PANDEMIA

Doria aposta em reunião com Pazuello e diz: "não vão politizar vacina"

Governador de São Paulo se reúne com o ministro da Saúde na próxima semana. Expectativas são pela inclusão da chinesa Coronavac no Programa Nacional de Imunização

Bruna Lima
postado em 16/10/2020 19:02
 (crédito: AFP)
(crédito: AFP)

Acentua-se a pressão para incluir a vacina chinesa contra a covid-19 no Programa Nacional de Imunização (PNI). As apostas do Governo de São Paulo são por uma decisão positiva do Ministério da Saúde em torno da Coronavac. João Doria se reúne pessoalmente com o ministro Eduardo Pazuello, na próxima quarta-feira (21/10), ocasião em que espera firmar a parceria. Pasta federal, contudo, ainda vê o acordo com ressalvas.

Nesta semana, o Ministério da Saúde apresentou o cronograma de vacinação contra o novo coronavírus não prevendo, porém, a distribuição da candidata chinesa, mesmo estando em fase semelhante de estudos à da vacina de Oxford, incluída no PNI. Em um primeiro momento, o secretário-executivo da pasta chegou a dizer que não era possível contar com um imunizante "que não existe", se referindo à Coronavac. No entanto, voltou atrás após o desconforto gerado com os membros do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que chegaram a enviar ofício pedindo a inclusão de outras propostas.

"Destacamos que, dentro do esforço do Sistema Único de Saúde (SUS), estamos aderindo a qualquer iniciativa de desenvolvimento de vacinas que nos ofereça segurança, eficácia na imunogenicidade, que fique pronta num prazo mais curto, tenha produção em escala e quantidade para imunizar a população brasileira e ser inserida no Programa Nacional de Imunizações, além de ter um preço acessível. Não descartamos nenhuma possibilidade. Estamos com foco principalmente naquelas que estão na terceira fase dos testes", disse Franco em coletiva na quinta-feira (15/10).

O novo posicionamento do ministério foi elogiado pelo governo de SP, que renovou as expectativas em cima da inclusão da candidata chinesa. "A manifestação do Ministério da Saúde está absolutamente correta. O que se espera de uma vacina, para que seja incorporada ao PNI, é que tenha esses requisitos que foram colocados, diferentemente de uma manifestação anterior que tinha sido dada. Nós queremos que essa vacina tenha segurança, eficácia, que possa ser produzida em escala e que tenha um preço razoável", afirmou João Gabbardo, secretário-executivo do Centro de Contingência do combate ao coronavírus de SP e ex-secretário executivo do Ministério da Saúde."Acreditamos que a vacina apresenta todos os requisitos elencados pelo Ministério da Saúde para ser incorporada", completou.

Otimismo

Os resultados da terceira fase de testagens ainda será divulgado nos próximos dias, mas como destacou Gabbardo, as expectativas são boas, já que os índices de eficácia alcançados na fase 1 e 2 foram de 98%. O ministério estabeleceu eficácia a partir de 50% para considerar a vacina apta a entrar no PNI. Doria foi ainda mais otimista e adiantou: "Até aqui, não houve nenhuma colateralidade,ou seja, os testes positivos para a vacina Coronavac", destacou na coletiva de sexta-feira (16/10).

Segundo Doria, por meio do novo procedimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permite o registro de resultados de forma gradual, a fim de acelerar o processo de registro, a agência reguladora está a par dos dados mais atuais. Um resumo deste relatório será entregue pelo doutor. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, na segunda-feira (19/10). O instituto fechou parceria com a farmacêutica Sinovac e terá acesso às tecnologias para a produção da vacina chinesa em território brasileiro.

Politização

Após os recentes posicionamentos do Ministério da Saúde, o Governo de São Paulo prevê anúncios otimistas, sobretudo pela longa parceria que o Instituto Butantan firmou com a pasta. "Será que agora deixou de ser o Instituto Butantan que foi ao longo de três décadas? Será que agora que tem a vacina o Governo Federal vai negá-la aos brasileiros que precisam dela para ter suas vidas preservadas? Não. O que depender do Governo de São Paulo, não", provocou Doria, dizendo esperar uma visão "republicana, científica e técnica" dos representantes do Executivo Federal na tomada de decisões.

Questionado sobre o uso da vacina como um mecanismo político, Doria rebateu: "Por parte do governo de São Paulo não há e não haverá nenhuma politização quanto tema da vacina. Como não houve também na questão da pandemia", afirmou Doria, dizendo esperar o mesmo do Governo Federal. "A cada dia sem vacina no Brasil, mais 700 pessoas perdem a vida. Não é razoável imaginar que o Governo Federal vá politizar o tema da vacina ou colocar ideologia, visão partidária ou eleitoral em cima daquilo que salva vidas", disse.

Ao mesmo tempo em que afirmou não haver estratégia política por trás da condução do enfrentamento à covid-19, aproveitou para atacar o presidente da República. "São Paulo não é negacionista, compreende a dimensão e o perigo do coronavírus desde início", argumentou, citando que SP e RJ foram os primeiros estados a iniciar a quarentena, "o que foi motivo de crítica por parte do presidente Jair Bolsonaro". "[SP] foi o primeiro estado a tornar obrigatório o uso de máscara, com multa, sobre críticas do presidente Jair Bolsonaro. Foi o estado que determinou que não se utilizaria a cloroquina, como recomendação feita pelo presidente Jair Bolsonaro como forma de preservar vidas, porque não preserva".

 

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