O modelo dinamarquês oferece lições práticas que podem acelerar o desenvolvimento do imenso potencial eólico brasileiro, especialmente no mar.
A primeira lição é a criação de um ambiente regulatório estável e de longo prazo. Regras claras e previsíveis são essenciais para atrair os investimentos bilionários necessários para a construção de grandes parques eólicos, tanto em terra quanto no mar.
Outro ponto fundamental é a participação comunitária. Inspirar-se no modelo histórico dinamarquês, criando mecanismos para que as comunidades locais se beneficiem financeiramente dos projetos, pode acelerar a aprovação e a implementação, transformando o que poderia ser um conflito em uma parceria vantajosa para todos.
Por fim, a experiência da Dinamarca com a tecnologia offshore é um mapa para o Brasil. O litoral brasileiro, em especial na região Nordeste, apresenta condições de vento consideradas entre as melhores do mundo para esse tipo de geração. Explorar esse recurso de forma estratégica pode posicionar o país como uma potência global também na energia dos ventos.










