{"id":18681,"date":"2026-01-06T09:35:00","date_gmt":"2026-01-06T12:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/aqui\/?p=18681"},"modified":"2026-01-06T09:12:34","modified_gmt":"2026-01-06T12:12:34","slug":"anvisa-libera-testes-para-tratamento-de-lesao-na-medula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/aqui\/2026\/01\/06\/anvisa-libera-testes-para-tratamento-de-lesao-na-medula\/","title":{"rendered":"Anvisa libera testes para tratamento de les\u00e3o na medula"},"content":{"rendered":"\n<p>O in\u00edcio dos testes cl\u00ednicos com a polilaminina marca uma nova etapa na pesquisa de les\u00e3o na medula no Brasil. Desenvolvida ao longo de quase tr\u00eas d\u00e9cadas, a subst\u00e2ncia passou da bancada do laborat\u00f3rio para a avalia\u00e7\u00e3o em pacientes dentro de um protocolo<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/aqui\/2025\/12\/23\/adocante-com-ingrediente-nao-autorizado-e-suspenso-pela-anvisa\/\"> aprovado pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa)<\/a>. O foco agora \u00e9 verificar, em condi\u00e7\u00f5es rigorosamente controladas, se esse poss\u00edvel novo medicamento \u00e9 seguro para pessoas que perderam movimentos ap\u00f3s traumas na medula espinhal. <\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa \u00e9 liderada pela bi\u00f3loga e professora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e envolve uma grande rede de profissionais da sa\u00fade, cientistas e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Entretanto, o estudo n\u00e3o se limita \u00e0 etapa acad\u00eamica: ele articula hospitais universit\u00e1rios, centros de reabilita\u00e7\u00e3o e equipes multidisciplinares. O estudo ganhou destaque ao mostrar que uma prote\u00edna produzida em laborat\u00f3rio, a polilaminina, pode ajudar a reconstruir conex\u00f5es entre o c\u00e9rebro e o restante do corpo em casos espec\u00edficos de les\u00e3o. Com a autoriza\u00e7\u00e3o da Anvisa, o projeto entra em uma fase decisiva para entender o potencial dessa tecnologia em escala maior e estabelecer bases para futuras terapias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 a polilaminina e por que ela \u00e9 considerada promissora?<\/h2>\n\n\n\n<p>A polilaminina \u00e9 descrita pelos pesquisadores como uma esp\u00e9cie de <strong>rede de prote\u00ednas<\/strong> que, naturalmente, vai se tornando mais escassa no organismo ao longo da vida. Essa estrutura participa da organiza\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas do sistema nervoso, funcionando como um \u201candaime\u201d que favorece a comunica\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios. Ent\u00e3o, quando essa rede se mant\u00e9m mais est\u00e1vel, as conex\u00f5es neurais tendem a se organizar melhor, o que aumenta o interesse em us\u00e1-la em estrat\u00e9gias de reparo tecidual. A proposta do grupo da UFRJ foi reproduzir essa rede em laborat\u00f3rio, usando prote\u00ednas extra\u00eddas de placentas humanas obtidas de forma controlada e \u00e9tica, seguindo protocolos de biosseguran\u00e7a e rastreabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em experimentos anteriores, a equipe introduziu a polilaminina em oito pacientes parapl\u00e9gicos e tetrapl\u00e9gicos, todos com les\u00e3o medular grave. De acordo com os resultados reportados pelos cientistas, seis dessas pessoas recuperaram algum grau de movimento, incluindo um paciente que passou de paralisia do ombro para baixo a caminhar sem aux\u00edlio. Em suma, esses achados chamaram aten\u00e7\u00e3o pela possibilidade de <strong>recriar conex\u00f5es<\/strong> entre o c\u00e9rebro e as regi\u00f5es do corpo que haviam perdido controle motor, ainda que em condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e com n\u00famero reduzido de volunt\u00e1rios. Al\u00e9m disso, os pesquisadores observaram que a polilaminina pode atuar como ambiente facilitador para a regenera\u00e7\u00e3o de ax\u00f4nios e para a reorganiza\u00e7\u00e3o de circuitos neurais, o que refor\u00e7a seu car\u00e1ter promissor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Testes da polilaminina em les\u00e3o medular: como ser\u00e1 a nova fase?<\/h2>\n\n\n\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da Anvisa permite que a polilaminina entre formalmente na <strong>primeira fase de testes cl\u00ednicos<\/strong>, etapa em que o principal objetivo \u00e9 avaliar a seguran\u00e7a da subst\u00e2ncia. Nesta fase inicial, cinco pessoas com les\u00e3o completa da medula espinhal, causada por trauma recente, v\u00e3o receber uma inje\u00e7\u00e3o \u00fanica de polilaminina em at\u00e9 48 horas ap\u00f3s o acidente. Esse intervalo curto \u00e9 considerado estrat\u00e9gico para intervir antes que os danos se tornem irrevers\u00edveis em parte dos tecidos nervosos. Portanto, quanto mais cedo ocorre a aplica\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o trauma, maior a chance de limitar a cascata de inflama\u00e7\u00e3o e degenera\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da aplica\u00e7\u00e3o, essas pessoas ser\u00e3o acompanhadas por um per\u00edodo de seis meses. As equipes ir\u00e3o observar se surgem rea\u00e7\u00f5es adversas importantes, como inflama\u00e7\u00f5es graves, altera\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas ou qualquer sinal de toxicidade. Ent\u00e3o, al\u00e9m da monitoriza\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, os pesquisadores utilizam exames de imagem, testes neurol\u00f3gicos padronizados e avalia\u00e7\u00f5es funcionais para medir qualquer mudan\u00e7a no quadro motor ou sensitivo. Somente se essa etapa indicar um perfil de seguran\u00e7a aceit\u00e1vel, o estudo deve avan\u00e7ar para fases posteriores, nas quais a efic\u00e1cia para recupera\u00e7\u00e3o de movimentos ser\u00e1 avaliada de forma mais ampla, com grupos maiores, compara\u00e7\u00e3o com terapias padr\u00e3o e crit\u00e9rios estat\u00edsticos mais rigorosos.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Foco principal desta fase: seguran\u00e7a do uso da polilaminina;<\/li>\n\n\n\n<li>N\u00famero inicial de participantes: cinco pessoas com les\u00e3o medular completa;<\/li>\n\n\n\n<li>Aplica\u00e7\u00e3o: dose \u00fanica, at\u00e9 48 horas ap\u00f3s o trauma;<\/li>\n\n\n\n<li>Dura\u00e7\u00e3o do acompanhamento: seis meses;<\/li>\n\n\n\n<li>Pr\u00f3ximo passo: avalia\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia, caso n\u00e3o ocorram eventos adversos graves.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a aprova\u00e7\u00e3o da Anvisa \u00e9 importante para um medicamento nacional?<\/h2>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o da Anvisa n\u00e3o significa que a polilaminina j\u00e1 seja um tratamento estabelecido para les\u00e3o medular, mas indica que os dados preliminares foram considerados robustos o suficiente para justificar a testagem em pacientes sob crit\u00e9rios estritos. Em suma, essa etapa regulat\u00f3ria protege os volunt\u00e1rios, garante rastreabilidade e assegura que cada fase siga padr\u00f5es internacionais de pesquisa cl\u00ednica. Essa autoriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m refor\u00e7a a import\u00e2ncia de um produto desenvolvido em uma <strong>universidade p\u00fablica brasileira<\/strong>, com tecnologia nacional em todas as etapas, da pesquisa b\u00e1sica ao potencial medicamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da sa\u00fade p\u00fablica, caso a polilaminina se mostre segura e eficaz nas fases seguintes, o pa\u00eds pode ganhar um recurso terap\u00eautico in\u00e9dito para pessoas que perderam movimentos ap\u00f3s traumas na medula. As les\u00f5es medulares costumam afetar principalmente adultos jovens, em situa\u00e7\u00f5es como acidentes de tr\u00e2nsito, quedas e viol\u00eancia urbana, com grande impacto sobre a autonomia, a reabilita\u00e7\u00e3o e os custos do sistema de sa\u00fade. Entretanto, para que esse potencial se converta em acesso real, ser\u00e1 necess\u00e1rio integrar essa tecnologia ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), discutir financiamento, capacitar equipes e alinhar protocolos de reabilita\u00e7\u00e3o. Portanto, a aprova\u00e7\u00e3o da Anvisa abre uma porta, mas o caminho at\u00e9 o uso rotineiro ainda exige muitos passos coordenados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos desafios da pesquisa com polilaminina?<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes que a polilaminina possa ser oferecida de forma ampla, ainda ser\u00e3o necess\u00e1rios pelo menos tr\u00eas grandes est\u00e1gios de estudo cl\u00ednico, com diferentes grupos de pacientes e centros de pesquisa. Em suma, cada fase busca responder a perguntas espec\u00edficas: primeiro seguran\u00e7a, depois efic\u00e1cia, dose ideal, compara\u00e7\u00e3o com terapias existentes e, por fim, impacto em longo prazo. Os pesquisadores tamb\u00e9m sinalizam interesse em investigar, no futuro, o uso da subst\u00e2ncia em pessoas com <em>les\u00f5es cr\u00f4nicas<\/em> da medula, aquelas que ocorreram meses ou anos antes, e n\u00e3o apenas em casos recentes. Essa possibilidade depende diretamente dos resultados que ser\u00e3o observados a partir dos testes aprovados agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de comprovar seguran\u00e7a e efic\u00e1cia, a equipe ter\u00e1 de lidar com desafios como padroniza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em escala industrial, custo por dose, log\u00edstica de aplica\u00e7\u00e3o em servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade e elabora\u00e7\u00e3o de protocolos de reabilita\u00e7\u00e3o combinados ao uso da polilaminina. Ent\u00e3o, quest\u00f5es como armazenamento, tempo de validade do produto, controle de qualidade entre diferentes lotes e treinamento de profissionais se tornam centrais. Cada uma dessas etapas exige planejamento e colabora\u00e7\u00e3o entre universidades, empresas, hospitais e \u00f3rg\u00e3os reguladores.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o estudo segue acompanhado de perto pela comunidade cient\u00edfica e por pessoas com les\u00e3o medular que buscam novas alternativas de tratamento. A polilaminina ainda est\u00e1 distante do uso rotineiro, mas o avan\u00e7o para a fase cl\u00ednica representa um passo formal em dire\u00e7\u00e3o a uma poss\u00edvel terapia voltada \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de movimentos em casos selecionados de les\u00e3o da medula espinhal. Em suma, o cen\u00e1rio ainda \u00e9 de cautela, por\u00e9m de esperan\u00e7a fundamentada em dados, metodologia rigorosa e na constru\u00e7\u00e3o progressiva de evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">FAQ \u2013 Perguntas adicionais sobre a polilaminina e a pesquisa<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>1. A polilaminina cura qualquer tipo de les\u00e3o medular?<\/strong><br>N\u00e3o. A pesquisa atual foca casos muito espec\u00edficos, com crit\u00e9rios r\u00edgidos de inclus\u00e3o. Portanto, o estudo avalia principalmente les\u00f5es recentes, completas e traum\u00e1ticas. Em suma, ainda n\u00e3o existe evid\u00eancia suficiente para afirmar que a polilaminina funcione em todos os tipos de les\u00e3o medular.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Pessoas com les\u00e3o antiga podem participar dos testes agora?<\/strong><br>No momento, n\u00e3o. Os primeiros ensaios cl\u00ednicos priorizam pacientes que sofreram trauma recente, dentro de uma janela de at\u00e9 48 horas. Entretanto, o grupo de pesquisa demonstra interesse em avaliar, no futuro, protocolos voltados a les\u00f5es cr\u00f4nicas, desde que os resultados atuais indiquem seguran\u00e7a e algum grau de efic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. A polilaminina substitui a fisioterapia e a reabilita\u00e7\u00e3o?<\/strong><br>N\u00e3o. A proposta \u00e9 atuar em conjunto com programas intensivos de reabilita\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, mesmo que a subst\u00e2ncia ajude na reconex\u00e3o neural, o corpo necessita de treino motor, fortalecimento muscular e adapta\u00e7\u00e3o funcional. Em suma, a polilaminina, se aprovada, tende a integrar um conjunto de cuidados, e n\u00e3o substituir terapias j\u00e1 consolidadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Quando o tratamento poder\u00e1 estar dispon\u00edvel no SUS?<\/strong><br>Ainda n\u00e3o existe data prevista. Para chegar ao SUS, a polilaminina precisa passar por todas as fases de estudo cl\u00ednico, obter registro definitivo na Anvisa e, depois, passar por an\u00e1lise de incorpora\u00e7\u00e3o em sa\u00fade p\u00fablica, que considera custo-efetividade e impacto or\u00e7ament\u00e1rio. Portanto, trata-se de um processo que leva anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. H\u00e1 risco de efeitos colaterais graves?<\/strong><br>Todo medicamento em fase experimental pode apresentar riscos. Por isso, a primeira fase de testes se concentra justamente em seguran\u00e7a. Ent\u00e3o, os pesquisadores monitoram de perto sinais de inflama\u00e7\u00e3o, rea\u00e7\u00f5es imunol\u00f3gicas, complica\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas e qualquer altera\u00e7\u00e3o inesperada. Em suma, somente se o perfil de seguran\u00e7a se mostrar aceit\u00e1vel a pesquisa seguir\u00e1 para etapas com maior n\u00famero de volunt\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6. Como a sociedade pode acompanhar os avan\u00e7os dessa pesquisa?<\/strong><br>A equipe divulga resultados em artigos cient\u00edficos, congressos e canais institucionais da universidade e dos hospitais envolvidos. Al\u00e9m disso, ve\u00edculos de imprensa, associa\u00e7\u00f5es de pessoas com les\u00e3o medular e organismos p\u00fablicos de pesquisa tamb\u00e9m repercutem novidades. Portanto, acompanhar fontes oficiais, como a pr\u00f3pria Anvisa e a UFRJ, ajuda a obter informa\u00e7\u00f5es atualizadas e confi\u00e1veis sobre o andamento dos estudos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rem\u00e9dio brasileiro com polilaminina aprovado pela Anvisa inicia testes e leva esperan\u00e7a real de recuperar movimentos ap\u00f3s les\u00e3o medular<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":18682,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"footnotes":""},"categories":[208,123],"tags":[666,207,2887,141],"class_list":["post-18681","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-saude","tag-anvisa","tag-ciencia","tag-lesao","tag-saude"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.1 - 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