Indígenas bloqueiam rota e exigem ajuda

postado em 18/08/2020 06:00
 (foto: Carl de Souza/AFP)
(foto: Carl de Souza/AFP)

Em um protesto realizado, ontem, dezenas de indígenas Kayapó Mekragnoti bloquearam parte da rodovia BR-163, na altura do município de Novo Progresso, no Pará, “por tempo indeterminado”, exigindo ajuda do Governo Federal para combater a pandemia do novo coronavírus. Empunhando pedaços de paus, flechas e facões, ergueram duas barricadas com pneus e madeira na via, a principal de distribuição agrícola do Centro-Oeste aos portos fluviais da Amazônia.

“A cada dia que passa essa doença está aumentando, por isso nós estamos fazendo esse movimento para chamar a atenção (...) para o governo olhar para o lado dos indígenas”, disse o cacique Beppronti Mekragnotire, por meio do seu porta-voz e intérprete Doto Takak-ire.

Os Kayapó Mekragnoti, subgrupo da etnia Kayapó, da qual faz parte o cacique Raoni Metuktire — ícone da luta pela conservação da Amazônia que recentemente foi acometido pelo coronavírus —, habitam as reservas Baú e Menkragnoti, que juntas ocupam 6,5 milhões hectares, uma área aproximadamente do tamanho da Croácia. Segundo dados da ONG Kabu, dos 1,6 mil habitantes de suas 12 aldeias, ao menos quatro morreram em decorrência da covid-19 e outros 400 foram infectados.

Os primeiros casos de coronavírus entre indígenas ocorreram devido ao contato com populações urbanas e à presença de garimpeiros ilegais em suas reservas. Devido ao fato de viverem isolados, os índios são um alvo perfeito para o coronavírus devido às suas defesas imunológicas.

De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que acusa o governo Jair Bolsonaro de omissão diante da pandemia, ao menos 618 indígenas morreram e outros 21 mil já foram infectados pelo coronavírus em todo o Brasil.

Os indígenas também exigem do governo o combate ao desmatamento ilegal praticado pelos invasores de terras. “Você está vendo essa fumaça?”, perguntou o cacique Beppronti Mekragnotire. “É porque o desmatamento está aumentando a cada dia”, lamentou.

“A cada dia que passa, essa doença está aumentando, por isso nós estamos fazendo esse movimento para chamar a atenção (...) para o governo olhar para o lado dos indígenas”
Beppronti Mekragnotire, cacique da etnia Kayapó


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