Vacina

Com o aval da Anvisa, "Vacina de Oxford" terá o dobro de voluntários no Brasil

Anvisa autoriza que mais 5 mil pessoas possam fazer parte dos testes do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford com uma farmacêutica. Também serão incluídos cidadãos com mais de 69 anos entre os participantes da pesquisa

Bruna Lima
Renata Rios
Maíra Nunes
postado em 16/09/2020 06:00 / atualizado em 16/09/2020 07:52
 (crédito: Vincenzo Pinto/AFP)
(crédito: Vincenzo Pinto/AFP)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta terça-feira (15/9), a inclusão de mais 5 mil voluntários brasileiros nos estudos da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. Originalmente, os testes no país contariam com 5 mil participantes, número ampliado para 10 mil após pedido da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que coordena os estudos no Brasil, avalizado pela Anvisa. Ontem, o Brasil registrou 1.113 mortes, totalizando 133.119 vidas perdidas pelo novo coronavírus.

Passarão a fazer parte do ensaio clínico voluntários de Natal, Porto Alegre e Santa Maria. Os testes nesses centros serão conduzidos pelo Centro de Pesquisas Clínicas de Natal (CPCLIN), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), respectivamente. Os novos participantes se somarão aos voluntários recrutados em São Paulo, Rio e Salvador. De acordo com a Unifesp, não haverá uma divisão exata do número de voluntários em cada local. “Será livre recrutamento, até alcançar o número de cinco mil selecionados”, disse a instituição, em nota.

A partir de agora, idosos também poderão ser recrutados para o estudo. Inicialmente, somente participantes com menos de 69 anos eram aceitos. Segue valendo a regra de priorizar a inclusão de profissionais de saúde e outros trabalhadores em funções com alto risco de exposição ao coronavírus, como motoristas de ambulância, seguranças de hospitais e agentes de limpeza desses estabelecimentos.

“Isso é extremamente importante porque incluímos nessa fase pessoas que sabidamente têm risco mais elevado de complicações à covid-19 e, assim, o estudo pode refletir ainda mais a realidade Isso, além de ampliarmos bastante o número de participantes, o que dará ainda mais robustez na análise de dados relacionados à segurança e eficácia da vacina”, disse, em nota, a professora Lily Weckx, responsável por liderar o estudo da vacina no Brasil.

A vacina de Oxford está sendo testada ainda no Reino Unido, na África do Sul e nos Estados Unidos. Na semana passada, os estudos foram suspensos globalmente pela AstraZeneca após uma participante britânica apresentar reação adversa grave.

Os testes ficaram interrompidos por quatro dias para que um comitê independente de especialistas avaliasse se a intercorrência tinha relação com a vacina. Ao final da análise, o grupo concluiu que os estudos poderiam ser continuados e tiveram autorização dos órgãos regulatórios do Reino Unido e do Brasil para a retomada. Até o momento, 4,6 mil voluntários foram vacinados e não apresentaram qualquer registro de intercorrências graves.

Transmissão


Com 4.382.263 brasileiros positivos para o novo coronavírus, desde o início da pandemia, o Brasil observa uma diminuição da média móvel de confirmações e continua oscilando na taxa de transmissão (Rt) da covid-19 entre as semanas. Após voltar para os níveis de descontrole, agora, com o fechamento da semana epidemiológica 37, o país registrou o menor índice desde a intensificação da pandemia, avalia o novo levantamento do Imperial College, de Londres. A Rt está em 0,90, ou seja, cada grupo de 100 infectados transmite a doença para mais 90 pessoas.

Na semana passada, a taxa brasileira subiu para 1, ou seja, atingiu o limiar de descontrole. Até agosto, o Brasil chegou a ficar por 16 semanas consecutivas com Rt acima de 1, sendo o país da América Latina com mais longa permanência nos altos patamares de transmissão.

Sem conseguir controlar o contágio de maneira a permanecer constantemente com valores abaixo de 1, o status de transmissão continua sendo considerado lento a estagnado. Por isso, o Brasil permanece no rol de países com a doença ativa, além de ter uma das maiores taxas de mortalidade do mundo, sendo o primeiro país do G-20 no ranking negativo.

Com uma taxa de mortalidade de 3%, o Brasil vê que a maioria dos seus estados soma mais de mil mortes cada. Atualmente, 23 estados atingiram a marca de mil óbitos cada. O Mato Grosso do Sul foi o último a atingir o patamar: soma 1.106 vidas perdidas. Abaixo, estão apenas quatro estados, que são os únicos com menos de mil mortes cada: Tocantins (822), Amapá (682), Acre (642), Roraima (611). No topo da tabela, São Paulo e Rio de Janeiro são as únicas unidades federativas com mais de 10 mil mortes: 32.963 e 17.180 vítimas fatais, respectivamente.


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