{"id":20744,"date":"2026-01-28T18:08:45","date_gmt":"2026-01-28T21:08:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/aqui\/?p=20744"},"modified":"2026-01-28T18:08:49","modified_gmt":"2026-01-28T21:08:49","slug":"dormir-tarde-aumenta-risco-de-avc-e-infarto-estudo-choca-veja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/aqui\/2026\/01\/28\/dormir-tarde-aumenta-risco-de-avc-e-infarto-estudo-choca-veja\/","title":{"rendered":"Dormir tarde aumenta risco de AVC e infarto? Estudo choca; veja"},"content":{"rendered":"<p>Pessoas que preferem dormir e acordar mais tarde, conhecidas popularmente como \u201cnoturnas\u201d, v\u00eam chamando a aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores por poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o com o aumento do risco cardiovascular. Estudos recentes indicam que esse padr\u00e3o de sono pode estar associado a piores indicadores de sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o ao longo dos anos, especialmente quando combinado com outros comportamentos de estilo de vida pouco saud\u00e1veis. Em suma, n\u00e3o \u00e9 apenas o hor\u00e1rio de dormir que importa, mas todo o contexto em que esse padr\u00e3o de vida noturno acontece.<\/p>\n<p>Esse interesse cient\u00edfico n\u00e3o se limita ao hor\u00e1rio em que algu\u00e9m apaga a luz. Portanto, o foco est\u00e1 no <strong>cronotipo<\/strong>, a inclina\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica que leva uma pessoa a funcionar melhor pela manh\u00e3, \u00e0 tarde ou \u00e0 noite. Ao observar grandes grupos populacionais, pesquisadores t\u00eam avaliado se o cronotipo noturno, mais ativo \u00e0 noite, estaria ligado a maiores taxas de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outros problemas cardiovasculares. Entretanto, \u00e9 importante frisar que o cronotipo, por si s\u00f3, n\u00e3o condena ningu\u00e9m a ter doen\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o; o que pesa \u00e9 a forma como a rotina se organiza ao redor dele.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 cronotipo e por que ele importa para o cora\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>O cronotipo \u00e9 determinado em grande parte por fatores gen\u00e9ticos, mas tamb\u00e9m sofre influ\u00eancia do ambiente, como exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz, rotina de trabalho e h\u00e1bitos di\u00e1rios. De forma geral, classificam-se tr\u00eas perfis principais: matutino, intermedi\u00e1rio e vespertino (ou noturno). Pessoas com cronotipo vespertino tendem a adormecer e acordar mais tarde, e costumam apresentar maior disposi\u00e7\u00e3o nas horas finais do dia. Ent\u00e3o, esse padr\u00e3o faz com que muitas delas \u201cengrenem\u201d justamente quando a maioria j\u00e1 est\u00e1 desacelerando.<\/p>\n<p>Pesquisas recentes sugerem que esse padr\u00e3o mais noturno pode se associar a um conjunto de fatores de risco para o cora\u00e7\u00e3o. Entre eles, destacam-se maior chance de sono insuficiente durante a semana, maior preval\u00eancia de tabagismo, alimenta\u00e7\u00e3o de pior qualidade e menor pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica no per\u00edodo da manh\u00e3. Portanto, quando somados, esses elementos podem impactar indicadores como press\u00e3o arterial, n\u00edveis de colesterol, glicemia e peso corporal. Em suma, o cronotipo noturno, associado a h\u00e1bitos desorganizados, tende a favorecer um ambiente interno mais inflamat\u00f3rio e metab\u00f3lica e hemodinamicamente desfavor\u00e1vel ao longo do tempo.<\/p>\n<h2>Pessoas mais ativas \u00e0 noite t\u00eam risco maior para o cora\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>Estudos de grande porte, que acompanharam centenas de milhares de adultos por mais de uma d\u00e9cada, apontam que indiv\u00edduos com <strong>cronotipo noturno<\/strong> apresentam maior probabilidade de ter uma sa\u00fade cardiovascular considerada desfavor\u00e1vel em avalia\u00e7\u00f5es padronizadas. Em alguns levantamentos, o risco de registrar eventos como infarto ou AVC ao longo do acompanhamento foi superior entre aqueles com perfil vespertino, em compara\u00e7\u00e3o com pessoas de cronotipo intermedi\u00e1rio. Entretanto, nem todos os estudos mostram o mesmo grau de risco, o que indica que fatores culturais, de g\u00eanero, ocupacionais e de acesso \u00e0 sa\u00fade tamb\u00e9m influenciam muito essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das ferramentas usadas para medir a sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o conjunto de crit\u00e9rios conhecido como <strong>Life\u2019s Essential 8<\/strong>, da American Heart Association. Esse \u00edndice contempla alimenta\u00e7\u00e3o, pr\u00e1tica de exerc\u00edcio, tabagismo, sono, peso, colesterol, glicemia e press\u00e3o arterial. Pessoas mais ativas \u00e0 noite, em m\u00e9dia, tendem a obter pontua\u00e7\u00f5es piores em parte desses itens, o que ajuda a explicar a diferen\u00e7a de risco observada. Ent\u00e3o, em algumas an\u00e1lises, o efeito pareceu mais acentuado entre mulheres, sugerindo poss\u00edveis influ\u00eancias hormonais e sociais, como dupla jornada de trabalho e maior sobrecarga com cuidados dom\u00e9sticos. Portanto, entender o cronotipo tamb\u00e9m ajuda a enxergar desigualdades de sa\u00fade entre grupos diferentes.<\/p>\n<h2>Como o rel\u00f3gio biol\u00f3gico influencia o risco cardiovascular?<\/h2>\n<p>Um dos conceitos centrais para entender essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 o <strong>desalinhamento circadiano<\/strong>. O corpo humano funciona com base em um rel\u00f3gio interno de cerca de 24 horas, que regula sono, temperatura corporal, libera\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios e metabolismo. Quando a rotina di\u00e1ria n\u00e3o acompanha esse ritmo, podem ocorrer altera\u00e7\u00f5es em processos importantes para a sa\u00fade cardiovascular. Em suma, quanto maior o \u201cdescompasso\u201d entre o rel\u00f3gio interno e o mundo externo, maior tende a ser a press\u00e3o sobre o organismo.<\/p>\n<p>Pessoas com cronotipo noturno frequentemente precisam acordar mais cedo do que seu organismo \u201cgostaria\u201d, por exig\u00eancia de trabalho, estudo ou compromissos sociais. Isso gera uma esp\u00e9cie de \u201cjet lag social\u201d, em que o rel\u00f3gio interno n\u00e3o acompanha os hor\u00e1rios impostos. Em consequ\u00eancia, podem surgir:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Diminui\u00e7\u00e3o do tempo total de sono<\/strong> e pior qualidade do descanso, o que aumenta n\u00edveis de horm\u00f4nios do estresse, como o cortisol;<\/li>\n<li><strong>Maior exposi\u00e7\u00e3o noturna \u00e0 luz artificial<\/strong>, que atrasa ainda mais o rel\u00f3gio biol\u00f3gico e reduz a produ\u00e7\u00e3o de melatonina;<\/li>\n<li><strong>Altera\u00e7\u00f5es na regula\u00e7\u00e3o da glicose<\/strong> e da press\u00e3o arterial, favorecendo resist\u00eancia \u00e0 insulina e maior sobrecarga vascular;<\/li>\n<li><strong>Aumento da ingest\u00e3o cal\u00f3rica \u00e0 noite<\/strong>, frequentemente com alimentos ultraprocessados, em hor\u00e1rios em que o metabolismo j\u00e1 est\u00e1 mais lento.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esse conjunto de fatores contribui para o ac\u00famulo de risco ao longo dos anos, especialmente na meia-idade e na velhice, fases em que o corpo tende a ser mais sens\u00edvel a desajustes metab\u00f3licos e hemodin\u00e2micos. Entretanto, ajustes graduais de rotina, alinhando melhor hor\u00e1rios de sono, alimenta\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio ao rel\u00f3gio interno, podem reduzir de forma relevante essa sobrecarga.<\/p>\n<h2>Quais h\u00e1bitos podem reduzir o risco em quem \u00e9 mais noturno?<\/h2>\n<p>Especialistas enfatizam que ter prefer\u00eancia por hor\u00e1rios tardios n\u00e3o significa que algu\u00e9m necessariamente desenvolver\u00e1 doen\u00e7a cardiovascular. Portanto, o ponto central s\u00e3o os comportamentos que acompanham esse estilo de vida. Ajustes relativamente simples podem ajudar a mitigar o risco em pessoas com padr\u00e3o mais noturno. Em suma, o objetivo n\u00e3o \u00e9 \u201cfor\u00e7ar\u201d a pessoa a virar matutina, mas organizar o dia a dia de forma mais estrat\u00e9gica e compat\u00edvel com seu ritmo.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Cuidar da higiene do sono<\/strong>\n<ul>\n<li>Estabelecer hor\u00e1rio regular para dormir e acordar, inclusive em fins de semana, reduzindo varia\u00e7\u00f5es bruscas;<\/li>\n<li>Reduzir exposi\u00e7\u00e3o a telas e luzes fortes pelo menos uma hora antes de deitar; ent\u00e3o, priorizar luzes mais amenas e atividades relaxantes;<\/li>\n<li>Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura agrad\u00e1vel para facilitar o in\u00edcio e a manuten\u00e7\u00e3o do sono;<\/li>\n<li>Evitar cafe\u00edna, nicotina e grandes refei\u00e7\u00f5es nas horas imediatamente anteriores ao hor\u00e1rio de dormir.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li><strong>Adequar estilo de vida ao cronotipo sempre que poss\u00edvel<\/strong>\n<ul>\n<li>Negociar hor\u00e1rios de trabalho ou estudo que respeitem melhor o ritmo individual, quando vi\u00e1vel, como iniciar o expediente um pouco mais tarde;<\/li>\n<li>Planejar refei\u00e7\u00f5es principais em hor\u00e1rios regulares, evitando grandes lanches de madrugada e priorizando um jantar mais leve;<\/li>\n<li>Incluir atividade f\u00edsica em um per\u00edodo do dia em que haja mais disposi\u00e7\u00e3o, sem comprometer o sono; portanto, avaliar se o treino noturno muito intenso piora a qualidade do sono;<\/li>\n<li>Organizar tarefas cognitivamente mais exigentes para a faixa de hor\u00e1rio em que a aten\u00e7\u00e3o e o foco costumam estar mais altos.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li><strong>Reduzir fatores de risco cl\u00e1ssicos<\/strong>\n<ul>\n<li>Evitar o tabagismo e buscar apoio para parar de fumar, se necess\u00e1rio, j\u00e1 que fumar \u00e0 noite costuma se associar a maior consumo di\u00e1rio;<\/li>\n<li>Monitorar press\u00e3o arterial, glicemia e colesterol regularmente; ent\u00e3o, seguir o tratamento prescrito, inclusive quanto ao melhor hor\u00e1rio para certos medicamentos;<\/li>\n<li>Priorizar alimenta\u00e7\u00e3o rica em frutas, verduras, legumes e gr\u00e3os integrais, limitando ultraprocessados, \u00e1lcool em excesso e refei\u00e7\u00f5es muito tardias;<\/li>\n<li>Controlar o peso corporal de forma gradual, por meio de alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada e movimento di\u00e1rio, e n\u00e3o apenas com \u201cdietas rel\u00e2mpago\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<h2>O que a ci\u00eancia ainda precisa esclarecer sobre o cronotipo noturno?<\/h2>\n<p>Apesar das evid\u00eancias crescentes, pesquisadores destacam algumas limita\u00e7\u00f5es. Em muitos estudos, o <strong>cronotipo<\/strong> \u00e9 autodeclarado e avaliado apenas em um \u00fanico momento, o que n\u00e3o captura poss\u00edveis mudan\u00e7as ao longo da vida. Al\u00e9m disso, grande parte das amostras envolve popula\u00e7\u00f5es com caracter\u00edsticas espec\u00edficas, como predomin\u00e2ncia de pessoas brancas e com melhor estado geral de sa\u00fade, o que pode restringir a aplica\u00e7\u00e3o dos resultados a outros grupos. Portanto, estudos mais diversos, com acompanhamento ao longo de d\u00e9cadas e medi\u00e7\u00e3o objetiva de sono e luz, ainda s\u00e3o necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ainda assim, os dados dispon\u00edveis refor\u00e7am a import\u00e2ncia de considerar o hor\u00e1rio preferencial de sono e vig\u00edlia ao avaliar risco cardiovascular. Na pr\u00e1tica cl\u00ednica, essa informa\u00e7\u00e3o pode auxiliar no aconselhamento sobre estilo de vida e at\u00e9 na escolha do melhor hor\u00e1rio para determinadas interven\u00e7\u00f5es. Em suma, ao reconhecer o impacto do ritmo biol\u00f3gico na sa\u00fade, abre-se espa\u00e7o para estrat\u00e9gias mais personalizadas de preven\u00e7\u00e3o, especialmente para quem \u00e9, naturalmente, mais ativo \u00e0 noite. Entretanto, nenhuma decis\u00e3o deve ser tomada de forma isolada: o ideal \u00e9 discutir o pr\u00f3prio padr\u00e3o de sono e rotina com um profissional de sa\u00fade, integrando cronotipo, contexto de vida e outros fatores de risco.<\/p>\n<h2>FAQ: d\u00favidas frequentes sobre cronotipo noturno e cora\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p><strong>1. Cronotipo noturno \u00e9 considerado uma doen\u00e7a?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Cronotipo noturno \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o normal do funcionamento biol\u00f3gico. Portanto, n\u00e3o se trata de doen\u00e7a. O problema aparece quando a rotina externa entra em choque intenso com esse ritmo interno, favorecendo sono curto, alimenta\u00e7\u00e3o desorganizada e sedentarismo.<\/p>\n<p><strong>2. Vale a pena tentar \u201cfor\u00e7ar\u201d o corpo a virar matutino?<\/strong><br \/>\nNa maioria dos casos, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio for\u00e7ar uma mudan\u00e7a radical. Em suma, o mais efetivo \u00e9 ajustar gradualmente hor\u00e1rios de sono, exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz e organiza\u00e7\u00e3o do dia, tentando reduzir o desalinhamento com o mundo externo, sem gerar sofrimento ou priva\u00e7\u00e3o de sono cr\u00f4nica.<\/p>\n<p><strong>3. Trabalhar em turnos (principalmente \u00e0 noite) piora o risco de quem j\u00e1 \u00e9 noturno?<\/strong><br \/>\nDepende. Algumas pessoas de cronotipo vespertino se adaptam melhor a turnos tardios do que as matutinas. Entretanto, rod\u00edzios frequentes de turno, jornadas longas e falta de sono de recupera\u00e7\u00e3o aumentam bastante o risco cardiovascular, independentemente do cronotipo.<\/p>\n<p><strong>4. Exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz solar ajuda quem \u00e9 mais noturno?<\/strong><br \/>\nSim. Portanto, se poss\u00edvel, \u00e9 \u00fatil se expor \u00e0 luz natural pela manh\u00e3, mesmo que por alguns minutos. Isso tende a adiantar um pouco o rel\u00f3gio biol\u00f3gico, facilitar o sono \u00e0 noite e melhorar o alinhamento com o ciclo claro-escuro.<\/p>\n<p><strong>5. Suplementos de melatonina s\u00e3o indicados para cronotipo noturno?<\/strong><br \/>\nA melatonina pode ajudar em alguns casos espec\u00edficos, mas o uso deve ser orientado por profissional de sa\u00fade. Ent\u00e3o, antes de pensar em suplementos, vale otimizar higiene do sono, hor\u00e1rios regulares e manejo da luz, que costumam trazer bons resultados sem riscos adicionais.<\/p>\n<p><strong>6. Existe idade em que o cronotipo noturno \u00e9 mais comum?<\/strong><br \/>\nSim. A adolesc\u00eancia e o in\u00edcio da vida adulta tendem a ser fases mais \u201cnoturnas\u201d para muitas pessoas. Em suma, o cronotipo costuma ficar um pouco mais matutino com o envelhecimento, embora a prefer\u00eancia individual varie bastante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessoas que preferem dormir e acordar mais tarde, conhecidas popularmente como \u201cnoturnas\u201d, v\u00eam chamando a aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores por poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o com o aumento do risco cardiovascular. 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