OBITUÁRIO

Morre Elisaldo Carlini, pioneiro em defender uso medicinal da maconha

Médico fundou centro de estudos na Universidade Federal de São Paulo e colocou o Brasil no mapa das pesquisas sobre drogas

Fernanda Strickland*
postado em 17/09/2020 16:19 / atualizado em 17/09/2020 16:20
 (crédito: Cadu Gomes/CB/D.A Press)
(crédito: Cadu Gomes/CB/D.A Press)

Maior referência no Brasil sobre estudos da cannabis medicinal e de outras substâncias psicotrópicas, o médico e pesquisador Elisaldo Carlini morreu nesta quarta-feira (16/9), aos 91 anos, em decorrência de um câncer. Professor emérito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ele Estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, havia quase 40 dias.

O especialista dedicou mais de 50 anos da sua vida profissional aos estudos da cannabis e se tornou um militante pela legalização da maconha medicinal no Brasil, sendo um dos profissionais da área mais respeitados internacionalmente. 

Fundador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), o médico foi precursor global em estudo sobre as propriedades terapêuticas da maconha. Suas pesquisas ajudaram milhares de pacientes que sofrem de doenças como esclerose múltipla e epilepsia.

Carreira

Carlini foi condecorado duas vezes pela Presidência da República por seu trabalho como pesquisador. Foi presidente do Serviço Nacional de Vigilância Sanitária (que antecedeu a Anvisa) e membro do Conselho Econômico Social das Nações Unidas (ECOSOC/ONU). Até sua morte, atuava como orientador de mestrado e doutorado no Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp.

Também foi pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em nota a universidade homenageou o pesquisador. “Sua carreira e sua trajetória como intelectual, cientista e militante pela legalização da maconha medicinal mostram a grandeza do professor Carlini, tendo vivido a pesquisa e a vida acadêmica em dedicação exclusiva, até o último instante.”

O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) também emitiu uma nota de pesar. “Médico, pesquisador, fundador do Cebrid e professor emérito da Unifesp, professor Carlini parte aos 90 anos, mas deixando um legado de mais de 50 anos dedicados ao estudo de drogas psicotrópicas no Brasil. Em especial, seus trabalhos sobre a maconha medicinal, colocou o CDB no foco da ciência brasileira e do mundo para o tratamento de convulsões, epilepsia, esclerose múltipla e dor crônica. A memória do professor, hoje símbolo da pesquisa canábica no Brasil, permanecerá viva e sua herança norteando nossa ciência brasileira”, diz o comunicado.

O médico era casado com a professora Solange Nappo e deixa seis filhos, seis netos e dois bisnetos.

*Estagiária sob supervisão de Andreia Castro

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