Educação

Brasil sobe em ranking global das melhores universidades

À frente de Espanha, Itália e Alemanha, Brasil torna-se a sexta nação com maior número de universidades mais bem avaliadas na lista da revista britânica Times Higher Education. São 52 instituições brasileiras — seis a mais do que no ano passado

Renata Rios
Ana Paula Lisboa
postado em 03/09/2020 06:00 / atualizado em 03/09/2020 20:56
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A. Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A. Press)

O Brasil subiu uma posição no ranking internacional de melhores universidades e, agora, é a sexta nação com maior número de instituições melhor avaliadas na lista da revista britânica Times Higher Education (THE). A publicação é uma das mais importantes em avaliação do ensino superior. O país está à frente de Espanha, Itália e Alemanha, e soma, agora, 52 instituições — seis a mais do que no ano passado. A Universidade de São Paulo (USP) é a instituição nacional mais bem colocada e avançou em relação ao último levantamento. Em primeiro lugar no ranking mundial está a Universidade de Oxford, umas das instituições à frente da pesquisa em busca de uma vacina contra a covid-19.


Da lista de brasileiras que figuram no ranking, quase todas são federais ou estaduais. “Nas universidades públicas temos instituições com professores que são, a maioria, doutores e pós-doutores, têm dedicação exclusiva. Eles trabalham com ensino, pesquisa e extensão então, por consequência, produzem mais artigos, produzem pesquisas nas diversas áreas do conhecimento”, explica a professora da Universidade de Brasília (UnB) Catarina de Almeida Santos. A universidade ocupa a 9ª colocação na lista brasileira.
Mais bem avaliada nacionalmente, a USP está classificada entre as 201 e as 250 melhores do mundo. Já a Unicamp figura no intervalo entre o 401º e o 500º lugar. Ambas melhoraram entre uma edição e outra do ranking. Na classificação de 2020, a primeira estava na faixa situada entre as 251 e 300 melhores. A Unicamp também teve uma melhora no resultado, subindo da linha entre a 501ª e a 600ª colocação para a atual.


Seis universidades brasileiras ficaram empatadas no terceiro lugar nacional (entre a 601ª e a 800ª). São elas: as federais de Minas Gerais (UFMG), do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Santa Catarina (UFSC), de São Paulo (Unifesp) e de Sergipe (UFS), além da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Entre aquelas que dividem o nono lugar nacional com a UnB, no intervalo entre 801 e 1.000 global, estão a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp)


“Cada ranking define o que é cada um dos indicadores. Muitas definições são adequadas para o país onde o ranking nasce, mas são um pouco restritivas para universidades públicas brasileiras”, afirma Denise Imbroisi, decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional da UnB. “Eu fico muito feliz, a UnB fez bonito. Estou muito satisfeita com a melhora da Universidade de Brasília”, comemora.

Corte de gastos

A professora Catarina de Almeida Santos, membro da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, destaca que, entre as dificuldades enfrentadas pelas universidades brasileiras, está o corte de gastos, que acaba impactando no ensino e na pesquisa, em todas as áreas. “Se essas instituições estivessem com uma estrutura melhor, elas poderiam ajudar muito mais”, exemplifica.


“Atualmente, os maiores desafios residem na limitação de recursos para renovação da infraestrutura das instituições e para investimentos condizentes com os desafios tecnológicos contemporâneos. Outras dificuldades dizem respeito à manutenção das atividades acadêmicas e ao apoio necessário aos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, complementa Denise Imbroisi.

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