MEIO AMBIENTE

Mico-leão vai parar na Amazônia, mas em gafe

Renata Rios Fabio Grecchi
postado em 11/09/2020 01:09
 (foto: @rsallesmma)
(foto: @rsallesmma)

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o vice-presidente Hamílton Mourão reproduziram, ontem, nas redes sociais pessoais, um vídeo que tenta negar as queimadas na Amazônia e que apresenta um mico-leão dourado como um dos animais próprios do bioma. Porém, o espécime só é encontrado na Mata Atlântica, que fica a muitos quilômetros de distância dos estados amazônicos.

Salles e Mourão publicaram o vídeo intitulado A Amazônia Não Está Queimando, no qual os produtores inseriram a imagem do animal. O conteúdo, de autoria da Associação de Criadores do Pará (Acripará), que reúne os pecuaristas paraenses, tenta rebater outro vídeo, promovido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que mostra o descompromisso do governo federal com a preservação da Amazônia.

O presidente da Acripará, Maurício Fraga Filho, admitiu que inserir a imagem do animal “foi uma gafe”, equívoco que Mourão tratou com bom-humor: “Foi uma integração Amazônia-Mata Atlântica”, ironizou.

Em nota, o Greenpeace disse que “talvez o ministro e o vice-presidente não estejam sendo sufocados pela fumaça em Brasília, porém essa não é a realidade de cidades da Amazônia como Belém, Porto Velho e Rio Branco”.

Mas esta não foi a única polêmica na qual Salles se envolveu. Ele respondeu a Leonardo DiCaprio no Twitter, desafiando-o a apoiar a preservação da Amazônia. A reação ocorreu após o ator compartilhar o vídeo da Apib.

“Querido, @LeoDiCaprio, o Brasil está lançando o projeto Adote um Parque, que permite que você ou qualquer outra empresa ou pessoa escolha um dos 132 parques da Amazônia e diretamente o patrocine com 10 euros por hectare por ano”. E provocou em inglês: are you going to put your money where your mouth is? (vai colocar dinheiro onde está a sua boca?). A expressão significa agir e não apenas apoiar uma causa com palavras.

O vídeo da Apib lançou a campanha Defund Bolsonaro (“Desfinancie Bolsonaro”), que pede boicote às empresas de soja, carne e couro que, segundo a organização, ao lado do governo estariam relacionadas às queimadas.

“Receber o apoio de personalidades internacionais, para nós, da Apib, é importante para que o mundo saiba que o governo se alia aos algozes da Amazônia, do Pantanal e de tantos outros ecossistemas, incluindo povos tradicionais, que deveriam ser protegidos”, salientou a associação, comemorando a adesão do ator à campanha.

Não é a primeira vez que o ator se engaja em assuntos sobre a Amazônia. Em 18 de agosto, DiCaprio compartilhou nas redes sociais reportagem do The Guardian sobre o desmatamento na região.

Indigenista morto ao tentar salvar os índios que protegia
O indigenista Rieli Franciscato, 56 anos, referência em trabalhos de proteção aos povos isolados, morreu na última quarta-feira, após ser alvo de uma flecha no município em Seringueiras, em Rondônia. A informação foi confirmada pela Polícia Civil do estado. Ele era coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Uru Eu Wau Wau e somava mais de 30 anos de dedicação à proteção dos índios isolados no Brasil. Após receber uma notícia da presença de isolados em um sítio, Rieli foi acompanhado apenas por dois policiais militares e um amigo, mas os índios reagiram com flechadas. Os policiais e o amigo do indigenista conseguiram se proteger atrás da viatura. Atingido no tórax, Rieli foi levado ainda com vida para o hospital da cidade.


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