Saúde

Vacina chinesa contra covid-19 é segura e eficaz, aponta estudo

A candidata CoronaVac passou pela fase 3 de testes. Governador de São Paulo, João Doria, afirmou que a eficácia foi de 98% e que o estado prevê aquisição de mais de 50 milhões de doses até fevereiro, além da transferência de tecnologia

Bruna Lima
postado em 23/09/2020 15:12
 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O primeiro lote da vacina chinesa contra covid-19 chegará no Brasil no próximo mês e a expectativa é de que a imunização em moradores de São Paulo comece ainda este ano. O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB), em coletiva nesta quarta-feira (23/9), após o estudo de fase 3 da vacina apontar segurança e eficácia para prosseguir com o desenvolvimento.

A nomeada CoronaVac, do laboratório chinês Sinovac, já foi testada em 50 mil chineses, e os resultados confirmam segurança de 94,7% e eficácia de 98%, como relatou Doria. "Os resultados dos estudos clínicos da China mostram um baixo índice, de apenas 5,3%, de efeitos adversos de baixa gravidade. A maioria dos voluntários apresentou, apenas, dor no local da aplicação da vacina. Efeitos adversos de baixa gravidade são comuns para a maioria das vacinas amplamente utilizadas", garantiu o governador.

No Brasil, os testes de fase 3 foram iniciados em 21 de julho e, segundo Doria, não há, até o momento, nenhum registro de reações graves nos mais de 5,6 mil voluntários já vacinados, em um total de 9 mil candidatos que estão sendo testados.

"Além de segura, a CoronaVac se mostra eficiente. Torço para que outras vacinas sejam testadas, aprovadas e aplicadas aos brasileiros em todo país. Nós não estamos em uma corrida pela vacina, mas numa corrida pela vida. Quanto mais vacinas aprovadas, mais vacinas chancelados pela Anvisa, mais brasileiros serão salvos, e mais rapidamente", discursou.

Um primeiro lote de 5 milhões de doses para serem aplicadas em São Paulo está programado para chegar ao país em outubro. Para iniciar a aplicação na população, é necessário aguardar a finalização dos testes, que deve ocorrer até o fim de setembro. O cronograma depende, ainda, da análise dos resultados e da aprovação da Anvisa. A previsão é de que, na segunda quinzena, a imunização seja iniciada, de acordo com critérios de vacinação adotados pela Secretaria da Saúde e São Paulo e dentro do protocolo do Ministério da Saúde.

Os primeiros a receber a vacina serão médicos e paramédicos. Até o fim do ano, mais 46 milhões de doses devem chegar ao Brasil e, em março, o estado deverá ter 60 milhões de doses, "o que é suficiente para imunização de todos os brasileiros de São Paulo", afirmou Doria, completando que, existem negociações no âmbito do Ministério da Saúde para a compra de mais 40 milhões de doses para ampliar a vacinação a outros estados. "Esperamos que, com o sucesso da vacina de Oxford, da AstraZeneca, e de outras vacinas, o governo federal possa imunizar a totalidade dos brasileiros no menor prazo possível."

Assim como a tratativa da candidata de Oxford, que prevê a transferência de tecnologia, foi firmado o acordo semelhante com a chinesa. O Instituto Butantan é responsável pela produção do imunizante, com capacidade de 100 milhões de doses anuais. Após a campanha em São Paulo, o objetivo é ampliar para outros estados brasileiros.

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