{"id":20204,"date":"2026-01-21T17:58:28","date_gmt":"2026-01-21T20:58:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/aqui\/?p=20204"},"modified":"2026-01-21T17:58:31","modified_gmt":"2026-01-21T20:58:31","slug":"quem-foi-alois-alzheimer-medico-que-deu-nome-a-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/aqui\/2026\/01\/21\/quem-foi-alois-alzheimer-medico-que-deu-nome-a-doenca\/","title":{"rendered":"Quem foi Alois Alzheimer, m\u00e9dico que deu nome \u00e0 doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da doen\u00e7a de Alzheimer come\u00e7a muito antes de se tornar um termo conhecido em hospitais, pesquisas e conversas familiares. No fim do s\u00e9culo 19, a medicina ainda engatinhava na compreens\u00e3o das dem\u00eancias, e muitos casos eram tratados apenas como \u201cloucura\u201d ou \u201csenilidade\u201d. Nesse cen\u00e1rio, o m\u00e9dico alem\u00e3o Alois Alzheimer passou a observar com aten\u00e7\u00e3o o comportamento de pacientes que apresentavam altera\u00e7\u00f5es de mem\u00f3ria, linguagem e personalidade, tentando entender o que havia por tr\u00e1s desses quadros. Portanto, esse contexto hist\u00f3rico mostra como a vis\u00e3o sobre o envelhecimento e os transtornos cognitivos mudou de forma profunda ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Nascido em 1864, no sul da Alemanha, Alois Alzheimer formou-se em medicina e seguiu o caminho da psiquiatria e da neuropatologia. Em vez de se limitar aos diagn\u00f3sticos gerais da \u00e9poca, ele valorizava o registro minucioso de sintomas e a compara\u00e7\u00e3o entre o que via em vida e o que encontrava no c\u00e9rebro ap\u00f3s a morte dos pacientes. Essa combina\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e estudo anat\u00f4mico seria determinante para identificar a condi\u00e7\u00e3o que mais tarde passaria a ser chamada de <strong>doen\u00e7a de Alzheimer<\/strong>. Em suma, essa postura investigativa marcou o in\u00edcio de uma abordagem mais cient\u00edfica e detalhada das dem\u00eancias, abrindo caminho para o que hoje chamamos de medicina baseada em evid\u00eancias.<\/p>\n<h2>O que foi observado no primeiro caso de Alzheimer?<\/h2>\n<p>O caso que marcou a hist\u00f3ria da <strong>dem\u00eancia de Alzheimer<\/strong> envolveu uma paciente chamada Auguste Deter, acompanhada por Alois Alzheimer a partir de 1901. Com cerca de 50 anos, ela apresentava esquecimentos frequentes, desorienta\u00e7\u00e3o, dificuldade em se expressar e mudan\u00e7as de humor consideradas at\u00edpicas para algu\u00e9m nessa faixa et\u00e1ria. Em uma \u00e9poca em que a maioria das dem\u00eancias se associava apenas ao envelhecimento avan\u00e7ado, esse quadro despertou interesse especial. Ent\u00e3o, a idade relativamente jovem de Auguste chamou a aten\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos que ainda acreditavam que problemas cognitivos graves pertenciam quase exclusivamente \u00e0 velhice extrema.<\/p>\n<p>Alzheimer registrou di\u00e1logos, rea\u00e7\u00f5es emocionais e oscila\u00e7\u00f5es de comportamento de Auguste ao longo dos anos. Ap\u00f3s a morte da paciente, em 1906, ele examinou o c\u00e9rebro e identificou dois achados que se tornariam cl\u00e1ssicos na descri\u00e7\u00e3o da <strong>doen\u00e7a de Alzheimer<\/strong>: o ac\u00famulo de placas entre os neur\u00f4nios e a presen\u00e7a de emaranhados no interior das c\u00e9lulas nervosas. Essas altera\u00e7\u00f5es se associavam \u00e0 perda de tecido em \u00e1reas ligadas \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 linguagem, ajudando a explicar os sintomas observados durante a vida. Entretanto, naquela \u00e9poca, poucos pesquisadores compreendiam totalmente o significado desses achados, e levou d\u00e9cadas at\u00e9 que a comunidade cient\u00edfica aceitasse a doen\u00e7a de Alzheimer como uma entidade distinta, diferente de outras dem\u00eancias.<\/p>\n<h2>Como a doen\u00e7a de Alzheimer se manifesta no dia a dia?<\/h2>\n<p>Atualmente, a <strong>doen\u00e7a de Alzheimer<\/strong> \u00e9 reconhecida como uma condi\u00e7\u00e3o neurodegenerativa progressiva. Ela costuma se desenvolver de forma lenta, com sinais discretos no in\u00edcio, que muitos confundem com distra\u00e7\u00e3o, estresse ou cansa\u00e7o. Com o tempo, esses sintomas se intensificam e interferem de maneira crescente na autonomia da pessoa afetada. Em suma, o que come\u00e7a como pequenos esquecimentos pode, gradualmente, comprometer a capacidade de trabalhar, de manter relacionamentos e de cuidar de si mesmo.<\/p>\n<p>Entre os sinais frequentemente associados \u00e0 <strong>dem\u00eancia de Alzheimer<\/strong>, destacam-se:<\/p>\n<ul>\n<li>Esquecimento de acontecimentos recentes, como conversas ou compromissos;<\/li>\n<li>Dificuldade para lembrar nomes de pessoas pr\u00f3ximas ou itens comuns;<\/li>\n<li>Desorienta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a datas, lugares ou rotas conhecidas;<\/li>\n<li>Problemas para planejar tarefas simples, como organizar o dia ou preparar uma refei\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Mudan\u00e7as de comportamento, com maior irritabilidade, apatia ou repeti\u00e7\u00e3o de frases e perguntas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m desses sinais, familiares muitas vezes notam mudan\u00e7as sutis no julgamento, na tomada de decis\u00e3o e no interesse por atividades que antes traziam prazer. Ent\u00e3o, a pessoa pode deixar de pagar contas no prazo, ter dificuldade em lidar com aparelhos eletr\u00f4nicos simples ou apresentar maior isolamento social. Embora seja mais comum ap\u00f3s os 70 anos, existem formas de <strong>Alzheimer precoce<\/strong>, que surgem em adultos mais jovens, por volta dos 40 ou 50 anos. Nesses casos, o impacto costuma ser marcante na vida profissional e nas rela\u00e7\u00f5es sociais, j\u00e1 que ocorre em uma fase em que se espera plena capacidade funcional. Portanto, o reconhecimento precoce dos sintomas permite planejar melhor o futuro, ajustar rotinas e buscar apoio especializado.<\/p>\n<h2>Por que a doen\u00e7a recebeu o nome Alzheimer?<\/h2>\n<p>O nome <strong>Alzheimer<\/strong> n\u00e3o foi escolhido pelo pr\u00f3prio m\u00e9dico. A denomina\u00e7\u00e3o surgiu em 1910, quando o psiquiatra Emil Kraepelin, colega e mentor de Alois Alzheimer, publicou um manual de psiquiatria e incluiu o termo \u201cdoen\u00e7a de Alzheimer\u201d para descrever aquele tipo espec\u00edfico de dem\u00eancia associada \u00e0s altera\u00e7\u00f5es microsc\u00f3picas do c\u00e9rebro. A partir da\u00ed, o sobrenome do pesquisador passou a ser ligado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o em livros, artigos cient\u00edficos e, posteriormente, em protocolos de diagn\u00f3stico. Em suma, o termo consolidou-se internacionalmente e, hoje, aparece em diretrizes de sa\u00fade, campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e materiais educativos voltados para fam\u00edlias e profissionais.<\/p>\n<p>Alois Alzheimer morreu em 1915, aos 51 anos, sem acompanhar a expans\u00e3o do uso de seu nome na medicina mundial. Com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e o avan\u00e7o da neuropatologia ao longo do s\u00e9culo 20, a <strong>doen\u00e7a de Alzheimer<\/strong> foi sendo reconhecida como a forma mais comum de dem\u00eancia no planeta. Atualmente, atinge milh\u00f5es de pessoas e representa um grande desafio para fam\u00edlias, servi\u00e7os de sa\u00fade e pol\u00edticas p\u00fablicas. Ent\u00e3o, \u00e0 medida que a expectativa de vida aumenta, cresce tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico precoce e cuidado integral \u00e0s pessoas com dem\u00eancia.<\/p>\n<h2>Como a ci\u00eancia entende a doen\u00e7a de Alzheimer hoje?<\/h2>\n<p>Em 2025, o entendimento da <strong>dem\u00eancia de Alzheimer<\/strong> envolve diversos fatores biol\u00f3gicos. Estudos indicam a participa\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas alteradas, como beta-amiloide e tau, al\u00e9m de processos de inflama\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro, altera\u00e7\u00f5es vasculares, aspectos gen\u00e9ticos e falhas no metabolismo de energia dos neur\u00f4nios. Esses elementos podem atuar em conjunto, favorecendo a morte progressiva das c\u00e9lulas cerebrais. Entretanto, os pesquisadores tamb\u00e9m observam a influ\u00eancia de fatores de estilo de vida, como sedentarismo, alimenta\u00e7\u00e3o rica em gorduras saturadas, tabagismo, consumo excessivo de \u00e1lcool e baixa estimula\u00e7\u00e3o cognitiva ao longo da vida.<\/p>\n<p>Embora ainda n\u00e3o exista cura para a <strong>doen\u00e7a de Alzheimer<\/strong>, o tratamento combina medicamentos e interven\u00e7\u00f5es n\u00e3o farmacol\u00f3gicas que buscam retardar a progress\u00e3o dos sintomas e preservar a qualidade de vida. Entre as estrat\u00e9gias frequentemente utilizadas est\u00e3o:<\/p>\n<ol>\n<li>Uso de rem\u00e9dios que atuam na comunica\u00e7\u00e3o entre neur\u00f4nios;<\/li>\n<li>Estimula\u00e7\u00e3o cognitiva, com atividades de mem\u00f3ria, linguagem e racioc\u00ednio;<\/li>\n<li>Fisioterapia e exerc\u00edcios f\u00edsicos para manter mobilidade e equil\u00edbrio;<\/li>\n<li>Apoio psicol\u00f3gico e orienta\u00e7\u00f5es para familiares e cuidadores;<\/li>\n<li>Adequa\u00e7\u00f5es na rotina e no ambiente dom\u00e9stico para reduzir riscos e facilitar o dia a dia.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Al\u00e9m disso, ent\u00e3o, muitos especialistas recomendam medidas de preven\u00e7\u00e3o ao longo da vida, como controlar a press\u00e3o arterial, o colesterol e o diabetes, manter peso saud\u00e1vel, praticar atividade f\u00edsica regular, cultivar rela\u00e7\u00f5es sociais e buscar desafios intelectuais cont\u00ednuos. Portanto, essas a\u00e7\u00f5es parecem reduzir o risco global de dem\u00eancia ou, pelo menos, retardar o in\u00edcio dos sintomas. Em suma, o cuidado com o c\u00e9rebro come\u00e7a muito antes do primeiro esquecimento marcante e envolve uma vis\u00e3o integrada de sa\u00fade f\u00edsica, mental e social.<\/p>\n<p>Mais de um s\u00e9culo ap\u00f3s o primeiro relato de Auguste Deter, o nome <strong>Alzheimer<\/strong> segue associado n\u00e3o apenas a uma doen\u00e7a, mas a um marco na forma de compreender o c\u00e9rebro humano. A partir das observa\u00e7\u00f5es feitas no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, abriu-se espa\u00e7o para uma investiga\u00e7\u00e3o baseada em evid\u00eancias, relacionando altera\u00e7\u00f5es microsc\u00f3picas do tecido cerebral a mudan\u00e7as complexas na mem\u00f3ria, no comportamento e na identidade das pessoas afetadas. Portanto, entender a hist\u00f3ria, as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas e os avan\u00e7os cient\u00edficos em torno da doen\u00e7a de Alzheimer ajuda fam\u00edlias, cuidadores e profissionais de sa\u00fade a enfrentar esse desafio com mais informa\u00e7\u00e3o, sensibilidade e planejamento.<\/p>\n<h2>FAQ \u2013 Perguntas frequentes sobre a doen\u00e7a de Alzheimer<\/h2>\n<p><strong>1. A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 a mesma coisa que \u201cesquecimento da idade\u201d?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. O esquecimento associado ao envelhecimento costuma ser leve, n\u00e3o interfere de forma importante na rotina e geralmente n\u00e3o piora rapidamente. Na doen\u00e7a de Alzheimer, entretanto, o esquecimento se torna progressivo, afeta atividades di\u00e1rias e vem acompanhado de outras altera\u00e7\u00f5es, como desorienta\u00e7\u00e3o, dificuldade para planejar tarefas e mudan\u00e7as de comportamento.<\/p>\n<p><strong>2. Existe exame espec\u00edfico que confirme a doen\u00e7a de Alzheimer?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico exame que confirme o diagn\u00f3stico de forma absoluta. Em suma, os m\u00e9dicos combinam avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica detalhada, testes cognitivos, exames de sangue e de imagem (como tomografia ou resson\u00e2ncia) para excluir outras causas de dem\u00eancia. Em alguns centros especializados, exames de l\u00edquor e de biomarcadores complementam essa investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>3. A doen\u00e7a de Alzheimer sempre \u00e9 heredit\u00e1ria?<\/strong><br \/>\nNa maioria dos casos, a doen\u00e7a de Alzheimer apresenta car\u00e1ter espor\u00e1dico, sem heran\u00e7a direta. Entretanto, h\u00e1 formas familiares raras, principalmente quando v\u00e1rios parentes de primeiro grau adoecem em idade precoce. Ent\u00e3o, nesses casos, m\u00e9dicos podem indicar avalia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica em ambiente especializado, com orienta\u00e7\u00e3o adequada sobre riscos e limites desse tipo de exame.<\/p>\n<p><strong>4. Mudan\u00e7as na alimenta\u00e7\u00e3o realmente ajudam a proteger o c\u00e9rebro?<\/strong><br \/>\nUma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, gr\u00e3os integrais e fontes saud\u00e1veis de gordura, como peixes e azeite de oliva, associa-se a menor risco de decl\u00ednio cognitivo. Portanto, padr\u00f5es alimentares como a dieta mediterr\u00e2nea ou a dieta MIND parecem contribuir para a sa\u00fade cerebral, especialmente quando combinados com atividade f\u00edsica e controle de doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p><strong>5. Pessoas com Alzheimer entendem o que acontece com elas?<\/strong><br \/>\nNos est\u00e1gios iniciais, muitas pessoas percebem as falhas de mem\u00f3ria e sentem medo, inseguran\u00e7a ou vergonha, o que pode gerar ansiedade e depress\u00e3o. Em suma, a comunica\u00e7\u00e3o clara, o acolhimento e o apoio emocional fazem diferen\u00e7a nesse per\u00edodo. Com a progress\u00e3o da doen\u00e7a, a percep\u00e7\u00e3o de si e do ambiente muda, mas gestos de carinho, tom de voz calmo e rotinas previs\u00edveis continuam essenciais para oferecer conforto e seguran\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da doen\u00e7a de Alzheimer come\u00e7a muito antes de se tornar um termo conhecido em hospitais, pesquisas e conversas familiares. No fim do s\u00e9culo 19, a medicina ainda engatinhava na compreens\u00e3o das dem\u00eancias, e muitos casos eram tratados apenas como \u201cloucura\u201d ou \u201csenilidade\u201d. 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