{"id":20752,"date":"2026-01-28T18:15:11","date_gmt":"2026-01-28T21:15:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/aqui\/?p=20752"},"modified":"2026-01-28T18:15:15","modified_gmt":"2026-01-28T21:15:15","slug":"como-surgiu-a-receita-do-feijao-consumido-por-60-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/aqui\/2026\/01\/28\/como-surgiu-a-receita-do-feijao-consumido-por-60-dos-brasileiros\/","title":{"rendered":"Como surgiu a receita do feij\u00e3o consumido por 60% dos brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>Consumido no Brasil h\u00e1 s\u00e9culos, o feij\u00e3o ocupa papel central na alimenta\u00e7\u00e3o cotidiana e na cultura alimentar do pa\u00eds. Entre os diversos tipos de gr\u00e3os presentes nas mesas e nas lavouras, o feij\u00e3o carioca, tamb\u00e9m chamado de <strong>feij\u00e3o-carioquinha<\/strong>, tornou-se o principal representante desse grupo a partir da d\u00e9cada de 1970. Hoje, esse gr\u00e3o rajado marrom-claro responde por boa parte do consumo nacional e \u00e9 visto como um s\u00edmbolo da combina\u00e7\u00e3o entre tradi\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria, pesquisa agr\u00edcola e, mais recentemente, de escolhas alimentares voltadas \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 sustentabilidade.<\/p>\n<p>A populariza\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o carioquinha n\u00e3o ocorreu de forma espont\u00e2nea. Ela resulta da intera\u00e7\u00e3o entre agricultores, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e pol\u00edticas p\u00fablicas, que ajudaram a transformar uma descoberta pontual em um produto amplamente dispon\u00edvel. Ao longo de pouco mais de meio s\u00e9culo, o gr\u00e3o passou de novidade desconhecida a item quase obrigat\u00f3rio em mercados, restaurantes e cozinhas dom\u00e9sticas, especialmente em regi\u00f5es como o Estado de S\u00e3o Paulo. <strong>Em suma<\/strong>, o feij\u00e3o carioca ilustra como a inova\u00e7\u00e3o no campo influencia diretamente o que chega ao prato das fam\u00edlias brasileiras.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 o feij\u00e3o carioca e por que ele \u00e9 t\u00e3o consumido?<\/h2>\n<p>O <strong>feij\u00e3o carioca<\/strong> \u00e9 uma <em>cultivar<\/em> de feij\u00e3o-comum caracterizada pela casca de cor marrom-clara, rajada com manchas mais escuras. Diferentemente de uma \u201cvariedade\u201d que surge e se espalha apenas por sele\u00e7\u00e3o natural, a cultivar resulta de t\u00e9cnicas de melhoramento gen\u00e9tico em campo, conduzidas por agr\u00f4nomos e institui\u00e7\u00f5es especializadas. No caso do carioquinha, o ponto de partida foi uma muta\u00e7\u00e3o natural observada em uma lavoura paulista nos anos 1960, que gerou plantas mais vigorosas, produtivas e resistentes a doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Entre os motivos que ajudam a explicar a ampla aceita\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o carioquinha est\u00e3o a <strong>alta produtividade por hectare<\/strong>, a maior resist\u00eancia a pragas em compara\u00e7\u00e3o a tipos mais antigos e o desempenho culin\u00e1rio considerado favor\u00e1vel. <strong>Portanto<\/strong>, ele se destaca n\u00e3o apenas pela apar\u00eancia, mas tamb\u00e9m pela efici\u00eancia no campo e pela praticidade na cozinha. O gr\u00e3o cozinha com relativa rapidez, produz um caldo consistente e claro e se adapta bem a preparos variados, desde pratos do dia a dia at\u00e9 receitas festivas. Esses fatores contribu\u00edram para reduzir custos de produ\u00e7\u00e3o e, por consequ\u00eancia, os pre\u00e7os ao consumidor, ampliando o acesso ao alimento em diferentes faixas de renda.<\/p>\n<p><strong>Entretanto<\/strong>, o feij\u00e3o carioca n\u00e3o agrada somente por quest\u00f5es econ\u00f4micas. Do ponto de vista nutricional, ele oferece prote\u00ednas vegetais, fibras e minerais que favorecem a saciedade, o controle glic\u00eamico e a sa\u00fade intestinal. <strong>Ent\u00e3o<\/strong>, muitas pessoas que buscam uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada, incluindo vegetarianos, veganos e quem deseja reduzir o consumo de carne, recorrem a esse gr\u00e3o como alternativa vers\u00e1til e acess\u00edvel. Em termos de sustentabilidade, o feij\u00e3o carioca tamb\u00e9m contribui para rota\u00e7\u00e3o de culturas e para o aproveitamento de diferentes tipos de solo, o que fortalece a agricultura familiar e regional.<\/p>\n<h2>Feij\u00e3o carioca: como surgiu e como se espalhou pelo pa\u00eds?<\/h2>\n<p>A hist\u00f3ria do <strong>feij\u00e3o-carioquinha<\/strong> costuma ser contada a partir de um epis\u00f3dio em uma propriedade rural no interior de S\u00e3o Paulo, em 1963. Em uma planta\u00e7\u00e3o de outro tipo de feij\u00e3o, alguns p\u00e9s apresentaram gr\u00e3os rajados, com apar\u00eancia distinta do restante da lavoura. A partir da\u00ed, o agricultor respons\u00e1vel decidiu separar essas plantas, fazer sele\u00e7\u00e3o massal das sementes e continuar plantando os gr\u00e3os diferenciados, observando que eram mais produtivos e menos sujeitos a doen\u00e7as.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi encaminhar amostras ao Instituto Agron\u00f4mico de Campinas, que avaliou o desempenho da nova linhagem, comparando produtividade, resist\u00eancia e qualidade culin\u00e1ria com outros tipos comerciais da \u00e9poca. As an\u00e1lises indicaram vantagens consistentes em rendimento por \u00e1rea, al\u00e9m de boa aceita\u00e7\u00e3o em testes de preparo dom\u00e9stico e profissional. O material recebeu registro oficial como uma nova cultivar, com o nome de feij\u00e3o carioca, e come\u00e7ou a ser multiplicado para distribui\u00e7\u00e3o controlada a produtores. <strong>Em suma<\/strong>, uma observa\u00e7\u00e3o atenta no campo, somada ao apoio cient\u00edfico, transformou um acaso em um marco da produ\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Essa difus\u00e3o n\u00e3o dependeu apenas de resultados de campo. Houve uma estrat\u00e9gia organizada que envolveu:<\/p>\n<ul>\n<li>distribui\u00e7\u00e3o de sementes a agricultores de regi\u00f5es estrat\u00e9gicas;<\/li>\n<li>palestras t\u00e9cnicas e dias de campo para demonstrar o cultivo;<\/li>\n<li>campanhas de degusta\u00e7\u00e3o em supermercados e feiras;<\/li>\n<li>folhetos com receitas e orienta\u00e7\u00f5es de preparo voltados ao p\u00fablico dom\u00e9stico.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Portanto<\/strong>, a expans\u00e3o do feij\u00e3o carioca decorre de uma combina\u00e7\u00e3o entre inova\u00e7\u00e3o agron\u00f4mica, comunica\u00e7\u00e3o eficiente e resposta positiva do consumidor. Com o passar dos anos 1970 e 1980, o carioquinha se expandiu do interior paulista para outras regi\u00f5es, ajustando-se a diferentes solos e climas. Em paralelo, foi ganhando espa\u00e7o nas prefer\u00eancias do consumidor urbano, substituindo em muitos lares tipos antes dominantes, como o feij\u00e3o-preto em certas \u00e1reas do Sudeste. <strong>Ent\u00e3o<\/strong>, o que come\u00e7ou como uma curiosidade de lavoura se consolidou como refer\u00eancia nacional de feij\u00e3o-comum.<\/p>\n<h2>Qual o papel do feij\u00e3o carioca na alimenta\u00e7\u00e3o e na cultura brasileira?<\/h2>\n<p>No cen\u00e1rio atual, estimativas de entidades de pesquisa agr\u00edcola indicam que o <strong>feij\u00e3o carioca<\/strong> responde por cerca de 60% da produ\u00e7\u00e3o e do consumo nacional de feij\u00e3o-comum. Ainda assim, a prefer\u00eancia varia de acordo com a regi\u00e3o: o feij\u00e3o-preto permanece forte em estados como Rio de Janeiro e partes do Sul, enquanto o feij\u00e3o mulatinho e o feij\u00e3o-de-corda mant\u00eam presen\u00e7a expressiva no Nordeste. O carioquinha, portanto, lidera em abrang\u00eancia nacional, mas convive com uma pluralidade de tipos que refletem h\u00e1bitos alimentares regionais. <strong>Em suma<\/strong>, ele une o pa\u00eds sem apagar as identidades locais.<\/p>\n<p>Do ponto de vista nutricional, o feij\u00e3o carioca segue a mesma l\u00f3gica dos feij\u00f5es em geral: \u00e9 fonte relevante de <strong>prote\u00ednas vegetais<\/strong>, fibras, ferro e outros minerais. Quando combinado com arroz, contribui para formar um prato de boa qualidade proteica, acess\u00edvel e culturalmente enraizado. <strong>Portanto<\/strong>, arroz com feij\u00e3o continua sendo um dos pilares da <strong>seguran\u00e7a alimentar<\/strong> no Brasil, especialmente em um contexto de aumento no interesse por dietas com menor consumo de carne e amplia\u00e7\u00e3o do p\u00fablico vegetariano e vegano. <strong>Entretanto<\/strong>, seu papel n\u00e3o se resume \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o: o prato tamb\u00e9m carrega mem\u00f3ria afetiva, identidade e senso de pertencimento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos impactos na mesa, a trajet\u00f3ria do carioquinha ilustra a import\u00e2ncia da pesquisa agr\u00edcola p\u00fablica na moderniza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos destinados principalmente ao mercado interno. O desenvolvimento e a ado\u00e7\u00e3o dessa cultivar ajudaram a reverter tend\u00eancias de baixa produtividade em lavouras de feij\u00e3o, viabilizaram maior oferta a pre\u00e7os mais est\u00e1veis e mostraram como a combina\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia, curiosidade de produtores e pol\u00edticas de difus\u00e3o pode alterar, em poucas d\u00e9cadas, o card\u00e1pio di\u00e1rio de milh\u00f5es de pessoas. <strong>Ent\u00e3o<\/strong>, ao olhar para o feij\u00e3o carioca, tamb\u00e9m se enxerga o resultado de investimentos em ci\u00eancia, extens\u00e3o rural e pol\u00edticas de incentivo \u00e0 agricultura familiar.<\/p>\n<h2>Como o nome \u201cfeij\u00e3o carioca\u201d entrou para o vocabul\u00e1rio popular?<\/h2>\n<p>Apesar de o termo \u201ccarioca\u201d remeter, em geral, \u00e0 cidade do Rio de Janeiro, a origem do nome do <strong>feij\u00e3o-carioquinha<\/strong> est\u00e1 ligada a outro contexto. Relatos hist\u00f3ricos apontam que a denomina\u00e7\u00e3o surgiu por associa\u00e7\u00e3o visual entre a casca rajada do gr\u00e3o e a pelagem de porcos caipiras conhecidos regionalmente como \u201ccarioca\u201d. Com o tempo, o nome passou a circular entre agricultores, pesquisadores e comerciantes, at\u00e9 ser consolidado na documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e, depois, no uso cotidiano dos consumidores.<\/p>\n<p>Essa trajet\u00f3ria mostra como um alimento pode carregar, ao mesmo tempo, aspectos agron\u00f4micos, econ\u00f4micos e simb\u00f3licos. O feij\u00e3o carioca sintetiza pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, decis\u00f5es de pesquisa, estrat\u00e9gias de divulga\u00e7\u00e3o e h\u00e1bitos culin\u00e1rios que se transformaram ao longo de mais de meio s\u00e9culo. Ao olhar para o gr\u00e3o no prato, muitas pessoas talvez n\u00e3o tenham contato com essa hist\u00f3ria, mas o caminho percorrido por ele ajuda a explicar por que o feij\u00e3o segue sendo elemento central da alimenta\u00e7\u00e3o brasileira em 2025. <strong>Portanto<\/strong>, entender o feij\u00e3o carioca significa, em parte, compreender a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o da mesa brasileira, que equilibra tradi\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o e diversidade regional.<\/p>\n<h2>FAQ \u2013 Perguntas frequentes sobre o feij\u00e3o carioca<\/h2>\n<p><strong>1. O feij\u00e3o carioca engorda?<\/strong><br \/>\nO feij\u00e3o carioca, por si s\u00f3, n\u00e3o costuma promover ganho de peso quando entra em uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada. Ele fornece fibras e prote\u00ednas que aumentam a saciedade. Entretanto, o excesso de acompanhamentos cal\u00f3ricos, como frituras e embutidos, pode elevar muito o valor energ\u00e9tico da refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>2. Pessoas com diabetes podem consumir feij\u00e3o carioca?<\/strong><br \/>\nSim. O feij\u00e3o carioca apresenta baixo \u00edndice glic\u00eamico e grande quantidade de fibras, o que ajuda a controlar a libera\u00e7\u00e3o de glicose no sangue. <strong>Portanto<\/strong>, quando voc\u00ea o combina com alimentos integrais e vegetais, ele tende a favorecer um melhor controle glic\u00eamico, sempre dentro das orienta\u00e7\u00f5es de um profissional de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>3. Como diminuir os gases ao consumir feij\u00e3o carioca?<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea pode deixar o feij\u00e3o de molho por algumas horas e trocar a \u00e1gua antes do cozimento. <strong>Ent\u00e3o<\/strong>, cozinhe bem os gr\u00e3os e, se desejar, use temperos como louro, cominho e ervas frescas, que muitas pessoas relatam ajudar na digest\u00e3o. Mastigar devagar tamb\u00e9m melhora o processo digestivo.<\/p>\n<p><strong>4. Quanto feij\u00e3o carioca posso comer por dia?<\/strong><br \/>\nEm geral, nutricionistas sugerem de uma a duas conchas m\u00e9dias por dia, dependendo das necessidades energ\u00e9ticas e proteicas de cada pessoa. <strong>Em suma<\/strong>, o ideal \u00e9 ajustar a quantidade de feij\u00e3o ao restante da dieta, ao n\u00edvel de atividade f\u00edsica e a poss\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade espec\u00edficas.<\/p>\n<p><strong>5. O feij\u00e3o carioca \u00e9 melhor que o feij\u00e3o-preto?<\/strong><br \/>\nNenhum tipo de feij\u00e3o \u00e9 necessariamente \u201cmelhor\u201d em termos absolutos. Feij\u00e3o carioca e feij\u00e3o-preto oferecem perfis nutricionais bastante semelhantes. <strong>Portanto<\/strong>, a escolha costuma depender mais do h\u00e1bito cultural, do sabor preferido e da maneira como voc\u00ea combina o feij\u00e3o com outros alimentos no dia a dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Consumido no Brasil h\u00e1 s\u00e9culos, o feij\u00e3o ocupa papel central na alimenta\u00e7\u00e3o cotidiana e na cultura alimentar do pa\u00eds. Entre os diversos tipos de gr\u00e3os presentes nas mesas e nas lavouras, o feij\u00e3o carioca, tamb\u00e9m chamado de feij\u00e3o-carioquinha, tornou-se o principal representante desse grupo a partir da d\u00e9cada de 1970. 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