Tecnologia

Parceria inaugura centro de inteligência artificial no Brasil

Centro desenvolverá pesquisas sobre saúde, cadeia de produção de alimentos, meio ambiente, futuro do trabalho e língua portuguesa. A iniciativa da IBM, da USP e da Fapesp prevê um investimento anual de US$ 2 milhões

Edis Henrique Peres*
postado em 13/10/2020 18:19

Nesta terça-feira (13) começam as atividades de um centro de inteligência artificial no Brasil, em projeto realizado com a parceria entre IBM, Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O principal foco do centro de pesquisa é desenvolver atividades em cinco frentes: saúde, meio ambiente, língua portuguesa, futuro do trabalho e cadeia de produção de alimentos.


O Centro de Inteligência Artificial (C4AI) do Brasil é dedicado aos estudos e pesquisa de ponta em Inteligência Artificial (IA). Terá sede no prédio do Centro de Pesquisa e Inovação InovaUSP, localizado no campus da USP de São Paulo. Para o Pró-Reitor de pesquisa da USP, Sylvio Canuto, o Brasil está pronto para dar grandes saltos nas pesquisas sobre o tema. Ele citou como exemplo pesquisas relativas aos vírus da Zika e da Covid-19, nas quais cientistas brasileiros tiveram participação relevante no mapeamento de genes.


Por ano, a IBM e Fapesp pretendem investir 2 milhões de dólares no projeto. Cláudio Pinhanez, vice-diretor do C4AI e pesquisador do IBM Research, ressalta, no entanto, que os recursos não se limitam ao valor financeiro. Isso porque outros estudantes e professores poderão utilizar essas estruturas, de forma a qualificar a formação científica. O vice-diretor também disse que o Centro vai desenvolver diversas atividades para a disseminação dos conteúdos de IA, com palestras e cursos para formar profissionais.


O projeto pretende, ainda, incluir mulheres e afrodescendentes no corpo de pesquisadores na área de Inteligência Artificial. Para o diretor científico da Fapesp, Luiz Eugênio Mello, a formação de recursos humanos é importante para evoluir usar essa tecnologia. “Não só produzir conhecimento, mas qualificar e capacitar profissionais”, pontua.

 

Linhas de ação

As cinco frentes desenvolvidas pelo C4AI são a AgriBio, Amazônia Azul, Modelamento de AVCs, políticas públicas e o futuro do trabalho e o processamento da língua portuguesa.


A AgriBio se dedicará a temas como ciclos produtivos do agronegócio, gerência da cadeia de alimentos, sequestro de carbono. A finalidade é desenvolver uma agricultura sustentável e evitar desperdício de água e alimentos.


A chamada Amazônia Azul se refere à vasta região do oceano Atlântico na costa brasileira, rica em biodiversidade e recursos energéticos. O projeto pretende desenvolver sistemas de respostas que levem dados e conhecimentos de domínio, resolvendo perguntas sobre o bioma marinho, como por exemplo, o surgimento de manchas de óleo na costa nordeste do Brasil.


O Modelamento de AVCs vai utilizar tecnologia para obter um melhor diagnóstico e melhorar a reabilitação de pacientes que sofreram acidente vascular cerebral (AVC). O desafio é integrar e selecionar os recursos médicos relevantes (biomarcadores) e interpretar decisões tomadas por algoritmos de aprendizado de máquina integrando inteligência humana e artificial.


Em relação a políticas públicas e o futuro do trabalho, o projeto pretende envolver diversas áreas de humanas da USP, como economia, história, ciências sociais e sociologia para mapear, compreender e abordar os impactos do desenvolvimento de inteligências artificiais em economias como a do Brasil.


O quinto campo de pesquisa do C4AI é a produção de ferramentas para o processamento em língua portuguesa, utilizando-se dos recursos de dados para treinar sistemas de diálogo em português. A meta é aprimorar a análise e extração de conhecimento de grandes fontes de dados, treinamento de assistentes virtuais e monitoramento das redes sociais, por exemplo.


Com essas cinco áreas de desenvolvimento, o Centro de Inteligência Artificial busca, segundo Cláudio Pinhanez, “ter massa crítica para produzir pesquisas de qualidade e competitivas em nível Internacional e estruturar comunidades e fornecer subsídios para o debate sobre o uso de IA”.

 

* Estagiário sob supervisão de Carlos Alexandre de Souza 

 

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